
AVALIAÇÃO
Com a entrada de Paulo Bonamigo no comando técnico, o Coritiba mudou alguns conceitos. O time passou a ser mais ofensivo, buscando o gol. Deixou de ser um time retranqueiro para jogar como exige a Série B: pra frente, buscando o gol, mostrando a força de quem quer - e vai - voltar à Série A.
Além do jogo mais ofensivo, com Bona, o Coxa voltou a ser um time com atitude, com raça, com vontade. Contra o Galo, jogou de igual para igual, manteve o ritmo físico e foi determinado. Mas erros individuais e de posicionamento tático aconteceram em Belo Horizonte, reeditando a história de falhas infantis que custaram caro para o Verdão neste campeonato.
Bonamigo tem mais acertado do que errado. Mas os erros têm acontecido e precisam ser sanados. No Mineirão, os dois gols do Galo iniciaram em falhas individuais, uma com Henrique e Egídio (principalmente Egídio, que era o responsável pela sobra), outra de Índio. Dois gols sofridos, uma derrota, três pontos perdidos e uma posição a menos na tabela (agora o Cori está em terceiro lugar).
Zaga
Egídio vinha de um ótimo início de temporada jogando à frente dos zagueiros, onde tem um poder de marcação maior, ‘matando’ o início da jogada.
Por sua vez, jogando na sobra dos zagueiros, como vem ocorrendo há algumas partidas, Egídio tem seu rendimento comprometido, já que não tem explosão e velocidade suficientes para combater os atacantes.
Jogando na sobra, contra Náutico e Atlético-MG, Egídio falhou feio, permitindo a marcação de dois gols.
Henrique tem se mostrado o zagueiro de melhor qualidade técnica, tanto na bola rasteira, como no jogo aéreo. Antecipa-se bem, tem boa saída de jogo, é veloz. Chega a ser utilizado como elemento surpresa, pela direita (assim como Egídio, que faz algo similar, mas pela esquerda), auxiliando ofensivamente o meia e o lateral-direito.
Apesar de estar apresentando, na média, o melhor rendimento entre os zagueiros, sem Batatais na zaga Henrique tem seu rendimento comprometido.
Índio assumiu publicamente o seu erro no segundo gol do Galo. Atitude correta de um capitão. Apesar da postura profissional, Índio apresenta dificuldades ao ter que marcar jogadores mais rápidos. Quando o adversário tem um bom toque de bola com os meias e pelo menos um atacante veloz, o rendimento defensivo Coxa-Branca cai.
Laterais
Luís Paulo tem se mostrado o lateral mais eficiente. É sobre ele que recai a maior parte das jogadas ofensivas com maior perigo. Ricardinho apresenta um futebol instável, variando seu rendimento a cada partida. Com isso Carlão começa a ganhar oportunidades (ele entrou nas duas últimas partidas, contra Paysandu e Atlético-MG).
Carlão demonstra ter maior explosão. É mais veloz que Ricardinho, mas tem mostrado dificuldades no fundamento do cruzamento.
Sem poder contar com um lateral-esquerdo com bom rendimento, o jogo Coxa fica muito concentrado na direita, o que facilita a marcação do adversário sobre Luís Paulo. Até o momento, nem Ricardinho, nem Carlão garantiram vaga cativa para vestir a camisa 6.
Segundo volante
Contra o alvinegro mineiro, Paulo Miranda teve uma atuação apagada. Aparentemente, sem estar ainda no mesmo padrão físico do elenco, que demonstra estar em boas condições, Paulo Miranda sentiu uma contusão na panturrilha direita e teve que deixar o jogo antes do final.
Quando Paulo Miranda não tem uma boa participação em campo, o futebol do Cori fica muito embolado, com Cristian e Caio carregando em demasia a bola. Em vez de jogar com velocidade, toques rápidos, o Coxa carrega a bola, embolando o jogo. Trocar velocidade por pressa não ajuda.
Outro que teve seu rendimento comprometido na partida em Minas foi Jackson, que vinha de bons jogos, mas contra o Galo pouco apareceu, à exceção de um belo chute de fora da área, com destaque à ótima defesa do goleiro.
Peça-chave no esquema tático do meio-campo do Verdão, o segundo volante pode se tornar um problema para Bonamigo, se não puder contar com Paulo Miranda em dia inspirado, ou quando este estiver fora por lesão ou suspensão.
No elenco coritibano, são poucas opções. Luciano Santos veio precedido de uma boa fama no Paulistão 2006, pelo Noroeste. No Alviverde, não realizou boas atuações, não convencendo a torcida. Nem no banco tem ficado.
Na Base, o Coxa tem um jogador de potencial. Se bem cuidado, e bem preparado, Dirceu pode ser uma alternativa muito interessante para o estilo de jogo que Bonamigo costuma adotar. Trata-se de um jogador polivalente, boa qualidade técnica, veloz, chuta forte, bom passe. Dirceu joga em várias funções, às vezes mais defensivas, às vezes mais ofensivas.
Atleta de pouca idade, precisa subir na hora certa para não ser ‘queimado’ pela dureza do jogo da Série B.
Batata
Rodrigo Batata é um jogador que agrada Paulo Bonamigo. Apesar de jogar mais à frente, contra o Galo entrou como segundo volante, recuando muito. Nesta posição, não rendeu. Seu histórico no Alviverde não recomenda sua participação na Série B: Batata não apresenta um rendimento compatível com a dureza do jogo defensivo dos times da Série B. Seu porte físico não ajuda num jogo de muita marcação pelo adversário.
Ao optar por ele, Bona acaba perdendo uma peça tática no banco de reservas.
Ataque
Sem poder contar com jogadores velozes, como Anderson Gomes, Eanes e Keirrison, todos contundidos, o Coxa se torna presa fácil para os ferrolhos defensivos. Não tendo um jogador mais agudo pelos lados do campo, o Cori se utiliza de Cristian e Caio como válvulas de escape, o que acaba facilitando a marcação e abrindo espaços para os avanços dos laterais e dos volantes adversários.
Vinícius, também contundido, é um jogador que sai mais da área, buscando o jogo pelo lado. Apesar de não ser tão veloz quanto os três jogadores acima mencionados, Vinícius é mais veloz que Alberto, Jefferson e William, que não podem ficar reféns do jogo isolado, sem o apoio das jogadas criadas pelos lados do campo. Sempre que jogam isolados à frente, Alberto, William ou Jefferson são muito marcados, dificultando a criação de oportunidades de gol.
No time de Juniores, Hugo (ex-Botafogo), pode vir a ser uma alternativa futura para Bonamigo, que recomendou o atleta. A questão é saber quando é que ele estará preparado para juntar-se ao elenco principal.
Alternativas
Sem poder contar com opções no banco, já que existem vários atletas contundidos (inclusive o meia Renan), o Coritiba precisa corrigir erros táticos e de posicionamento. Também é necessário fazer a escolha certa nas opções de banco.
De início, Bonamigo precisa arrumar a defesa, já que o ataque vai bem, marcando 30 gols (é o segundo da competição, ao lado do CRB, e atrás do Náutico, com 31).
Por outro lado, outra alternativa seria apelar para novas contratações. Como o Departamento de Futebol havia noticiado anteriormente, pelo Capitão Hidalgo, ao site oficial do Clube, o planejamento prevê a avaliação do elenco até setembro, quando se encerra o prazo de contratações.
O custo da Série B é altíssimo para o Coritiba. Sempre que necessário, que se façam as correções. Se dentro de casa, com o apoio da torcida, o Coxa mostrou que tem time suficiente para voltar, fora de casa, este não é o panorama. Longe do Alto da Glória, o Alviverde não consegue uma vitória desde a 6ª rodada (2x1 contra o São Raimundo). Depois disso, foram derrotas contra Marília, Santo André, Atlético-MG e empates contra CRB e Náutico.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)