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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Na UTI.

Espasmos. Como um doente terminal, o Coritiba se debate, luta, mas encontra limitações em seu próprio organismo. O lado esquerdo está paralisado. O direito, treme. O cérebro não funciona, se é que já teve um. Os pulmões, cansados, até tentaram sobreviver rodadas atrás, mas falharam novamente. Só o coração bate, fora do ritmo. Pulsando loucamente para manter o sangue ralo circulando nas veias entupidas.

A família se apega a qualquer esboço de respiro, a qualquer batimento cardíaco mais forte, qualquer abertura de olhos. Mas o diagnóstico frio é desanimador. Desolador. Catorze míseros pontos. Em breve, teremos menos rodadas a disputar que pontos marcados. A situação do paciente Coxa é crítica. O desfibrilador estragou, de tanto uso.

Três especialistas já passaram no comando do tratamento. O primeiro não conseguiu ajustar o treinamento e trocou de paciente. Hoje, tratando outro paciente, deixa a impressão de que o problema do Coxa não era o médico. O segundo, comandante estilo linha dura, não durou. Seus métodos não agradaram ninguém, nem paciente, nem a família, nem a gerência do hospital. Gerência que há décadas bate cabeça.

Entre um treinador e outro o hospital é vendido, e uma nova equipe se forma. Com a expectativa lá em cima, a torcida se frustra mais uma vez, pois, os reforços parecem não ser suficientes para salvar a empresa da falência, e o paciente da morte.

O terceiro comandante chegou com muita esperança e confiança. Animando a família, reanimando o paciente, mas, a doença do Coritiba é crônica, requer tratamento longo. A euforia logo passou, e, hoje, a dura realidade que se apresenta é a de que talvez não haja esperança.

O Coxa é seco, anêmico. Não há gordura para queimar. Não há força para se levantar. O metabolismo não consegue fazer frente à pujança dos adversários. Por mais que haja reza e luta do lado de fora, o paciente não responde. O Coxa está em coma. Prestes a ser removido à ala B.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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