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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Cancelei

Não recomendo que façam o mesmo, mas eu cancelei meu plano de sócio. A relação minha com o Coritiba de há muito andava desgastada. Como um amor não correspondido, o Coxa só me maltratava. Todo dia, só me judiava.
A cada pequena demonstração de carinho eu corria à arquibancada achando que ele iria mudar, mas, logo me desiludia. Viver assim, e ainda pagar por isso, não dava mais.
Comecei a refletir sobre o que poderia fazer com o dinheiro que de mim o Coxa tirava, e percebi que dava para comprar alguns pacotes de fraldas, alguns potes de Nan, pagar várias horas de ensaio no estúdio Fuzz e, se levar em conta estacionamento mas meu consumo em cervejas pré-jogo, dava pra fazer uma compra razoável no mercado.
Comecei a refletir sobre o tempo que ao Coxa dedicava, seja aqui ou no estádio e concluí que mais proveitoso seria dedicar este tempo à família, ao trabalho, aos estudos e à música, meus outros grandes amores.
Na verdade, pretendo desligar-me do futebol em si, ao menos o brasileiro, que é lento, mal jogado e chato. Cercado de violência, corrupção, entrevistas enfadonhas, e coberto por uma imprensa no mínimo parcial.
Cansei de malhar em ferro frio, dar murro em ponta de faca, chover no molhado e dos demais ditados populares que ao caso se aplicam.
Por não ser mais sócio também não me sinto à vontade para continuar escrevendo ainda que muito esporadicamente neste espaço, do qual também me afastarei por período indeterminado. Pra usar mais um clichê: muito ajuda quem não atrapalha.
Sigo torcedor, mas cansei de ser otário. Já basta a política, a economia, e os demais dissabores diários com os quais sou obrigado a conviver.
Cansei de ser sócio mas jamais deixarei de ser torcedor. Não conseguiria nem mesmo se quisesse. Ser coxa-branca é como uma doença incurável, mas, os sintomas já estavam me deixando por demais debilitado.
Repito: não recomendo que façam o mesmo e abandonem o barco, em que pese o mesmo esteja já à pique. Mas eu, infelizmente não aguento mais.
Agradeço imensamente aos administradores que desde 2011 este espaço me abriram e que é muito importante à saúde e ao não perecimento total de nosso amado clube. Agradeço aos leitores, os que gostavam, que não gostavam, que me zoavam e de mim discordavam, enfim, todos. Agradeço e me despeço, ainda que temporariamente, ainda que triste e incerto do que ora faço. Por isso mesmo não digo adeus, mas sim, até breve.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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