Quase 14 mil fiéis torcedores coritibanos deixaram o Couto Pereira decepcionados com o fraquíssimo rendimento do time Coxa-Branca, que perdeu por 1x0 do São Caetano, que veio a Curitiba desfalcado de sete jogadores. Com a derrota em casa, o Verdão caiu na tabela de classificação e agora ocupa a 12ª colocação. Decepcionada com o péssimo futebol, a torcida pediu pelas saídas de Guilherme Macuglia e de Giovani Gionédis do Coritiba. Na próxima rodada, o Cori encara o Remo, em Belém.
Futebol desorganizado dentro e fora de campo
O Coritiba entrou em campo contra o São Caetano precisando de uma vitória para ficar entre os quatro primeiros colocados no Brasileirão. E a oportunidade de enfrentar o Azulão desfalcado de sete atletas foi uma chance de ouro desperdiçada pelo time Coxa, que contou com o apoio de quase 14 mil fiéis torcedores, que só criticaram o time no intervalo e no final da partida.
Guilherme Macuglia levou a campo Édson Bastos; Ivo, Dezinho, Felipe e Fabinho; Rodrigo Mancha, Juninho, Pedro Ken e Diogo; Anderson Gomes e Keirrison. No primeiro tempo, o time Verde e Branco começou a partida perdendo o meio de campo, já que Juninho e Rodrigo Mancha não traziam velocidade à saída de bola para o ataque, forçando os meias Diogo e PK a voltarem para buscar o jogo e facilitando a marcação da forte zaga paulista.
Anderson Gomes e Keirrison pouco apareceram no jogo, exceto por dois lances de contra-golpe pela direita, com o camisa 9 cruzando para a área e a zaga do time do ABCD cortando.
Nas laterais, Ivo mostrava muita força de vontade, buscando o jogo ofensivo, compensando pela raça a falta de técnica. Na esquerda, Fabinho não foi muito atuante no ataque durante o primeiro tempo, jogando mais à frente no tempo final, quando fez os dois únicos bons cruzamentos ofensivos do Verdão durante todo o jogo.
A zaga Coxa-Branca teve como destaque o jovem Felipe, que foi bem no jogo aéreo, mostrando muita seriedade e simplicidade nos lances. Dezinho teve atuação regular, caindo de produção no tempo final.
No meio-campo, Macuglia optou por deixar a braçadeira de capitão para Rodrigo Mancha, que jogou com a 8, enquanto Juninho completava a dupla de volantes. Novamente, apagada foi a atuação do camisa 5.
Durante o primeiro tempo, o São Caetano dominou boa parte das ações, ganhando facilmente o jogo no meio de campo. Com bom toque de bola, o time do Azulão chegou a ter uma ótima oportunidade para marcar, desperdiçando um lance em que o atleta do time azul ficou frente e frente com Édson Bastos e atirou a bola pela linha de fundo.
Com um futebol apagado, o time Coxa-Branca não aproveitava a estada no Alto da Glória para fazer o placar. Com um 'buraco' na meia-cancha, o futebol do Cori foi previsível para a marcação do time adversário, que conduziu a primeira etapa fazendo o tempo passar, ser ser incomodado. De bom, apenas a raça de Ivo e a seriedade de Felipe.
No intervalo, sob apupos da torcida Coxa-Branca, Macuglia mexeu no time, tirando o sonolento Anderson Gomes para a entrada de Gustavo, que mostrou raça e acertou duas boas cabeçadas em cruzamentos de Fabinho, com uma bola explodindo na trave e na volta, o zagueiro Dezinho desperdiçou, tirando Keirrison do lance com um empurrão, para chutar por cima do travessão.
Logo a seis minutos, num erro crasso de Juninho, que errou o pé da bola num passe do adversário, Pedro Jr. marcou aquele que seria o gol da vitória do Azulão, aos seis minutos do tempo final, driblando o goleiro Édson Bastos, que saiu afobado, e concluindo para a rede.
Bem marcado, Keirrison também apresentou um futebol de fraco rendimento, isolado na frente e sem contar com o apoio dos meias Diogo e Pedro Ken, que também tiveram uma atuação apagada. Diogo constantemente escondia-se da bola, não se apresentando para o jogo.
Sem contar com um bom desempenho dos jovens valores, o Coxa foi vendo o tempo passar, irritando a torcida. Enquanto isso, o time visitante mostrava um futebol mais agrupado e aguerrido, lutando muito pela posse da bola. Tanto que num lance de falta pela esquerda houve um início de confusão entre os jogadores, com o time Coxa-Branca reclamando da deslealdade do lateral-direito do São Caetano. O péssimo árbitro catarinense, complacente, apenas deu o cartão amarelo para um integrante de cada time.
Com um futebol desorganizado, o Cori demonstrava um baixíssimo rendimento dentro de campo. Displicente até nas cobranças de bola parada, nas quais os paulistas levaram vantagens, assim como na maioria dos cruzamentos ofensivos, quando a zaga do time azul apareceu bem no jogo.
Enquanto isto, o time paulista aproveitava o contra-golpe para levar muito perigo à meta Coxa-Branca. Por duas vezes, o São Caetano esteve prestes a marcar novamente, mas a bola caprichosamente foi para fora, para a sorte do Coritiba.
Macuglia resolveu mexer no time, finalmente trocando Juninho, figura apagada no sistema de marcação, para a entrada do lateral-esquerdo Douglas Silva, que atuou como meia avançado, com Diogo indo jogar mais pelo centro do campo.
Com três atletas canhotos no campo ofensivo - Douglas Silva, Fabinho e Diogo - o Coritiba 'embrulhou' o setor, facilitando ainda mais o trabalho do matreiro treinador do time do ABCD, Jair Picerni, que armou bem o esquema tático que sufucou os lances de armação e de ataque do Verdão. Com uma zaga alta e bem postada, o time visitante via o tempo passar e o time Coxa-Branca se irritar com as dificuldades para furar o bloqueio defensivo.
Macuglia novamente mexeu no Coritiba, trocando Diogo por Dinei, outro atleta canhoto e que atuou pelo lado esquerdo do campo. Dinei mostrou vontade, correu, disputou os lances, mas foi só. Sem um bom poder de armação no meio de campo, o Alviverde acabou sendo uma presa fácil para o time paulista, que administrou com facilidade a vantagem sobre o desorganizado Coritiba, cujo time é reflexo de uma diretoria que não acertou na formação de um elenco capacitado para encarar de igual para igual as maiores forças da Série B.
Aos 49 minutos do segundo tempo, o árbitro apitou o final de um jogo onde o Coritiba foi um time muito distante do futebol competitivo, organizado, obediente taticamente e bem preparado fisicamente para a longa maratona de jogos do Brasileirão.