
Máquina do Tempo
Por: Luiz Eduardo Buquera
Na carona das partidas desta semana contra São Paulo e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro, o Máquina do Tempo resgata a história de uma sequência semelhante ocorrida em 1998 e que deixou excelentes lembranças para o torcedor Coxa.
Desde de 1989 quando foi rebaixado por ato administrativo vergonhoso da CBF, o Coritiba não havia montado uma equipe tão forte como a de 1998. O primeiro objetivo que era o título estadual teve que ser adiado. Mas no Campeonato Brasileiro do mesmo ano, o time correspondeu e conquistou com sobras a classificação entre os oito finalistas. Terminou a primeira fase na terceira colocação, atrás apenas de Corinthians e Palmeiras (futuro campeão do Brasileirão e campeão da Copa do Brasil de 1998, respectivamente).
Na primeira fase o Coritiba foi a equipe que sofreu menos derrotas, apenas três, sendo somente uma delas no Couto, quando o apito amigo colaborou com o Flamengo, como de costume. Na fase final, o Verdão foi eliminado pela forte equipe da Portuguesa, quando nos minutos finais da partida decisiva sofreu os gols que anularam todo esforço da equipe Alviverde que havia conseguido, aos 38 minutos do segundo tempo, atingir o placar necessário para a classificação. O resultado causou enorme frustração na torcida e deixou a sensação de que se teria condições de ir mais longe na competição.
De qualquer maneira aquela campanha permitiu que os Coxas tivessem inúmeros momentos de alegria e pudessem desfrutar de grandes partidas, nas quais o Coritiba enfrentou todos os adversários de cabeça erguida, superando a maioria com qualidade e determinação.
O momento mais emblemático da campanha foi a semana de outubro na qual o Glorioso, no intervalo de três dias, venceu os estrelados times de São Paulo e Palmeiras. Ao final da rodada de número 20, o Coritiba dividia a liderança por pontos com o Palmeiras a quem tinha acabado de derrotar, ficando na segunda colocação pelos critérios de desempate. Certamente foi a primeira vez que muitos Coxas voltaram a acreditar que era possível brigar pelo título, desde a injustiça sofrida há nove anos.
No dia 18 de outubro, a torcida Coxa foi ao Couto em peso, estimulada pela grande campanha da equipe e por uma promoção que isentava mulheres e crianças do pagamento de ingressos. Mais de cinquenta mil pessoas lotaram o estádio e aproximadamente 20 mil não puderam entrar. Mas o show não foi apenas da torcida. O Coritiba, que iniciou atrás após sofrer gol do artilheiro França, reagiu e virou a partida com gols de Sandoval e Struway. No primeiro gol, João Santos deu a assistência de calcanhar e no segundo Struway deu um corte em Beletti e bateu cruzado de três dedos para vencer Rogério Ceni. Um golaço! Parece que o destino reservou todos os ingredientes para uma vitória apoteótica do Coritiba.
Após enfrentar e vencer o fortíssimo São Paulo de Rogério Ceni, Beletti, Márcio Santos, Edmilson, Serginho, França e muitas outras estrelas, após 72 horas o desafio seria ainda mais duro. A tabela marcava o confronto contra o líder Palmeiras no Parque Antártica. E a equipe Palestrina era tão ou mais qualificada que o adversário anterior.
Mesmo com a vitória contra o São Paulo no final de semana, o Coritiba era considerado azarão pela imprensa nacional, pois enfrentaria o fortíssimo Palmeiras em seu estádio, onde havia perdido apenas uma partida no Brasileirão.
Não demorou para o Coritiba mostrar sua força e intenção de buscar a vitória. Sandoval aos 28 minutos, após rebote da defesa, abriu o placar com uma pancada no ângulo da meta defendida por Velloso. No início da segunda etapa, Alex empatava para o Palmeiras. Já era o segundo gol que o menino de ouro marcava em seu clube do coração pouco mais de um ano após sua saída do clube. Mas não demorou muito para o Coxa novamente tomar frente do placar por meio de Cléber Arado, que aos 26 minutos marcou de cabeça seu primeiro gol após o retorno ao clube, quando preteriu os rivais das terras baixas para voltar à sua casa. Depois do gol, o Coritiba lutou bravamente contra a pressão palmeirense, e garantiu a vitória.
Certamente o Coritiba pode repetir a dose nos próximos dias, dentro de campo e nas arquibancadas, de modo a continuar escrevendo novas páginas gloriosas na história do maior e mais tradicional time do Paraná.
Coritiba 2x1 São Paulo - 18 de outubro de 1998.
Estádio Couto Pereira
Coritiba: Régis, Márcio Goiano, Célio Lúcio, Gelson Baresi e Rubens Júnior; Luís Carlos, Struway, Sandoval e João Santos; Macedo e Sinval (Cléber Arado). Técnico: Dario Pereyra.
São Paulo: Rogério Ceni, Bordon, Edmilson e Márcio Santos; Beletti, Capitão, Fábio Aurélio, Fabiano e Serginho; Dodô e França (Marcelinho Paraíba). Técnico: Mário Sérgio.
Gols: França (SPO) 15/1, Sandoval (CFC) 36/1 e Struway (CFC) 15/2.
Público pagante: 26.848 pessoas.
Público total: 51.000 pessoas.
Árbitro: Sidrack Marinho dos Santos.
Palmeiras 1x2 Coritiba - 21 de outubro de 1998.
Estádio Parque Antártica
Palmeiras: Velloso, Arce, Júnior Baiano (Jorge Luiz), Cléber e Júnior; Galeano (Almir), Rogério, Zinho e Alex (Magrão); Paulo Nunes e Oséas. Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Coritiba: Régis, Márcio Goiano, Gelson Baresi, Flávio e Rubens Júnior; Reginaldo Nascimento, Struway, Sandoval (Dirceu) e João Santos; Macedo (Brandão) e Sinval (Cléber Arado). Técnico: Dario Pereyra.
Gols: Sandoval 28/1 (CFC), Alex (PAL) 3/2 e Cléber Arado (CFC) 26/2.
Público pagante: 10.389 pessoas.
Árbitro: Carlos Eugênio Simon.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)