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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Obrigado Couto Pereira!

Não me lembro o dia em que pus os pés pela primeira vez no Couto Pereira, mas lembro-me da sensação.

Um misto de medo, emoção, alegria contagiante e vontade de gritar e cantar junto com aquelas milhares de criaturas, todas vestidas iguais.

Nenhuma criança resiste.

Meu pai, seu Otacílio, conforme diz o texto ao lado, migrante vindo da Bahia, tirou minha primeira foto com o “tip-top” alviverde, logo ao sair da maternidade, jogou-me para o alto no título nacional de 85, quando ainda nem um ano eu tinha, mas foi quando entrei no Alto de tantas glórias pela primeira vez, que entendi o significado daquelas cores.

Mais do que amar o Coxa, foi no Couto que aprendi a gostar de bola, que aprendi a amar o maior e mais apaixonante de todos os esportes.

Foi o Couto, antigo Belfort Duarte, que me levou a não gostar do preto e do vermelho.

Foi no Couto que aprendi um pouco sobre a vida: como ela é feita de vitórias e derrotas. E como um empate, um acordo de opiniões, também pode ser um bom resultado.

É no Couto que revejo meus grandes amigos, Leandro, Heitor, Boca, Gui, nas pessoas de quem saúdo a todos os outros companheiros de coração alviverde. É o Couto que reúne a amizade que o trabalho e a semana atribulada separam.

Foi no Couto que aprendi sobre a violência, intolerância e de como a burrice, a falta de educação, são as molas propulsoras das atrocidades praticadas no futebol e na sociedade.

É no Couto Pereira que descarrego toda a mágoa e a preocupação, em cada grito de Gol, de raiva, e onde recarrego as energias para continuar ou iniciar a semana.

É o Couto, porque não, que me faz querer voltar pra casa, para o seio da minha família, cansado de festejar a vitória, ou ainda nervoso pela derrota.

É o Couto Pereira também que me faz querer um novo estádio, não por desdenhá-lo, pelo contrário, por entender que nossa segunda casa já sofre demais pela ação do tempo, e assim como um trabalhador da vida toda, merece descanso.

Por tudo isso, por ser este vulcão de emoções, não há nada mais que eu possa dizer para este gigante de concreto armado, que é fruto da união e trabalho de milhões de alviverdes abnegados:

Feliz aniversário velho companheiro! Obrigado Couto Pereira!

SAV

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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