Logo COXAnautas

Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Não está sendo fácil,

como diria a cantora Kátia. Esta coluna com certeza vai ser entendida por alguns como uma passada de pano e eu sinceramente não me importo. Porque o torcedor brasileiro não gosta de ouvir algumas verdades, por mais óbvias que elas sejam. Eu sou torcedor também e por mais que eu não goste de ver o meu time sempre brigando pra não cair, ou pior, brigando pra subir, entendo e consigo perceber ( com muita dificuldade, é verdade) qual é a nossa realidade atual.

Mas esse tipo de torcida irracional não é exclusividade do Coritiba. Recentemente o palmeiras, que está pelo 3º ano consecutivo na semifinal da Libertadores, campeão brasileiro e bicampeão da América há pouco, estava com seus torcedores na porta do ct brigando por resultados melhores. E mais! Alguns foram além e insultaram a brilhante e resiliente presidente Leila Pereira, que faz um trabalho sensacional, por conta da compra de um avião para o seu time. Parece brincadeira, mas alguns torcedores protestaram contra a compra de um avião para o seu time. Um outro exemplo é o flamengo. Atual campeão da América, na final da Copa do Brasil, teve seus jogadores recebidos com xingamentos no aeroporto esses dias, hostilizados de uma maneira inadmissível. Mesmo se o flamengo estivesse sendo rebaixado, nada justifica esse tipo de atitude e de cobrança exagerada. Mas mesmo com resultados excelentes, os torcedores se comportam como se seu clube ainda lhes devesse algo.

O coxa está mal, concordo. A janela não foi a que a gente esperava. Concordo também. Mas recentemente compramos um jogador interessante, se não craque, um atacante reconhecido mundialmente. Eu esperava uma reação negativa e irônica por conta dessa contratação da imprensa. Esperava "tiração" de sarro dos adversários, mas não da nossa própria torcida. Muitos torcedores foram recepcionar o nosso novo contratado no aeroporto, numa demonstração linda de amor, de carinho e de esperança. Amor e esperança pelo clube, pelo futebol, que vai, ou deveria ir, muito além do resultado. Até quando nós vamos nos deixar levar por resultados apenas? Quando nós vamos aprender a torcer pelo time e não por suas vitórias?
Quero deixar claro que eu não me coloco acima desse problema. É uma luta diária que travo comigo mesmo, tentando equilibrar a raiva pela situação, e a crença na melhora. Não à toa o nome do meu espaço aqui é razão x emoção.

Sim, nós merecemos mais. Sim, nós estamos cansados de viver como marginais do futebol, catando migalhas nos campeonatos que participamos. Mas isso não nos dá o direito de chacotear aqueles que ainda tem felicidade em torcer e acreditar no Coritiba. Se você está chateado, se você está bravo, fique bravo. É direito seu. Mas não tire sarro de quem está feliz e não desmereça sua própria instituição e o sentimento genuíno daqueles que simplesmente querem fazer algo de bom, algo de legal, como foi recepção do Sllimani no aeroporto.

É óbvio que nós temos que protestar, é claro que nós temos que querer mais. Mas nós temos que repensar o modo como torcemos. É impossível conquistar qualquer coisa com esse tipo de comportamento. Não podemos tolerar inimigos em nossas próprias trincheiras. Sim, a SAF veio para mudar o Coxa, mas primeiro, ela veio para salva-lo. Não podemos esquecer disso. O projeto é de longo prazo e no fim das contas, o Coxa somos nós, nosso apoio e nossa atitude. Se o momento é de cobrança, é também, e sobretudo, de acreditar e de apostar que tudo vai da certo. Nós não podemos deixar de torcer pelo melhor, por medo da decepção.

Repito, o Coritiba somos nós. Nós somos o maior ativo desse velho centenário. Nossa energia, e pensamento positivo. Nossa raiva, sim, mas principalmente nosso amor. Se perdermos a magia e a paixão que fazem desse esporte, e de ser torcedor do Coxa, algo que transcende corações e gerações, estaremos derrotados. Perdidos.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
Ver comentários (19)
Link copiado para a área de transferência