
AVALIAÇÃO
Uma página triste na história do Coritiba foi escrita na noite da terça-feira, 19 de setembro de 2006, num empate em 0x0 contra o São Raimundo, que jogou com 9 jogadores boa parte do segundo tempo.
No Coritiba jogaram Batatais, Rodrigo Mancha, Andrezinho e Caio. Estes pelo menos correram. Jogaram bem apenas Henrique e Anderson Gomes, que são formados na Base do Alviverde. Ambos lutaram bastante.
Artur só tocou na bola para bater tiros de meta.
William, Paulo Miranda, Jackson, Ricardinho e Cristian tiveram uma péssima atuação. Justamente os principais jogadores do time na fria noite de terça-feira, que contou com a presença de quase 9 mil torcedores no Alto da Glória.
Depois de um primeiro tempo confuso, com um ataque inoperante e um meio campo que jogava para trás, o Cori foi uma presa fácil do bloqueio defensivo do time amazonense.
Bonamigo mexeu no time durante o intervalo, trocando o meia Cristian, que pouco fez em campo (apesar de jogar sozinho, pois Jackson e Paulo Miranda insistem em trocar passes laterais na linha de meio de campo) por Caio. O meia bem que tentou, correu, mas foi pouco para furar a defesa do Tufão.
Com a expulsão de um zagueiro, nos primeiros minutos do segundo tempo, Bona mudou o time, trocando Jackson, apagadíssimo em campo, por Rodrigo Batata, que jogou pela direita, deslocado.
Com a segunda expulsão na partida, Bonamigo sacou Rodrigo Mancha, para a entrada de Hugo, que correu muito, mas jogou com pouca objetividade.
No segundo tempo, com a ampla vantagem numérica, o Coxa cansou de perder oportunidades para finalizar. Numa delas, na pequena área, William perdeu o gol por duas vezes. Em outra jogada, o atacante finta três defensores e chuta à direita da meta do goleiro. Batata faz um bom lance individual pela esquerda, entra na área e é prensado, quando iria chutar.
Sem conexão e trocando passes laterais para os cruzamentos ineficazes de Ricardinho e Andrezinho, o Cori facilitou o trabalho defensivo do visitante, que tirava a bola da área do jeito que podia. O goleiro teve boa participação e num dos lances, o zagueiro evitou o gol, quando a bola ia entrando e bateu nele, desviando o perigo. O Coritiba ainda acertou uma bola na trave.
A partida pode ser simplificada como tendo um primeiro tempo de pouca inspiração e muita troca de passes sem objetividade, com o Cori tentando furar o bloqueio defensivo do São Raimundo pela força, não pelo jeito.
Na etapa final, o Cori dominou. Não chegou a ser "brilhante", como afirmou Capitão Hidalgo após o jogo, à Rádio Transamérica. O domínio se deve mais ao incentivo da torcida, fiel torcida que não pára de cantar, e das duas expulsões. Jogando só em seu campo de defesa, o time amazonense facilitava o trabalho do Coxa, que, sem sucesso, optava por cruzar bolas altas.
As mexidas de Bonamigo não surtiram o efeito desejado. A dupla Jackson e Paulo Miranda nada mostrou. E para piorar, seu baixíssimo rendimento prejudicou Cristian e depois Caio.
Para William, às vezes falta jeito, às vezes, sorte. Autor de proezas incríveis no quesito perder gols, William deixa muito a desejar no comando de ataque. Nota triste para o segundo volante, o intocável Paulo Miranda, que cobrou de forma veemente o apoio da torcida, durante o início do segundo tempo. Parece que ele ainda não percebeu a força vinda das arquibancadas, já que a torcida está se acostumando em jogar pelo time há alguns jogos.
A colocação de Hugo pela direita não ajudou em nada o atleta, que não conseguiu triangular com Andrezinho. Na esquerda, Rodrigo Batata e Ricardinho também não se entenderam.
A arbitragem foi ruim, não assinalando duas penalidades para o Cori. O paulista Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza foi fraquíssimo no quesito disciplinar, deixando o time amazonense abusar do anti-jogo.
Ao final da partida, muitas vaias e palavras de ordem de "Vergonha!". Fora do Estádio Couto Pereira, muita revolta e manifestação da torcida Coxa-Branca, que gritava "Cachaça, cachaça, time da cachaça!". As manifestações ocorreram tanto na Mauá como no estacionamento do Couto.
Uma triste noite para a fiel torcida Coxa-Branca esquecer. Da torcida, nada se pode reclamar: ela fez a parte dela, cantou, cantou e cantou durante todo o jogo. Só quem não fez a parte que lhes cabia foram os jogadores e o treinador coritibano.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)