
NÚMEROS
Por Alysson Ramos Artuso
Dizem os entendidos que o futebol muda de tempos em tempos e que hoje a bola parada e o contra-ataque são as chaves para o sucesso de uma equipe. Enquanto este é aperfeiçoado através de posicionamentos coletivos e inteligência tática – numa dinâmica complexa de jogo –, as bolas paradas parecem ser desenvolvidas de maneira mais simples, através do treinamento exaustivo da técnica individual.
Isso pode ser verdadeiro no caso da cobrança de pênaltis ou faltas diretas para o gol, mas na cobrança de faltas levantadas para área e nos escanteios também há uma parcela significativa de posicionamento coletivo para o sucesso da jogada. Recentemente temos visto jogadas de sucesso inclusive nas cobranças de laterais, tanto a favor, como no gol de Keirrison contra o São Paulo, quanto contra o Coritiba, caso do gol de Carlos Alberto do Botafogo ainda no primeiro turno. Como esse tipo de gol não foi levado em consideração nos anos anteriores, para as comparações a seguir foi também ignorado.
Quando o campeonato está equilibrado e a disputa por colocações é acirrada, como é o caso atual, todo detalhe faz a diferença. Principalmente às vésperas de um clássico que pode decidir as pretensões de ambos os times dentro da competição.
Por isso o site Coxanautas chama a atenção para o recente desempenho alviverde nas bolas paradas. No cômputo geral, o Cori teve 9 de seus 38 gols a partir da bola parada, o que corresponde a 24% do total de gols feitos. Número de gols semelhante foi também sofrido a partir da bola parada – 8 gols, porém a defesa Coxa-Branca sofreu apenas 27 gols no total, então essa marca é proporcionalmente maior, são 29% dos gols sofridos com origem nesse tipo de jogada (e que se elevaria para 37% se contássemos os gols a partir de cobranças de laterais). Para efeitos de comparação, a média histórica é de 32% dos gols serem de bola parada.
Para evitar distorções, como o número de jogos do campeonato ou a quantidade de gols feitos e levados, pode-se analisar o desempenho nas bolas paradas a partir do número médio de jogos até se fazer ou se levar um gol dessa maneira. Em campeonatos com adversários tecnicamente mais fracos, como foi a Série B de 2006 e 2007, a tendência é de se fazer mais e levar menos gols de bola parada. Por isso a o desempenho ofensivo, de um gol de bola parada a cada 2,9 jogos, não é ruim, já que está próximo da média, mas lógico que quanto menor fosse esse número, melhor seria.
Pelo lado da defesa, o desejável seria ter esse índice como o menor possível, demorando muito para que o time leve um gol. O gráfico mostra que o desempenho defensivo nas bolas paradas está bastante razoável com apenas um gol levado a cada 3,2 jogos.
E é justamente por esse desempenho defensivo ter sido bom na temporada que saltam aos olhos as recentes apresentações do Coritiba. Nos últimos quatro jogos, o Cori sofreu cinco gols e três deles foram originados da bola parada.
Em três desses quatro jogos houve um gol sofrido nesse tipo de jogada: contra o Cruzeiro, Wagner levantou na área, Weldon escorou e Espinoza fez o gol; contra o Vitória, Marcelo Cordeiro aproveitou o rebote após cobrança de falta de Ramón; e contra o Fluminense, Washington marcou seu segundo gol após a batida de escanteio.
Para um time que levava um gol a cada 3,2 jogos, tomar 3 gols em quatro partidas é algo que chama a atenção. Mesmo que o recente desempenho seja fruto apenas do acaso, o aprimoramento tanto das bolas paradas quanto de outros aspectos do jogo deve ser uma constante dentro de um time grande que quer disputar as primeiras colocações da tabela.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)