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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Injustiça Desportiva

Uma das coisas que estão acabando com a graça do futebol é a Justiça Desportiva. Terno e Gravata não combina com esporte. Gabinete fechado, cheio de gente empolada, procuradores justiceiros, advogados chorando (fingindo mais que os atletas cai-cai e cavando decisões como pênaltis) extorquindo dirigentes por um famigerado efeito suspensivo, não combinam com o esporte.
Precisa mesmo de um tribunal, advogados, procuradores, juízes e de todo este espetáculo para saber quantos dias deve ser suspenso o cara que tomou cartão vermelho? Só no Brasil mesmo, em que se fazem regras dúbias, passiveis de interpretação, para justificar a atuação de burocratas que sobrevivem de uma situação inventada e desnecessária.

Três cartões amarelos: suspenso um jogo. Dois cartões amarelos na mesma partida, que equivale a um vermelho: suspenso um jogo. Cartão vermelho direto, por agressão, cusparada, ofensa etc., suspenso três jogos e ponto final. Precisa de um Tribunal para fiscalizar e cumprir isso?
Mas o raciocínio não pode ser simples, tem de ser complexo; entenda como eles pensam: “nós fazemos regulamentos esdrúxulos, com base no CBJD que é cheio de lacunas e leis interpretativas, o que nos permite trabalhar nessa folga, e, se der “xabú” o tribunal que resolva.” E assim todo mundo sai “ganhando”.

Sobre essa denúncia do STJD contra o Coxa e outros clubes de menor expressão, como muito bem disse a matéria do Coxanautas, é pura falta do que fazer. Eu até concordo que essa cláusula contratual não deveria existir, porque se o Clube não quer mais aquele atleta por que tem medo de atuar contra ele? Mas e o que tem sido feito com a arbitragem? E porque os treinadores podem trocar a todo momento de clube? Tinha que ser igual jogador, treinou o time por mais de seis rodadas, não pode mais treinar outro da mesma divisão. O mesmo para o clube que só poderia ter um treinador por temporada. E sobre os jogadores que não jogam contra seus ex-clubes por cláusula contratual, o buraco é muito mais embaixo, quero dizer, deveriam proibir que jogadores pagos pelo Clube x, atuasse no clube Y, isso sim é uma excrecência jurídica, que faz muitas vezes o cara virar credor do Clube que o contrata, sem ter trabalhado para aquele Clube.

Mas o que esperar de um Tribunal patrocinado pela CBF? O STJD, assim como os TJD’S das federações estaduais não têm moral nenhuma. São armários mofados cheios de cabides nos quais se penduram os burocratas e aproveitadores da desorganização que é o futebol Brasileiro.
Eu sou advogado e me orgulho muito do que faço porque, como a imensa maioria, só atuo quando é necessário. Não sobrevivo de causas inventadas que não deveriam existir. Com toda certeza afirmo: para organizar o futebol, se essa fosse realmente a meta, bastariam os clubes.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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