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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Jogo Duro

De jogar e de assistir. O empate não foi nada bom contra um adversário frágil e dentro de casa. Mas deve sim ser celebrado pela maneira como foi conquistado.

Todos estavam nervosos. A torcida, apreensiva, parecia prever a urucubaca. Não deu outra. Uéliton, estirou o posterior da Coxa e, aos oito minutos, deu lugar a Bottinelli. O que já estava ruim piorou quando o Bahia, após falha de toda a zaga, eis que o cruzamento saiu da direita, passou pelo meio da área e chegou redonda para o atacante tricolor, que nas costas de Vinícius, mandou pra rede.

Marquinhos, visivelmente ansioso e achacado pela torcida, mandou logo todos para o aquecimento. Diogo, que até vinha bem, foi o primeiro a ser sacado após bisonha jogada pela esquerda. Queimado, deu lugar a Iberbia, que corroborou os gritos de "burro" contra Marquinhos eis que mais uma vez teve uma péssima jornada. Parece que o argentino carece dos fundamentos básicos do futebol.

Ninguém jogava bem. Vanderlei irritava a torcida que, ansiosa pela vitória e querendo agilidade, via o goleiro demorar três dia úteis para repor a bola. O papo de vestiário no intervalo parecia a única esperança de salvar a bela tarde de sol de domingo. Era preciso mexer com o brio dos jogadores que mais uma vez mostravam-se indolentes e apáticos em campo.

Que nada.

Logo de cara, gol do Bahia. Dois a zero. Tudo parecia perdido. Até a paciência da torcida que além de ovacionar o treinador, passou a aplaudir o Bahia. Que feio. Foi o momento mais triste do domingo. Eis que age no Alto de Tantas Glórias, ele: Imponderável de Almeida. Gol contra. Dois a um.

A torcida se encheu de esperança e começou de novo torcer. Meio que receosa, como se com medo de gritar em vão, mas torceu. Os jogadores, enfim encheram-se de gana, garra, e, ainda que de forma atabalhoada, lançaram-se ao ataque. Com a zaga desguarnecida, cada contra-ataque do Bahia parecia mortal. Mas e daí? Perdido por um, perdido por dez!

No fim, a redenção. Golaço de Alex e a igualdade no marcador. Um alento à torcida e um respiro à comissão técnica.

Que jogo amigos! Sofrível! Sofrido! Do inferno do vexame caseiro ao quase céu do empate no apagar das luzes. Se a vitória não veio, emoção não faltou aos parcos presentes ontem no Couto. Mixórdia de futebol e público.
Quarta tem mais. Não tem descanso. Como é apaixonante o futebol!

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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