
AVALIAÇÃO
Por Luiz Carlos Betenheuser Júnior / COXAnautas
O Coritiba sofreu para ganhar em casa do violento time do Fortaleza, que teve dois expulsos - entre eles Cocito, que voltou a fazer baixaria no Alto da Glória -, mas demonstrou a peculiar raça alviverde, que tanto agrada a fiel torcida Coxa. Com um gol do capitão Anderson Lima, cobrando pênalti, na etapa final, o Coritiba conseguiu uma vitória suada. No fim do jogo, a emoção contagiou os mais de 10 mil torcedores coritibanos, que comemoraram como se fosse um gol o pênalti defendido de maneira espetacular por Édson Bastos, que garantiu a vitória. Com o resultado, o Coxa alcança o 2º lugar na tabela, podendo cair para quarto lugar com a continuidade da rodada. Na semana que vem, o Cori enfrenta o CRB, no Alto da Glória.
Quando não vai na técnica, vai na raça
René Simões alterou o time Coxa-Branca para o jogo contra o Leão tricolor, o Fortaleza. No 4-4-2, o Cori iniciou a partida com Édson Bastos; Anderson Lima, Henrique, Leandro e Fabinho; Careca, Pedro Ken, Caíco e Chumbinho; Gustavo e Henrique Dias.
Por orientação tática de René Simões, voltando de um longo período parado no DM, o zagueiro Henrique pouco subiu pela direita do campo. Mesmo assim, o time coritibano foi um time ofensivo, com apenas um volante na marcação: Careca. Pedro Ken, Chumbinho e Caíco fizeram as ações de armação ofensiva, mas sem a efetividade necessária. Apagado em campo, Chumbinho veio a ser substituído no intervalo.
O time visitante mostrava sinais claros do seu objetivo: não perder a quarta partida consecutiva. Na base da bordoada, especialmente com o violento Cocito, ex-A. Paranaense, que mais parecia interessado em 'apitar' do que jogar, a defesa tricolor abusou dos amarelos. Tanto que Preto, Cocito, Simão, Adriano Chuva, César e Leo foram amarelados pelo lado do time cearense.
Contando com uma manifestação positiva da torcida, que incentivou muito e não vaiou o Cori durante o jogo, o alviverde procurava atuar ofensivamente, mas sem qualidade para furar a retranca cearense.
Com o meia Chumbinho pouco presente no jogo, Caíco procurou chamar a responsabilidade para si, armando o jogo.
Sem um futebol qualificado no aspecto técnico, apesar do bom equilíbrio tático da formação inicial, o Verdão superou o time do Leão na base da raça. Jogando com muita vontade, os jogadores do Coxa ganharam a torcida no primeiro tempo, que teve poucos lances de perigo para a meta adversária e nenhum contra o Coritiba, apesar da veloz dupla Rinaldo e Adriano Chuva.
Com a zaga tricolor abusando dos lances faltosos para parar o time Coxa-Branca, aos 23 ocorreu um erro grave da arbitragem do catarinense Iolando Marciano Rodrigues, quando um jogador do Fortaleza aplicou carrinho por trás em Pedro Ken, dentro da área. Penalidade claríssima não apitada pelo árbitro.
O Coritiba contou com o apoio de Fabinho, que mostrou voluntariedade e personalidade em buscar o jogo pela esquerda, porém Henrique Dias ficou muito isolado pela ponta-direita, sem contar com a aproximação de Pedro Ken. Vendo o Cori ignorando o jogo pelas laterais, o capitão Anderson Lima - jogando com a 5 - resolveu ir ao ataque, aparecendo bem na partida, acertando bons chutes contra a meta cearense.
O camisa 5 do Alviverde teve uma das mais destacadas apresentações entre os atletas coritibanos, ao jogar com muita personalidade e determinação, principalmente no jogo ofensivo.
Por volta dos 25 minutos, Anderson Lima apareceu mais constantemente no ataque Coxa, intercalando avanços com o outro lateral, Fabinho.
Gustavo mostrava muita luta contra a zaga formada por Preto e pelo experiente César. Enquanto o time do nordeste procurava segurar o ímpeto Coxa na base do pontapé e da cera, o Alviverde procurava armar os contra-golpes em velocidade, mas sem sucesso.
No primeiro tempo, o placar de 0x0 mostrou que foi um jogo com poucos lances de perigo. E foi justamente após o apito do árbitro catarinense que a partida começaria a mudar. O violento Cocito foi reclamar acintosamente com o apitador e recebeu cartão vermelho. Na confusão, o treinador Marco Aurélio também foi expulso.
Alma Coxa em campo
Com um atleta a mais em campo, René Simões mexeu no time, trocando o meia Chumbinho pelo atacante Keirrison, que atuaria como ponta-de-lança pelo lado esquerdo, com Henrique Dias jogando bem aberto pela direita e Gustavo atuando entre os dois zagueiros do time tricolor.
A mudança trouxe bons resultados na postura do time Coxa, que aproveitou os espaços no meio de campo, que foram cedidos pela ausência de um atleta no time do Fortaleza.
No tempo final, o Cori foi ao ataque e contou com a força da torcida. Os lances de perigo começaram a aparecer com as jogadas de linha de fundo pelos lados do campo. A galera cresceu junto com o time alviverde.
Novamente René mexeu no time, para potencializar o momento Coxa. Caíco deixou o time para a entrada de Diogo, que trouxe mais velocidade na armação ofensiva pelo lado esquerdo, triangulando com Keirrison - que se mostrou mais disposto e determinado, apesar da má fase técnica - e com Fabinho, que cresceu na partida.
Enquanto o Verdão queria jogar, o time do Ceará queria parar o jogo a qualquer custo. Aos 19, num lance onde a crônica que acompanhou o jogo não viu uma penalidade, o Coritiba chegaria ao gol da vitória. O zagueiro César fez carga em Gustavo e o apitador marcou a penalidade.
Depois de muito discutir, o time do Leão deixou o capitão Anderson Lima cobrar a penalidade. Chutando forte no meio do gol, consciente, o camisa 5 marcou o gol, para a felicidade da massa alviverde.
Com o placar, o time do Leão resolveu abrir mais o jogo ofensivo, trocando bons passes no meio-campo e chegando mais ao gol defendido por Édson Bastos.
Mas noutro lance violento, aos 28, Thiago Campos foi expulso, numa agressão criminosa - uma tesoura em Diogo. Com a vantagem numérica de 11 contra 9, o Coritiba acabou se perdendo e chamando o Fortaleza para o seu campo. Em vez de segurar a posse de bola, abrir o jogo pelos lados e marcar individualmente, o Coritiba voltava à defesa e errava nos lançamentos e passes ofensivos.
Os cruzamentos à área levavam certo perigo, mas as conclusões ofensivas do time Coxa-Branca eram sempre erradas.
Mesmo em desvantagem numérica, o time do Fortaleza ia ao ataque. Aos 32, a alma Coxa saiu das arquibancadas para vestir a camisa 1. Em mais um lance que a crônica que fazia a cobertura para a rádio entendeu não ser penalidade, Henrique acabou esbarrando no atacante adversário e o árbitro assinalou a penalidade máxima.
O treinador René Simões, vendo o seu time perder espaço e a posse de bola, resolveu reforçar a marcação, tirando Pedro Ken para a entrada de Ivo, que fez o trabalho de proteção aos zagueiros.
Na cobrança de César, ex-A. Paranaense, Édson Bastos fez um 'milagre', tocando na bola que bateu no travessão e caiu ao lado do goleiro, que agarrou com segurança para a explosão da massa Coxa-Branca.
Foi o que bastou para o time visitante ir para o tudo ou nada no jogo. Enquanto isso, os jogadores do Coritiba mostravam uma disposição elogiável, superando na base da raça a falta de jogo técnico.
O 1x0 contra o Fortaleza foi um jogo com jeito de Coritiba: difícil quando era para ser bem mais fácil, deixando o torcedor com um ar de 'quero mais' no aspecto técnico, mas feliz da vida com a raça em Verde e Branco que voltou a brilhar no Alto da Glória. Um jogo com ares de Série B, pois quando a técnica não aparece, a vontade de vencer prevalece: Coxa 1x0, para a alegria dos mais de dez mil fiéis torcedores coritibanos.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)