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Reflexões em Verde e Branco
Reflexões em Verde e BrancoLuiz Berehulka

A estréia

O Coritiba foi pra Salvador, poupando seus jogadores de defesa da extenuante sequência de jogos e ainda sem o seu setor de meio/ataque recomposto do departamento médico. Mesmo assim, se não fosse a falha de Vanderlei já no apagar das luzes, o Coxa teria trazido um bom resultado.



Já era esperado que, com a utilização de todo o setor defensivo reserva, o time se ressentiria das subidas de Victor Ferraz e de Diogo, porém, na prática, Ibérbia (apesar de instável), fez talvez sua melhor apresentação com a camisa alviverde e Gil, bom... Gil é o Gil... Um monstro no desarme, que compensa suas poucas deficiências com muita disposição e cumpriu extremamente bem seu papel.

Escudero foi soberano, e, ao contrário do que a nossa imprensa costuma falar, é um Zagueiro consistente e clássico. Joga de pé, tem passadas longas, e não “afina” quando a dividida é necessária. Ao lado do excelente Lucas Claro, a zaga esteve muito bem e segura, não dando qualquer chance ao Vitória, que se obrigava aos chutes de longa distância.

Urso é sempre o Urso. Perfeito na marcação, sobra-lhe velocidade para correr atrás de qualquer atacante que tente transpor seu setor... Mas continua errando passes infantis. A hora que o “Ursulão” (como diz o Adrianofx) aprimorar esse fundamento, será o melhor primeiro volante do Brasil.

Marcos Paulo foi tímido. Como segundo volante não comprometeu, mas a saída de bola que se espera dessa posição foi deficiente. Sua substituição por Vitor Jr, acabou por recuar Bottinelli para a função, fazendo o time mais rápido e agudo, pressionando o Vitória no segundo tempo.

Apesar da boa partida de Arthur (a sequência de jogos têm sido muito boa para esse jogador), que se movimentou, marcou otimamente a saída de bola do Vitória e articulou bem o ataque pelas pontas, o setor ofensivo foi mais uma vez o ponto fraco do time.

Bill tem se mostrado ainda muito fora de jogo, e, pra piorar, “matou” muitas jogadas de ataque preferindo tentar cavar faltas a dar prosseguimento nos lances.



Como Vitor Jr entrou com personalidade e Arthur tem demonstrado crescimento, talvez para as próximas partidas (enquanto aguardamos a recuperação de Devid e Bill retoma sua forma) a saída seja jogar sem um avante de referência, com Arthur e Vitor Jr mais centralizados. Dois atacantes rápidos, somados a dois bons apoiadores (Victor Ferraz e Diogo), pode ser a válvula que precisávamos para, tanto resolver a inoperância da frente, quanto para conseguir furar a retranca que obviamente virá no jogo da volta.

Como se observa (e diferentemente do que as emissoras de rádio passam, para variar...), o time, apesar da grande mescla de jogadores suplentes, fez uma boa partida, com disposição e obediência tática, sendo perfeito no setor defensivo, satisfatório no setor de criação e deficiente no ataque (o que não é novidade e precisa ser o foco do técnico Marquinhos Santos nos trabalhos da semana). Jogou fora de casa sem se intimidar, mas amargou uma derrota numa falha individual.



Coisas do futebol. Acontece. Vanderlei tem muito crédito! O problema é que, quando o atacante erra, o gol simplesmente não sai... Quando o meia erra, a jogada simplesmente não acontece... Quando o volante erra, o zagueiro é obrigado a fazer uma falta, parar o lance... Mas quando o goleiro erra, ahhhh, pobre goleiro, é gol.

Mas Vanderlei sabe dos ossos de seu ofício e da ingratidão da sua posição. O jogo da volta vai tornar essa falha pontual tão insignificante quanto foi o gol tomado na final do Campeonato Paranaense.

O resultado não foi de todo ruim. Apesar das falhas já apontadas, o crescimento do Arthur e a excelente estréia de Vitor Jr, dão a esperança de que temos as ferramentas necessárias para corrigir as deficiências e manter o rumo nos nossos objetivos.



Bom, bola pra frente que no fim de semana já tem jogo importantíssimo fora de casa contra o Criciúma. O Coxa tem a NECESSIDADE de conseguir os três pontos e voltar para o G4 do Brasileirão, dando moral para o time que, já no meio de semana, tem que despachar o Vitória no Couto e seguir firme na busca da Taça Sulamericana!

Um abraço!!
Luiz Berehulka





Sobre o autor

Luiz Berehulka
Luiz Berehulka, advogado, designer, músico e coxa branca desde criancinha! Frequenta o Couto desde sempre e não se contenta em simplesmente torcer, está constantemente contribuindo com o clube e usando seu tempo livre para promover as cores do Coritiba. Foi autor da conhecida versão lenta do Hino Eterno Campeão de Francis Night, já tocou seus arranjos das músicas do Coxa em diversos eventos do clube e é pai do André, o menininho que ficou famoso no Youtube cantando o hino inteiro do Coxa quando tinha só dois aninhos. Sempre que pode está nas redes sociais, debatendo as coisas do seu time de coração e divertindo os amigos (e irritando os adversários) com suas montagens sarcásticas.

Sobre o blog

Sabe aquele bate papo entre torcedores, amigos ou colegas de trabalho? Aquela situação levantada no churrasco, ou aquela dúvida que de repente alguém ouviu do amigo do primo do vizinho do fulano? Então, essa é a ideia do blog! Sem obrigação de seguir uma filosofia, ou mesmo uma tendência, a intenção é trazer sempre temas atuais relativos ao Coritiba, com o objetivo de simplesmente pensar o Coritiba... refletir sobre o Coritiba dentro de uma ótica de torcedor.
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