Começa pela federação
Isto porque, além das 4 linhas, podia-se perceber algo que, ao mesmo tempo que era lindo, soava assustadoramente antagônico: O estádio lotado para um início de regional, com a torcida local mobilizada e empolgada para ver seu time bater o atual Tetra Campeão Estadual, mas com as vestimentas predominantemente dos times de São Paulo.
Era estranho analisar o contraste entre a torcida eufórica pela performance do time da casa (e o prestígio pelo nosso campeonato), com o mix de cores de clubes paulistas pintando as arquibancadas.
A analogia mais aproximada que consigo tecer, é a de torcedores órfãos!
Sim, isso mesmo: Órfãos!
Porque diferentemente do que erroneamente propagam, ninguém em sã consciência tem a intenção de que o pessoal do interior torça para os times da capital. Não mesmo! Entre eles e nós, há uma grande rivalidade... E isso é muito bom!
Qualquer futebol forte começa pela rivalidade. Afinal, se não há um rival para batermos (no sentido de ultrapassar, não de violência, diga-se), nos balizarmos ou mesmo nos regozijarmos com nossas vitórias, o próprio ânimo de jogar se perde.
O problema é que, aqui no Paraná, o estopim para crescermos como Estado dentro do futebol, pára por aí. Temos rivalidade (e muita), e só!
É essa rivalidade que fez o povo maringaense lotar o Willie Davids na estréia contra o Coxa... É essa rivalidade que fez o Londrina lutar como nunca no ano passado e fazer a grande campanha que fez. É essa rivalidade que levou o ACP a ser o último Campeão Paranaense vindo do interior em 2007.
E por que me referi a órfãos lá atrás?
Simples: Porque o povo do interior do nosso estado, adora futebol! Ponta Grossa lota o Germano Krueger ao menor sinal da possibilidade de um bom time do Operário. Londrina sempre se mobiliza. Maringá há anos sem time, veio junto com esse “novo” Maringá, relembrando os “velhos tempos”. O Rio Branco, de Paranaguá, tem uma torcida fiel e apaixonada.
O problema é que esse amor dos torcedores do interior não é correspondido! Inversamente proporcional ao interesse pelo futebol (e pelas cores da sua cidade, do time da sua região) dos torcedores do interior, está o investimento nos times locais e o apoio da federação ao crescimento desses times.
Muito se critica os empresários, que formam verdadeiros times de aluguel. O problema é que se não fossem esses elencos efêmeros, talvez nem tivéssemos futebol no interior nos tempos de hoje.
Falta à Federação Paranaense de Futebol abraçar a causa do interior. Apoiar esses times. Não apenas lucrar com os campeonatos que promove, mas fazer algo realmente em prol desses clubes.
Elaborar campeonatos durante o ano para os times sem longos calendários, estabelecer critérios de classificação para outras competições com base na classificação do Paranaense, até mesmo organizar torneios internacionais com nossos vizinhos Paraguai e Argentina abarcando times menores e também com pouco calendário. Por que não uma Copa Paraná, nos moldes da Copa do Brasil, trazendo times de todas as divisões do estado (inclusive os da Capital com seus times juniores)? Quem sabe transmitir esses torneios menores pela TV aberta do Estado (E-Paraná)... Quanto mais os times jogarem, mais será a exposição e maior a chance de melhores patrocínios. Mais patrocínio envolve mais dinheiro e mais possibilidade de investimento e crescimento. Tudo isso agregado a um Campeonato Paranaense valorizado e bem promovido, pode vir a ser o grande combustível para a ebulição do nosso futebol.
Com os clubes regionalmente crescendo, não será difícil canalizar o interesse pelo esporte que o povo local já demonstra.
Quem sabe assim, num ciclo virtuoso, cada vez menos vejamos as camisas paulistas estampando as arquibancadas paranaenses... Mas pra isso começar, precisaríamos que a nossa Entidade Máxima do futebol mostrasse interesse nessa revolução branca... E é exatamente aí que bate o desânimo!
Um abraço!!
Luiz Berehulka
Sobre o autor
Luiz Berehulka, advogado, designer, músico e coxa branca desde criancinha! Frequenta o Couto desde sempre e não se contenta em simplesmente torcer, está constantemente contribuindo com o clube e usando seu tempo livre para promover as cores do Coritiba. Foi autor da conhecida versão lenta do Hino Eterno Campeão de Francis Night, já tocou seus arranjos das músicas do Coxa em diversos eventos do clube e é pai do André, o menininho que ficou famoso no Youtube cantando o hino inteiro do Coxa quando tinha só dois aninhos. Sempre que pode está nas redes sociais, debatendo as coisas do seu time de coração e divertindo os amigos (e irritando os adversários) com suas montagens sarcásticas.
Sobre o blog
Sabe aquele bate papo entre torcedores, amigos ou colegas de trabalho? Aquela situação levantada no churrasco, ou aquela dúvida que de repente alguém ouviu do amigo do primo do vizinho do fulano? Então, essa é a ideia do blog! Sem obrigação de seguir uma filosofia, ou mesmo uma tendência, a intenção é trazer sempre temas atuais relativos ao Coritiba, com o objetivo de simplesmente pensar o Coritiba... refletir sobre o Coritiba dentro de uma ótica de torcedor.
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