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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Pegar o Inter

Pegar o Inter significa às vezes ir do terminal do Portão ao Campina do Siqueira. Para muita gente, pegar o Inter significa sair do ponto A e ir ao ponto B, que pode ser a casa da pessoa amada, o trabalho que paga mal, ou o templo. Pegar o Inter implica em encontrar os “amigos de ônibus” - só quem pegou muito ônibus sabe como é - você dá bom dia, fala do clima e coloca o fone em seguida pra poder dormir um pouco mais ou escutar o som preferido. Pegar o Inter significa a certeza de um passeio em pé, apertado, suado, cansado, com os vidros fechados evitando frio e garoa, mas sempre com a esperança de conseguir um lugar para sentar.

Pegar o Inter no domingo para muitos, entretanto, é incomum, pois que é dia de descanso, de ir ao parque, ou qualquer outro destino que o tradicional Inter não leva. Para nós coxas-brancas pegar o Inter significa enfrentar mais uma duríssima batalha na luta contra o rebaixamento. Salvo a do nosso treinador, não temos mais gordura para queimar; o IMC do Coxa é baixíssimo. Somos pele e osso. Pele, osso e coração, órgão único capaz de oxalá, nos fazer escapar de mais um vergonhoso descenso.
Eu já peguei o Inter várias vezes. Peguei o Inter em uma semifinal de copa do Brasil e perdi, junto com a chance de ir à final com aquele time do René Simões. Peguei o Inter uma vez, eu, coxa-branca, voltando de uma final da Copa Sul, - ou Sul Minas, sei lá - entre o extinto Paraná e o Grêmio, lá no Pinheirão. Não me lembro quem ganhou, mas me lembro de estar dentro do Inter e ser alvejado por pedras, paus e quase sofrer um traumatismo craniano. Lembro-me do desespero das pessoas dentro daquele Inter.

Este Inter de domingo chega a Curitiba dirigido por um motorista que andava renegado, contestado, quase aposentado, mas que vem fazendo um bom trabalho com um material bem limitado. O Colorado está em segundo lugar no Brasileirão com 60 pontos, oito atrás do Palmeiras. O Coxa ocupa o 15º, com 34. O Inter disputa um título improvável contra o Palmeiras, e a obtenção da vaga direta à fase de grupo da Libertadores, o que já seria um feito incrível e que deve ocorrer, já que está 9 pontos à frente do 6º lugar, futuro vice-campeão da copa Libertadores. Basta ver a provável escalação do time gaúcho e perceber que não há nenhum nome de peso: Keiller; Bustos, Rodrigo Moledo, Vitão e Renê; Johnny, Edenilson, Carlos de Pena, Alan Patrick e Pedro Henrique (Wanderson); Alemão. Um amigo sábio disse: "O Coxa está tão “zicado” que o Inter contrata o Alemão do Novo Hamburgo e o cara desanda a fazer gol, e nós contratamos o destaque do Ypiranga de Erechim, Porfírio, e o cara não é um lateral esquerdo, mas sim um zero à esquerda. Isso sem falar na lesão de Andrei, do goleiro Gabriel, etc.

De todo o modo nós devemos entrar nesse bonde com o que temos de melhor, e como sempre, sem muito banco, tendo de resolver no limite do esforço técnico e físico dos titulares. A fragilidade do final da temporada da série B passada, baseada no desgaste físico, aparece nesta reta final nesta Série A também. Normal que seja assim, afinal, estamos sempre disputando o jogo das nossas vidas. No limite do fôlego, da capacidader de racionício e, muitas vezes, ainda perdendo por conta da superioridade técnica e tática de nossos adversários.
Domingo estaremos no alto da Glória. Esperançosos por um passeio tranquilo, mas sabedores de que o trajeto, pra ficar no Sul, é tão sinuoso quanto a serra do rio do rastro. Pegaremos o Inter, isso é certo. Incerto é para onde o Inter irá nos levar.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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