
BRASILEIRÃO
Numa semana de tranqüilidade, depois do bom resultado com o Remo, o entusiasmo da torcida era evidente. Ingressos vendidos com antecedência, expectativa de bom resultado e especialmente de mais uma festa da torcida mais vibrante do sul do Brasil. Estas eram as previsões para o ensolarado sábado a tarde no Couto Pereira. Como que em um deja vu do ano de 2005, o elenco alviverde estragou a festa e os três pontos foram o que faltaram para ser uma tarde completa.
No âmbito geral, quatro pontos em dois jogos não é um mau desempenho, mas quem esteve presente no Alto da Glória sabe que a situação não é esta. O Coritiba mostra grandes dificuldades e deficiências que precisam ser tratadas com mais seriedade pela sua Diretoria.
Primeiro tempo
A partida foi de uma equipe só. Ao Coritiba cabia a responsabilidade pela vitória para engrandecer o espetáculo e, assim, partiu para cima da equipe campineira. Com maior volume de jogo, a equipe esbarrava nos erros de passes do meio de campo e não conseguia criar lances de perigo para o goleiro Fernando. Jackson era a fonte dos lances alviverdes, por conta disto era o que mais errava. Vários cruzamentos e nenhum perigo. Aos 10, 13 e 16 minutos os erros se repetiam, por ambos os lados do ataque.
A tentativa de sair da retranca era através de lances pelas laterais, por onde Andrezinho mostrou alguma qualidade em um bom gramado. Já Ricardinho, pela esquerda, mostrou que não está no ritmo, na qualidade nem no esquema tático do treinador. Com vários erros de passe, finta, posicionamento e marcação, Ricardinho teve uma atuação bem abaixo da média. Aos 19, depois de um bom drible cruzou nas mãos do goleiro.
Sem perigo nenhum, o Coritiba não mostrava qualidade para superar os obstáculos impostos pelo técnico Waguinho Dias.
Fabio Pinto, o melhor jogador da primeira rodada, teve uma atuação um pouco apagada, mas mostra que tem técnica e qualidade para ser um grande jogador no Coritiba.
Aos 26 minutos, fez bom cruzamento para o zagueiro Batatais que entrou cabeçeando para boa defesa de Fernando. Logo depois foi a vez de Jackson cruzar e Fabio Pinto levar grande perigo ao goleiro da equipe paulista também pelo alto.
O Coritiba baseou seus ataques na primeira etapa nos cruzamentos e não obteve nenhum sucesso. A idéia de jogar pelos flancos quando se procura escapar de uma retranca não é sinônimo dos inúmeros chuveirinhos proporcionados no jogo desta tarde no Couto Pereira. E o primeiro tempo sem emoções termina desta maneira, com alguns ensaios de vaias.
Segundo tempo
A entrada de Caio na segunda etapa deu um ânimo a mais aos mais de 13 mil torcedores, mas no campo de jogo, pouco mudou. Com um pouco mais de criatividade, Caio tentou em alguns lances. Aos 9 minutos, após uma finta no zagueiro, o meia coritibano recebe falta na entrada da área, que na cobrança também foi desperdiçada para fora. Aos 15 minutos mais um arremate coritibano, sem direção.
Aos 25 minutos aconteceu a alteração que traria outra esperança ao torcedor Coxa-Branca. Anderson Gomes entra no lugar de Eanes, que também teve atuação abaixo da média. Aos 26 Jackson faz boa jogada, mas finaliza em cima do zagueiro. Aos 31, de novo Jackson consegue falta na entrada da área, também desperdiçada, desta vez pelo zagueiro Henrique.
Aos 35 minutos, para premiar o único time que buscou o ataque, a bola bate na mão do zagueiro do Guarani e depois de gritos da torcida, o árbitro aponta para o centro da área. Com muita personalidade, o jovem Anderson Gomes põe a bola debaixo do braço, em cima da marca e finaliza no centro do gol. Gol do Coritiba, 1x0.
A festa verde e branca parecia selada: torcida vibrando, apoiando, a equipe em um contra ataque pareceu que poderia até ampliar o marcador, quando em uma falha de marcação da zaga, Caio acaba derrubando o meia Juliano dentro da área. Desta vez, sem exitar, Jefferson Schmidt marca pênalti para o Bugre Paulista. Deivid na cobrança. Kléber tocou na bola, mas ela insistiu em entrar: gol do Guarani: 1x1 no Alto da Glória.
O empate bugrino foi um verdadeiro banho de água fria para os objetivos do Verdão em completar nove pontos em três partidas.
Se servir como conselho, a parte mais importante da criação de um objetivo é a sua execução. Planejamento sem execução não é nada. Mais um sintoma que nos lembra do fracasso de 2005. O resultado do planejamento de conseguir entrar na Libertadores foi a queda para a Segunda Divisão.
A atuação do Alviverde deixou a torcida novamente preocupada e se questionando, "será que temos time para brilhar na Série B?". Só a continuidade do trabalho, a inteligência, esperteza e a qualidade do elenco nos dirão. A qualidade dos que estão, o melhor uso, e especialmente dos que estão por vir, e precisam chegar logo.
Cada dois pontos perdidos em casa não podem mais ser recuperados e certamente farão falta no futuro. Três pontos fizeram a diferença no ano passado entre os que ficaram na Série A, e os que caíram para a Série B. Portanto, hoje, podemos dizer com razão que perdemos dois pontos.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)