Pô, Dado!
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A verdade é que, por conta dessa “filosofia de continuidade”, passou-se a tratar a questão da culpabilidade (ou não) de um técnico como algo secundário, sempre analisando “n” questões antes de se chegar à análise de fato do trabalho do treinador.
Fiz esse preâmbulo, não para pedir a cabeça do Dado Cavalcanti (não mesmo, longe de mim, sei que é um início de trabalho e muito ainda tem que ser relevado), mas para mostrar que não tenho pré conceitos em analisar o desempenho de ninguém, seja ele jogador, técnico ou dirigente. Todos são profissionais e desempenham função pública dentro do esporte, passível de análise.
Sobre Dado, o que quero dizer é o seguinte: É fato que a diretoria errou ano passado em contratar num patamar que acabou sendo superior às receitas do clube, gerando a inadimplência que culminou não só com a saída de Deivid, mas com a necessidade de negociação de Urso e William. É fato que estas ausências súbitas tumultuaram o time treinado na pré temporada, assim como é fato que há uma turbulência externa que atinge os jogadores e pode refletir no campo.
No entanto, nada disso pode simplesmente ser colocado num patamar superior de importância, que nos impeça de analisar outras questões, como a continuidade no problema de lesões (conforme tratei na coluna anterior), ou mesmo alguns equívocos do técnico nesse início de trabalho.
Nas breves análises anteriores que fiz, passei rapidamente sobre o time, sempre alertando que o técnico precisava acertar a questão dos laterais e pensar na melhor forma deste time jogar.
O problema é que, já se passaram 5 jogos e nada parece ter sido repensado. As vitórias mantinham uma impressão de evolução, porém, também encobriam essa inércia tática, exatamente num momento onde necessitamos de testes e acertos já vislumbrando o restante do ano, com Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.
O problema não é o mau resultado de ontem (o empate de 2 a 2 com o Prudentópolis), mas sim o fato desse mau resultado ter vindo por conta de uma “mesmice” tática, como se os bons resultados anteriores tivessem sido o suficiente, não importando a evolução da equipe.
Por partes...
Todos sabemos, inclusive a comissão técnica, que o Coritiba negociou seus dois primeiros volantes. Ponto. Se é culpa de Fulano, de Ciclano, se deveria ter vendido ou não... Nada disso importa agora! Estamos sem nossos primeiros volantes e isso é um fator a ser trabalhado.
O que não pode acontecer é manter Gil e Germano (dois segundos volantes) atuando juntos e deixando a zaga completamente desprotegida, como tem acontecido em todas as partidas.
Se não tem ninguém nos juniores capaz de assumir a função, Chico poderia ser muito bem utilizado por ali. Primeiro volante de origem, Chico já atuou muito no setor e com certeza fortaleceria a marcação na frente da área.
Na lateral outro problema. A manutenção de Moacyr pela direita, mesmo jogando um futebol burocrático, soa como insistência do treinador, ou por conhecer e confiar em seu futebol, ou pra justificar sua indicação.
A verdade é que, em todo jogo, a saída de Moacyr para a entrada de Victor Ferraz é garantida. Sem contar que, com esta substituição, o time evolui nas jogadas pelos flancos e, via de regra, alcança a marcação de gols.
É certo que todos os times do interior que jogarão com o Coritiba, o farão de forma fechada e com o miolo de zaga povoado. Insistir em jogadas de meio não é apenas improdutivo, como também faz com que os volantes, no afã de auxiliar numericamente o ataque, subam e forneçam campo para o contra ataque adversário (ainda mais quando os dois são segundos volantes com características de avançar).
A questão é: Esse time precisa evoluir, e pra isso, Dado Cavalcanti tem que abrir mão de alguns paradigmas seus, analisando o desempenho do time e vendo o que é melhor para este elenco.
Não se trata de o técnico impor a sua filosofia, mas sim de saber fazer a leitura do seu elenco e elaborar a melhor forma para este time, especificamente, jogar.
Com o grupo de hoje, Dado não tem o material humano necessário para implantar o seu método. Faltam um primeiro volante de qualidade e um atacante de velocidade. Porém, há outras formas do time jogar, sem depender tanto de algumas peças que hoje não constam no plantel, e é função do treinador buscar essas formas.
Não podemos simplesmente esperar o retorno de lesão de Leandro Almeida, de Roni, de Geraldo... A contratação de um bom primeiro volante... Mesmo porque, o ano é longo e é comum a ausência de certas peças.
É preciso fazer esse time jogar de diferentes formas, de acordo com as condições do momento e do adversário.
É o que eu espero de qualquer técnico... É o que eu espero do Dado Cavalcanti.
Trucar só com manilha é fácil!
Um abraço!!
Luiz Berehulka
Sobre o autor
Luiz Berehulka, advogado, designer, músico e coxa branca desde criancinha! Frequenta o Couto desde sempre e não se contenta em simplesmente torcer, está constantemente contribuindo com o clube e usando seu tempo livre para promover as cores do Coritiba. Foi autor da conhecida versão lenta do Hino Eterno Campeão de Francis Night, já tocou seus arranjos das músicas do Coxa em diversos eventos do clube e é pai do André, o menininho que ficou famoso no Youtube cantando o hino inteiro do Coxa quando tinha só dois aninhos. Sempre que pode está nas redes sociais, debatendo as coisas do seu time de coração e divertindo os amigos (e irritando os adversários) com suas montagens sarcásticas.
Sobre o blog
Sabe aquele bate papo entre torcedores, amigos ou colegas de trabalho? Aquela situação levantada no churrasco, ou aquela dúvida que de repente alguém ouviu do amigo do primo do vizinho do fulano? Então, essa é a ideia do blog! Sem obrigação de seguir uma filosofia, ou mesmo uma tendência, a intenção é trazer sempre temas atuais relativos ao Coritiba, com o objetivo de simplesmente pensar o Coritiba... refletir sobre o Coritiba dentro de uma ótica de torcedor.
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