
AVALIAÇÃO
Luiz Carlos Betenheuser Júnior - COXAnautas
Eram 38.688 torcedores coritibanos (havia um único torcedor do Marília no Couto Pereira, separado por policiais e seguranças dentro de um cordão de isolamento nas cadeiras inferiores) que esperavam um time capaz de vencer o cambaleado Marília. O adversário tinha quatro desfalques, entre eles o goleiro titular e o principal atacante, que nem o treinador tinha no banco - o ex-atacante Guilherme, do Atlético/MG, atualmente auxiliar técnico, estava no banco, na função de treinador interino -, e que ainda teve um jogador expulso no tempo final, mas os jogadores do Coritiba não souberam vencer a partida e garantir a festa da torcida Coxa. Numa noite para se esquecer, o fraco desempenho tático e técnico do Cori foi o responsável pela derrota em casa, a segunda em 19 jogos disputados pelo Coritiba nesta Série B. Agora, ao Verdão resta torcer para que o Ipatinga não ganhe o seu jogo ou então ir até Recife e vencer o desesperado Santa Cruz para garantir o título.
Vacilo e desorganização custam caro
O Cori entrou em campo recepcionado por mais de 38 mil torcedores (43.649 foi o público total da partida), numa festa incrível, com muitos fogos de artifício e um barulho infernal da galera Coxa.
Taticamente, um modelo ortodoxo do 3-5-2 fez o Coritiba ser facilmente dominado pelo time paulista. Desatenção em campo, aos 46 segundos do jogo o Marília fez o seu gol, surpreendendo o time coritibano. De dentro da área, Vicente recebe livre de marcação e fuzila para abrir o marcador.
Mesmo com o placar adverso, a torcida do Verdão fez a sua parte, incentivando o time. Já o adversário, conduzia bem as ações, especialmente com seu lateral-esquerdo. No principal setor do jogo, o Coritiba naufragou no meio campo. Túlio, Douglas Silva, Pedro Ken e Ricardinho não levavam vantagem, com uma mudança tática, de Ricardinho pela direita e PK na esquerda.
Túlio fez por vezes a função de ala-direito, já que Anderson Lima ficou postado na zaga, não avançando uma única vez na partida. Sem o avanço do capitão coritibano, Henrique fez as 'honras da casa' como elemento surpresa nos avanços ofensivos pela direita.
E foi com Túlio que o gol de empate surgiu. Troca de passes na intermediária, Keirrison recebe e lança na medida para Túlio, que cruza na medida para Ricardinho fazer o gol de empate, para a explosão de felicidade do torcedor Coxa.
Mal arrumado taticamente, confuso em campo e mal posicionado no campo, o Coritiba não conseguia explorar o fator do mando de campo. Já o alviceleste paulista, conduzia bem a casa, com seu camisa 10 articulando bem os contra-golpes em velocidade.
Se dentro de campo, a confusão do time era grande, nas arquibancadas a torcida do Alviverde fazia sua parte, cantando sem parar, tentando compensar as falhas táticas e erros individuais dos jogadores. Sem conseguir espaços na zaga do MAC - que entrou em campo com o fraco desempenho de 57 gols sofridos -, também reflexo de um posicionamento muito atrás da linha de volantes, o que facilitava as ações do time visitante, que não teve lances de perigo contra a meta de Vizotto, ex-Coritiba.
Desarrumação custou a derrota em casa
Se no primeiro tempo, quem parecia que estava jogando em casa era o Marília, com um bom toque de bola e jogadas que cadenciavam bem o jogo, no tempo final a desorganização do time do Cori foi ainda maior.
Para piorar, Keirrison e Douglas Silva sentiram contusões, e não puderam seguir jogando. No lugar do atacante, entrou Edmilson, quando eram jogados 5 minutos. Visivelmente fora de ritmo de jogo, Edmilson não conseguiria abrir espaços na defesa adversária. Já no meio de campo, quem entrou foi Veiga, aos 14 minutos.
E foi aproveitando a desarrumação do time Verde e Branco, que o Marília quase fez mais um, com 6 minutos. O perigoso Wellington Amorim leva perigo ao gol defendido por Édson Bastos.
Sem poder contar com um bom trabalho de Ricardinho e Pedro Ken, o Coritiba usava das saídas de bola da defesa como alternativa. E num lance que surgiu dos pés de Henrique, o lançamento foi na medida para Edmilson, que avançava com grandes chances de chegar ao gol do time paulista, sendo seguro pelo marcador, que acabou expulso. O defensor Leandro Camilo é expulso logo a 8 minutos, mas nem assim o Cori conseguiria superar
o time de Marília.
Na base do grito da galera, o Coxa foi ao ataque, motivado pela expulsão no time adversário. Em dois bons momentos, numa cobrança de falta de Anderson Lima - que teve dois momentos de maior destaque ofensivo na partida - e logo depois com Edmilson, que arrematou com estilo, obrigando o goleiro do alviceleste a fazer uma boa defesa para evitar o gol, o time do Alto da Glória mostrou um relance de bom futebol.
Aparentemente nervoso em campo, o Coritiba atacava de forma atabalhoada, com lances de individualismo, sem aproveitar o fator de ter um jogador a mais em campo. Se pelo lado do MAC, o auxiliar técnico mostrava que criava alternativas de jogo para seu time, no lado do Coritiba, René Simões foi uma grande decepção, apesar que teve que fazer duas substituições por motivos de contusão.
Num lance bisonho, o Cori teve uma falta nas proximidades da grande área. Henrique resolveu bater e chutou muito errado, com a bola saindo muito longe do gol. Era sinal da desarrumação tática e do fraco desempenho técnico dos jogadores coritibanos.
Na base do jogo individual, o Coxa tentava os golpes ofensivos. Num lance de Túlio, que avançava mais ao ataque - abrindo espaços na defesa, deixando Anderson Lima vulnerável aos avanços do lateral-esquerdo e de um dos atacantes do MAC -, o Verdão mostrou serviço. Chutando de longe, Túlio levou perigo ao gol defendido por Vizotto, mas a bola saiu pela linha de fundo.
Vendo o Coritiba sem poder de reação, a galera Coxa tentava apoiar o time, cantando sem parar, num espetáculo belíssimo no Couto Pereira. Por sua vez, o time paulista mostrava tranqüilidade, não se afobando na saída de bola e articulando bem os lances no meio de campo e no ataque. E foi numa boa troca de passes que o Marília fez o seu segundo gol. Eram jogados vinte minutos, e Bruno Ribeiro aproveitou uma desarrumação defensiva do Coritiba, entrou livre na cara do goleiro Édson Bastos e bateu com tranqüilidade, fazendo o 2x1 no placar.
A nova vantagem do adversário foi o suficiente para desmontar definitivamente o padrão de jogo do Verdão. Um verdadeiro festival de lances na base da individualidade e da pressa faziam os erros infantis aparecerem no time coritibano. Mas foi aí que, na base da raça, o Coxa chegaria ao segundo empate na partida. Igor, que tinha entrado no time no lugar de Hugo, que não demonstrou serviço, aproveitou uma confusão na grande área do time paulista e mandou um 'balaço', indefensável, fazendo o 2x2 levar a torcida do Verdão à loucura.
Com o empate, os jogadores do Coritiba mostravam vontade de acertar, mas a falta de um padrão tático e de um estilo de jogo coletivo não permitiram que o time do Alto da Glória levasse vantagem sobre o Marília, que se segurava em campo, mesmo com um atleta a menos, na base do toque de bola, ousadia tática e de muita raça.
Com o meia-esquerda Diego - irmão gêmeo do coritibano Diogo - em campo, no lugar do volante João Vítor, que já tinha um amarelo, o time paulista arrumou a sua casa. Diego atuou no lado direito do campo, levando nítida vantagem sobre Ricardinho e Veiga.
Além de ser um jogador importante para aproveitar os avanços de Fabinho, pela esquerda, Diego, com muita habilidade e toque de bola rápido, obrigou Jeci a se desdobrar na marcação, obrigando-o a sair para o combate, já que o meio-campo do Cori, com Veiga e Túlio, não acertava a marcação. E foi neste posicionamento tático, que obrigou o sistema defensivo do Verdão a abrir espaços que o Tigre levava perigo à meta defendida pelo camisa 1 Édson Bastos.
Num lance que causou emoção, o Coxa acerta a trave, num belo chute do capitão coritibano, com a bola caprichosamente não entrando. Vendo que o time Coxa-Branca estava buscando o seu gol, o treinador interino do MAC mexeu no time, deixando-o mais ofensivo: Fabiano Gadelha deixa o campo para a entrada de Wellington Silva, atacante.
Tanto deu certo a mexida do MAC que logo após entrar em campo, aproveitando a desorganização defensiva coritibana, o Marília quase fez mais um, com Wellinton Silva.
Aproveitando a arrumação tática promovida pelo seu treinador interino, o Marília fez o terceiro gol, aos 38, com o perigoso Wellington Amorim. O atacante recebeu livre de marcação dos zagueiros e bateu tranqüilo, na saída de Edson Bastos, fazendo 3x2 para os visitantes. Era o que bastava para sucumbir o Coritiba perante quase 44 mil presentes no Alto da Glória.
Depois do terceiro gol sofrido, o time alviverde não conseguiu nenhuma reação e saiu de campo derrotado, para a decepção de sua torcida.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)