Wilson me ligou.
Atendo, e logo percebo que é uma gravação. Quase desligo achando que era algum credor ou algum banco ou telefônica querendo me oferecer um irresistível e necessário serviço que eu não quero e não preciso. Mas não era um credor, nem uma oferta; era o goleiro Wilson.
Com uma voz envergonhada, quase embargada e um discurso lido, repleto de rogos, e os mais clichês chavões. Em resumo, Wilson me dizia o quão importante eu sou para o Coxa, e que este precisa de mim para voltar ao lugar "de onde nunca deveria ter saído." Presumi que era a série A, claro, mas não tenho certeza.
No final da mensagem, a verdadeira intenção de Wilson se revelou quando disse: “pague a anuidade antecipadamente e ajude o Coritiba”. Nesse momento, o Coritiba virou apenas mais uma conta entre tantas que tenho a pagar.
Mas o IPVA eu pago, e o carro me ajuda; me leva, me traz, enfim, faz o que se espera dele. A mensalidade escolar do filho pago com gosto, afinal, damos o que temos e o que não temos pra eles, não? Luz, água, tv a cabo, pago e o serviço raramente me causa estresse. E eu nem preciso ir a um estádio pagar trinta reais de estacionamento, não poder beber e ficar gritando: “le, le leo, le leo le leo le leo, Copel!”
Já o Coxa, é mais um boleto. Algo que pago e definitivamente não me entrega o que promete, há muito tempo! Será que pago? Reflito por um momento. A anuidade, não! Nem a pau! E a mensalidade? Vou pagar. Só pra não me sentir ainda mais culpado da desgraça em que todos nós nos metemos ao longo dos anos, mas principalmente de preguiça de cancelar o débito em conta.
Sobre o campeonato paranaense? Não gosto, e pra mim já deveria ter sido extinto há anos. Ganhar campeonatos estaduais é uma das razões que ao longo dos anos nos fez contentar com a miséria e chegar onde estamos.
Sobre os reforços? Que reforços?
Sobre o autor
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.
E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.
E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.
Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”
E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.
E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.
Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”
Sobre o blog
O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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