
TREINADORES
Marquinhos Santos deu início a era Rogério Bacellar nesta dança de treinadores pelo Alto da Glória.
Era final do ano de 2014, quando Bacellar assumia a presidência do clube. Marquinhos foi mantido depois da famosa história que envolveu sua ida ao Vasco da Gama, mas que acabou não acontecendo.
O fato parecia um presságio para um histórico sem precedentes na vida do clube. Ou seja, em 18 meses o atual presidente chega ao seu quinto treinador. O trabalho de Marquinhos começou a ser questionado após a perda do campeonato estadual dentro de casa, para o Operário do Ponta Grossa. Mas Marquinhos acabou sendo demitido depois da derrota para o Internacional por 2 x 0, ainda no começo do Brasileirão de 2015.
Em seu lugar, Ney Franco foi contratado com a missão resolver o problema, mas não ficou nem seis meses e também foi demitido quando o time brigava numa luta titânica contra o rebaixamento, fazendo uma campanha de somente sete vitórias em 27 partidas. Nas cinco rodadas finais do Campeonato Brasileiro, Pachequinho assumiu interinamente e conseguiu evitar a queda para a Série B.
Muitos torcedores pediram a permanência de Pachequinho para 2016, mas a diretoria preferiu deixá-lo como assistente de Gilson Kleina, que já chegou contestado por grande parte da torcida.
Mesmo com tropeços inaceitáveis no regional, e cada vez mais rejeitado, a diretoria manteve Kleina no cargo, só admitindo a possibilidade de troca depois do maior tropeço no ano: a perda de mais um título estadual, desta vez para o maior rival, o Atlético.
O início da Série A parecia ser animador e apagar os tropeços anteriores. A vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro foi um bom começo, mas mesmo assim não convenceu. Precisava ainda se firmar e ganhar a torcida com mais vitórias. Mais, com um futebol mais convincente, o que ainda não fez. Pior, o Coxa não venceu mais e ainda foi eliminado logo na segunda fase da Copa do Brasil, dentro de casa. Finalmente, a derrota por 3 x 4 para a Chapecoense, era o que bastava para que Kleina finalmente fosse demitido.
Agora, o presidente Rogério Bacellar tem nova missão, junto com seus companheiros de diretoria, de achar, num mercado cada vez mais difícil, um novo treinador, já que Pachequinho volta a ser técnico de forma interina, segundo a própria diretoria Coxa anuncia.
Mesmo que o Coritiba tente consolidar esta filosofia de manter treinadores, desde os tempos de Vilson Ribeiro de Andrade, não tem conseguido. Na era Vilsão, desde o início da gestão, em 2009, o Coxa teve apenas dois treinadores: Ney Franco e Marcelo Oliveira. Ainda assim, a troca só aconteceu porque Ney aceitou o convite para trabalhar nas categorias de base da Seleção Brasileira.
Em 2010, quando foi anunciado oficialmente como treinador do Coritiba, Marcelo Oliveira foi, entre os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, o terceiro técnico que ficou mais tempo no cargo, atrás apenas de Felipão, que chegou ao Palmeiras em julho de 2010, e Tite, que assumiu o Corinthians em outubro do mesmo ano.
A filosofia de tentar manter treinadores o maior tempo possível, implantada no clube na gestão de Vilson Ribeiro de Andrade, teve êxito até a primeira demissão de Marquinhos Santos, em 25/09/2013, após a derrota em casa para o Itagui, da Colômbia, pela Copa Sulamericana.
Na ocasião, o treinador Alviverde foi demitido junto com Felipe Ximenes, Superintendente de Futebol, do clube.
De lá para cá, o Coritiba não tem conseguido manter treinadores no cargo por muito tempo.
Péricles Chamusca, contratado no final de setembro de 2013, ficou menos de dois meses no cargo. Dado Cavalcanti, que assumiu o clube no início da temporada de 2014, foi demitido no final de março, sendo substituído por Celso Roth, que assumiu o clube em abril do mesmo ano, sendo demitido em agosto, deixando o clube em difícil situação no campeonato brasileiro.
A demissão de Roth ocasionou a volta de Marquinhos Santos ao Coritiba, salvando o clube do rebaixamento 2014.
Coincidentemente nos anos de 2013, com Tcheco, 2014 com Marquinhos Santos, e 2015, com Pachequinho, o Coritiba escapou da segunda divisão com treinadores formados dentro do Alto da Glória.
Em 2015, já na Gestão Bacellar, o Coritiba completa seu quarto treinador, e se considerarmos que Pachequinho assumiu o clube pela segunda vez, o clube chega a marca negativa de cinco técnicos em 18 meses de gestão, o que dá a incrível média negativa de 3,6 meses de trabalho por treinador.
O mesmo "problema" pode ser verificado em relação ao responsável pelo Departamento de Futebol do clube.
Desde a saída de Felipe Ximenes, em 2013, o Coritiba já teve Mario André Mazzuco, Anderson Barros, Maurício Andrade e Valdir Barbosa, como diretores de futebol.
Maurício Andrade, que já tinha sido diretor na época que João Paulo Medina era o "CEO" do Coritiba, e estava atualmente ocupando o lugar do próprio Medina, após o seu desligamento, retornou a função após a saída de Valdir Barbosa.
Muito provavelmente está aí grande parte da explicação para as pífias campanhas do Coritiba nas últimas temporadas.
O time está desde o paranaense de 2013 sem conquistar um título, e de lá para cá, a "dança de treinadores" nunca esteve tão na moda pelos lados do Alto da Glória.
| Ano | Treinador | Período | Retrospecto | Aproveitamento |
|---|---|---|---|---|
| 2010 | Ney Franco | 01/01 a 31/12/2010 | 62j, 38v, 13e, 11d | 62% |
| 2011 | Marcelo Oliveira | 01/01 a 31/12/2011 | 72j, 45v, 12e, 15d | 68% |
| 2012 | Marcelo Oliveira | 01/01 a 05/09/2012 | 60j, 29v, 14e, 17d | 56% |
| Marquinhos Santos | 06/09 a 31/12/2012 | 16j, 8v, 2e, 6d | 54% | |
| 2013 | Marquinhos Santos | 01/01 a 24/09/2013 | 54j, 25v, 17e, 12d | 56% |
| Marcelo Serrano | 28/09 a 28/09/2010 | 1j, 1v | 0% | |
| Péricles Chamusca | 29/09 a 17/11/2013 | 11j, 3v, 1e, 7d | 30% | |
| Tcheco | 18/11 a 31/12/2013 | 3j, 2v, 1e | 77% | |
| 2014 | Dado Cavalcanti | 01/01 a 31/03/2014 | 16j, 7v, 5e, 4d | 54% |
| Celso Roth | 04/04 a 24/08/2014 | 21j, 6v, 6e, 9d | 38% | |
| Marquinhos Santos | 24/08 a 31/12/2014 | 23j, 10v, 5e, 8d | 50% | |
| 2015 | Marquinhos Santos | 01/01 a 08/06/2015 | 27j, 15j, 2e, 10d | 58% |
| Ney Franco | 09/06 a 03/11/2015 | 30j, 7v, 10e, 10d | 34% | |
| Pachequinho | 04/11 a 31/12/2016 | 5j, 3v, 1e, 1d | 66% | |
| 2016 | Gilson Kleina | 01/01 a 02/06/2016 | 28j, 13v, 5e, 10d | 52% |
| Pachequinho | 03/06/2016 até o momento | 1j, 1d | 0% |
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)