
AVALIAÇÃO
Por Luiz Carlos Betenheuser Júnior
Um jogo pra ficar na memória da torcida Coxa-Branca: quase 7 mil fiéis coritibanos enfrentaram muito frio e chuva na noite de terça-feira para apoiar seu time de coração à vitória, que veio de virada, nos minutos finais, na base da raça. Saindo atrás no marcador, com um gol sofrido logo a 11 minutos de jogo, contando com o apoio da torcida, o Verdão lutou até o final, e o prêmio foi merecido: de virada, o Coritiba venceu a Ponte Preta por 2x1.
Com o resultado, o Coxa se manteve na vice-liderança da Série B , com 26 pontos, e na próxima rodada vai até Salvador enfrentar o Vitória, 5º colocado na tabela.
Muita chuva, pouco futebol
Coritiba e Ponte Preta foi um jogo fraco tecnicamente. No primeiro tempo, quase nenhum lance de emoção. Com o gramado muito prejudicado pela chuva que caiu durante todo o dia, os dois times pouco puderam tocar a bola, pois as poças d'água dificultavam tremendamente a troca de passes rasteiros.
O time paulista saiu na frente no único lance feito de forma mais lúcida de seu meio-campo e ataque. Pela esquerda, na intermediária, o jogador da Macaca avançou, a zaga Coxa saiu da grande área e cedeu espaços para a troca de passes, com o Héverton lançando para o camisa 9 da Ponte, que toca a bola rasteira, para a grande área. Na saída de Édson Bastos, o Héverton entra livre na área e bate rasteiro, no contra-pé do camisa 1 do Cori, para fazer o gol inaugural da partida.
Com a vantagem no marcador, o time campineiro se manteve firme na zaga, aproveitando o fraco desempenho do trio de arbitragem, que invertia faltas e facilitava a marcação da Ponte.
Sem poder tocar a bola, o time coritibano foi facilmente marcado. O gramado pesado impossibilitava a troca de passes em velocidade e o Coxa não conseguia jogar pelos lados do campo.
No primeiro tempo, o único lance de lucidez ofensiva saiu aos 42, com um arremate forte, de fora da área, de Pedro Ken, com a bola passando perto da trave. E foi só: muita chuva, muitas poças d'água no gramado do Couto e o Verdão não conseguindo furar o bloqueio defensivo da Ponte Preta, que atuava com apenas um jogador na frente.
Congestionando o meio-campo, o falador Nelsinho Batista, treinador do time de Campinas, conseguiu segurar o placar que era favorável ao seu time.
No tempo final, o Coxa provou porque é o time da raça e da virada
Para o tempo final, René Simões mexeu bem no time, ao tirar Douglas Silva, dono de um futebol muito burocrático no ataque, e Henrique Dias, que não conseguiu fazer o jogo ofensivo pelo lado direito. René colocou em campo Túlio e Diogo. E a mexida trouxe resultado no setor ofensivo, com o Verdão tendo maior posse de bola, e, principalmente, mais jogadas pelo lado esquerdo.
Diogo trouxe uma maior movimentação pela esquerda, deixando o jogo mais veloz. Com a entrada de Túlio, o meio-campo foi mais à frente e começou a pressionar o time paulista.
Apesar do domínio territorial, o Coxa não tinha jogadas de frente mais agudas. Bolas cruzadas eram a alternativa mais fácil para tentar furar o bloqueio da defesa campineira, num gramado sem condições ideais para o toque de bola.
Na base da raça, o time alviverde lutava, mas sem sucesso para chegar ao gol de empate. Por volta dos 20 minutos, a torcida coritibana, vendo que o time demonstrava vontade mas o campo não permitia o bom futebol, começou a incentivar ainda mais o time.
Das arquibancadas, vinham os gritos de apoio e os fogos de artifício que iluminavam o Alto da Glória.
Só defesa, a retrancada Ponte Preta abusava das faltas e seus jogadores dos cartões amarelos. René Simões, percebendo que o time perdia o jogo ofensivo no gramado pesado, trocou Caíco pelo avante Hugo.
A mexida trouxe um resultado prático, apesar de Hugo não aparecer em jogadas individuais: o sistema defensivo da Ponte Preta tinha que se preocupar com um atacante mais alto e cedeu espaços.
Quando tudo parecia mais difícil para o Coritiba, que não conseguia furar a defesa campineira, o panorama do jogo mudou. Num lance de bola parada a sorte sorriu ao Verdão. Aos 37, a bola veio da direita, a zaga não cortou e a bola parou numa poça d'água. Henrique, em posição duvidosa e na base da raça, chutou forte, para empatar a partida: 1x1, para a explosão de felicidade da fiel torcida Coxa.
Logo depois do gol, o capitão da Ponte, o zagueiro Anderson, ex-Coritiba, agiu de forma irresponsável e violenta, ao agredir Henrique. O árbitro expulsou o atleta do time de Campinas.
Sem parar de cantar, a galera Coxa levava o time ao ataque. E tome pressão na zaga da Ponte Preta.
Com um a mais, a pressão do Alviverde foi ainda mais forte. O adversário se defendia e o Coritiba atacava, na base da garra. E num lance de muita garra, o guerreiro time do Cori foi recompensado. Aos 48 minutos do segundo tempo, escanteio pela esquerda do ataque. Na batida do capitão Anderson Lima, a zaga corta, a bola volta para o Coxa. Novo cruzamento à grande área, Henrique novamente ganha da zaga pontepretana e toca para Keirrison, que não perdoa: chuta forte, no canto, fazendo Coritiba 2x1.
O gol caiu como uma bomba no Alto da Glória. A torcida enlouqueceu junto com o time. Titulares e reservas comemoraram junto com a torcida das cadeiras inferiores, num mar verde e branco debaixo da chuva, num jogo para ficar na memória dos 6.832 presentes ao Couto Pereira.
Time & Torcida
Após o apito final, o time Coxa-Branca comemorou unido dentro de campo. Reservas e titulares, abraçados, foram em direção aos torcedores que apoiaram o time durante todo o jogo, agradecendo as manifestações da torcida. Das arquibancadas, a galera Coxa retribuiu a dedicação e o espírito guerreiro dos jogadores, os saudando pela vitória emocionante.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)