
DOPING
Se já não bastassem os escândalos com as acusações de parte a parte da existência de mala branca no futebol brasileiro, na última quinta-feira, 10, outra notícia deixou os torcedores brasileiros estarrecidos. O jogador Jóbson, do Botafogo, atestou positivo para cocaína, segundo divulgaram portais esportivos, no exame antidoping realizado após a partida de seu clube contra o Coritiba. O jogo, disputado em 8 de novembro, terminou com a vitória do time carioca, por 2x0.
O caso, que evidencia a falta de preparo, educação e estrutura do jogador e do futebol brasileiro como um todo seria apenas mais um dos tristes episódios do esporte nacional se Jóbson não fosse tão decisivo para a permanência do Botafogo na elite do futebol nacional. Depois da partida contra o Coritiba, o atacante botafoguense atuou mais três vezes: contra Barueri, São Paulo e Palmeiras.
Embora o especialista na área de preparação física e colaborador do site Coxanautas Marcelo Algauer de Almeida afirme que a cocaína "não melhora significativamente o desempenho do atleta de futebol, pois apesar de reduzir a sensação de fadiga, os efeitos adversos causados ao Sistema Nervoso Central influenciam diretamente em sua capacidade motora, pois altera negativamente o equilibrio, atenção, tomada de decisão, prejudicando seu desempenho técnico.". A substância é proibida há muito tempo pelo código antidoping praticado em todo o mundo, o que caracteriza o doping. Mas, o que chamou a atenção foi a demora das entidades responsáveis em divulgar o resultado.
Em, no máximo duas semanas, a grande maioria dos exames está pronta e o seu resultado pode ser divulgado. Confirmado o doping, Jóbson ficaria de fora - suspenso preventivamente pelo STJD - das partidas contra São Paulo e Palmeiras, exatamente os jogos em que foi o autor dos gols da vitória do Botafogo sobre ambas equipes. Além disso, foi considerado um dos melhores em campo. A pergunta que fica é: Por que a CBF demorou tanto para divulgar o resultado do exame de Jóbson, deixando para fazê-lo somente após o fim do campeonato?
Em entrevista para a imprensa carioca, o procurador do STJD Paulo Schmitt - o mesmo que defende a punição de 30 jogos sem mando de campo ao Coritiba - se apressou em "tranquilizar" a torcida botafoguense e eximiu-se de responsabilidade: "O clube só é punido se mais de dois jogadores caírem em doping. O jogador pode levar uma advertência de até dois anos. Assim que recebermos o laudo do doping, o atleta terá cinco dias para fazer a defesa prévia. Não vamos julgar pelo CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), mas pelo código antidoping", disse, afastando a possibilidade de alteração de resultados.
Todos os clubes precisam dar exemplo para um esporte moralizado
A postura de Paulo Schmitt e dos veículos de comunicação do eixo Rio-São Paulo sobre o "caso Jóbson" são inversamente proporcionais ao grande destaque que deram à confusão ocorrida no Couto Pereira, no último domingo, 6. Sem eximir de culpa os responsáveis pela baderna ocorrida no último jogo do campeonato, causa estranheza que uma possível punição do Coritiba sirva de exemplo para o Brasil, enquanto que o caso de um jogador que atuou ilegalmente e colaborou de maneira primordial para a decisão do campeonato seja "acobertado" pelas entidades máximas do futebol nacional e da mídia brasileira.
Nós, torcedores do Coritiba seremos - como já estamos sendo - os primeiros a contribuir para a moralização e justiça no futebol nacional, entretanto, a palavra justiça precisa ser escrita, com as mesmas letras, para todos os clubes do esporte brasileiro.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)