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Reflexões em Verde e Branco
Reflexões em Verde e BrancoLuiz Berehulka

Construindo nossos sonhos

Em meio à euforia do surgimento de novas Arenas aflorando pelo Brasil todo, quando a Copa do Mundo de 2014 ainda empolgava, foi notório que o anúncio do “fechamento da reta da Mauá” frustrou a muitos.

Porém, o tempo (o velho senhor da razão) foi mostrando que “nem tudo o que reluz é ouro” e muitas vezes, aquilo que imaginamos como meta, na verdade são meros devaneios ou ilusões.



É fato que hoje, a tal “Copa no Brasil” já não empolga mais ninguém, muito pelo contrário, é um fardo que escancara nossas mazelas e denigre ainda mais nossa imagem enquanto nação.

Do mesmo lado, as “Grandes Arenas” hoje são muito mais um problema para a gestão das instituições, do que as “galinhas dos ovos de ouro” imaginadas. São desproporcionais empreendimentos que, ou gerarão um imbróglio público/jurídico, ou significarão um ônus administrativo impagável a seus clubes detentores.

Mais ainda, vemos times perdendo suas identidades. Jogando em belas estruturas “padrão Fifa”, onde a modernidade e sofisticação simplesmente atropelaram a história, a imagem e a mística.

Quem é que não lembra do Grêmio no Olímpico? Era quase que uma simbiose, onde o próprio campo de jogo fazia parte do time. As redes quadradas, ao fundo daquela estrutura ovalada, com a pista asfáltica no entorno... Era “alguém”, uma entidade que participava tanto daquele momento quanto qualquer outro jogador ou torcedor ali presente.

Já se imaginaram sem o Couto Pereira?

Já pararam para pensar como seria, passada a empolgação inicial, uma mudança de estádio?

Algumas coisas transcendem o material... Por mais material que efetivamente sejam.

O Couto (como um dia foi o Olímpico Gremista) não é apenas uma pilha de concreto, é a representação viva de uma história de lutas, suor e glórias.

É na aura do Couto Pereira que está gravada a contusão de Kruger, as caretas de Lela, a soberania de Fedatto, o gigantismo de Manga. A simpatia da Albinha Mazza em sua cadeira de rodas, o inigualável Green Hell... O “Vamos, vamos meu Verdão, vamos, não pare de lutar...” ecoando como se fosse a própria voz do Majestoso Gigante de Cimento Armado... Lombardi Junior...



Vejo fotos antigas de minha mãe, bem nova, com sua falecida tia, em frente a um grande esqueleto de andaimes, sustentando aquilo que seria a inovadora cobertura em vão livre das sociais. De repente me pego pensando: “Como deve ter sido gratificante participar daquele momento... Ver tudo isso que temos hoje sendo construído, erguido aos poucos...”.

E aí me dou conta que, de fato, estamos vivendo um momento único. Daí percebo o quão privilegiado somos por estarmos acompanhando a histórica finalização do nosso Gigante.

Uma obra que demorou mais de 80 anos, mas que representa a própria história do Coritiba, uma história de luta, de superação, de garra e de perseverança, onde nem o tempo foi capaz de nos fazer desistir.



Um dia, quem sabe, meus netos olhem minhas fotos em frente aos andaimes da Mauá e pensem: “Nossa... Que legal deve ter sido ver isso de perto!”.

Um abraço!!
Luiz Berehulka

Sobre o autor

Luiz Berehulka
Luiz Berehulka, advogado, designer, músico e coxa branca desde criancinha! Frequenta o Couto desde sempre e não se contenta em simplesmente torcer, está constantemente contribuindo com o clube e usando seu tempo livre para promover as cores do Coritiba. Foi autor da conhecida versão lenta do Hino Eterno Campeão de Francis Night, já tocou seus arranjos das músicas do Coxa em diversos eventos do clube e é pai do André, o menininho que ficou famoso no Youtube cantando o hino inteiro do Coxa quando tinha só dois aninhos. Sempre que pode está nas redes sociais, debatendo as coisas do seu time de coração e divertindo os amigos (e irritando os adversários) com suas montagens sarcásticas.

Sobre o blog

Sabe aquele bate papo entre torcedores, amigos ou colegas de trabalho? Aquela situação levantada no churrasco, ou aquela dúvida que de repente alguém ouviu do amigo do primo do vizinho do fulano? Então, essa é a ideia do blog! Sem obrigação de seguir uma filosofia, ou mesmo uma tendência, a intenção é trazer sempre temas atuais relativos ao Coritiba, com o objetivo de simplesmente pensar o Coritiba... refletir sobre o Coritiba dentro de uma ótica de torcedor.
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