
PRÉ-JOGO
Por Ricardo Justus Barreto - Equipe COXAnautas
A luta será intensa
Se já não bastassem as dificuldades inerentes à disputa do longo campeonato, tais como, os próprios adversários, as longas viagens, alguns gramados de baixa qualidade, contusões que sempre ocorrem, entre outros fatores, o Cori terá que enfrentar seu maior inimigo, o seu planejamento ou a falta de planejamento.
Após quatro meses de laboratório e experiências, dispensas, contratações e eliminações, tanto do Campeonato Paranaense quanto da Copa do Brasil, o Verdão chega para a sua partida inaugural na Série B 2007 sem contar com nenhum zagueiro, volante ou meio campo em seu banco de reservas.
Confrontando a relação de jogadores que estão concentrados com a provável escalação que iniciará a partida, poderão compor o banco de reservas do Cori, além do goleiro Wanderson, os laterais Daniel Cruz, Fabinho e Ivo, e os atacantes Dinei, Guilherme e Keirrison.
Com tudo isto, o provável time que entrará em campo, deverá ser o mesmo que veio treinando ao longo da semana, sendo formado pelo goleiro Vanderlei, pelos laterais Anderson Lima e Douglas Silva, pela dupla de zagueiros Henrique e Felipe, zagueiro formado no Coxa Jrs., pelos volantes Adriano, Juninho e Túlio, pelo meia Pedro Ken e pelos atacantes Henrique Dias e Hugo.
Dentro de campo
Essa formação tática utilizada pelo técnico Guilherme Macuglia fracassou tanto no Campeonato Paranaense quanto na Copa do Brasil. Teoricamente, ao utilizar três volantes, Macuglia tenta dar mais liberdade para os laterais. Porém, o que se pôde perceber até hoje é que Douglas Silva fica muito mais preso auxiliando o sistema defensivo do que Anderson Lima, que geralmente cai de produção no decorrer do segundo tempo devido ao esforço físico. Das poucas vezes que Douglas Silva subiu ao ataque, com proteção e sem preocupação defensiva, apareceu muito bem, como fator surpresa, efetuando excelentes finalizações, principalmente de fora da área. Mas essa não está sendo a regra.
Por mais que Túlio, com muita bravura e dedicação, se esforce para atuar como meia, essa não é sua praia. Túlio tem tudo para ser um grande destaque atuando como segundo volante, mas, como meia de criação, deixa a desejar.
Assim sendo, o único meia em campo é Pedro Ken. A responsabilidade pesa em seus ombros, pois, se estiver sob forte marcação, a criação literalmente afunda, e aí o Cori passa a depender de lances esporádicos e da habilidade individual dos jogadores, principalmente de ataque.
Mesmo com o déficit de meias no mercado brasileiro, o diretor de futebol do Verdão, João Carlos Vialle penaliza o Clube e o torcedor Coxa-Branca ao afastar o habilidoso meia Marlos da equipe principal. Já o jovem meia Marlos, além de prejudicar o Clube e o torcedor do Cori por ficar de fora da campanha rumo à Série A, dá uma dura lição de como o futebol é hoje tratado, por alguns, apenas como uma mina de dinheiro.
Recorrendo ao elenco, encontra-se outro meia, Caíco, que até o presente momento não ganhou a confiança do torcedor coritibano, seja pelo futebol apresentado, seja pela falta de oportunidades para demonstrar seu futebol, tendo em vista a série de lesões que o jogador vem sofrendo.
O ataque atual do Verdão é extremamente forte, ao menos na teoria. Com jogadores como Henrique Dias, Keirrison e Hugo, todos com muito potencial, o ataque do Alviverde do Alto da Glória deveria estourar qualquer defesa, mas não é o que vem acontecendo.
Fácil diagnosticar o problema, pois, se o meio campo não funciona, a bola não chegará "redonda", e então os atacantes são obrigados a deixarem suas posições para buscar o jogo. Quando isso não acontece, os zagueiros passam a fazer a ligação direta entre defesa e ataque, através de longos lançamentos ou chutões.
Enfim, tempo para identificarem falhas e apontar soluções, a comissão técnica teve de sobra, já que foram duas competições servindo como laboratório. Agora, a Nação Coxa-Branca quer acertos, quer ver o resultado positivo.
O adversário
Bem estruturado, o time do Paulista Futebol Clube vem a Curitiba com o discurso afiado. Apostando na humildade, a equipe do Galo vê no entrosamento de seus jogadores uma forte arma para derrotar seus adversários. Contando com o bom meia Rodrigo Fabri municiando os atacantes Gilsinho e Marcos Denner, o adversário irá explorar bastante os contra-ataques, principalmente porque passou a utilizar recentemente o sistema tático 3-5-2.
Com os desfalques no time de Jundiaí, o treinador Marcelo Veiga optará por um esquema cauteloso contra o Coritiba. Primeiro marcar, para depois atacar.
União em torno de um só objetivo
Sabendo da situação delicada que o Verdão encara desde 2005, o torcedor não deixará o time lutar sozinho nunca e promete apoio aos jogadores que estarão vestindo a gloriosa camisa Alviverde.
Mesmo magoada e decepcionada com os dirigentes do Cori, a Nação Coxa-Branca se agarra na esperança, com unhas e dentes, e sonha com que esses jogadores possam trazer dias melhores.
Questionado sobre as expectativas para a disputa da Série B 2007, o torcedor Coxa Marlon Pereira teme pelo pior, esperando um "Desastre! Mesma coisa do ano passado."Porém, Marlon decreta: "A fé não morreu!".
O torcedor André Gustavo Hochuli, também Coxa-Branca de coração, registra: "Espero que eu esteja errado, mas com um time formado às pressas e sem entrosamento, apostando novamente em jogadores desconhecidos e com pouca 'bagagem profissional', acredito que iremos penar para subir. Não vejo como, cometendo os mesmos erros do ano passado, termos um final tão diferente. Em um início de campeonato em que precisamos nos classificar, acredito não ser sensato apostar novamente na política do bom e barato, que já deu errado tantas vezes".
Já o torcedor Alexandre Spodarik Vieira relembra os craques Tostão e Chicão, dizendo: "Pra mim, o que vai definir nosso sucesso em 2007 é o meio de campo. Entendo que estamos bem servidos de volantes. Mancha e Túlio pra mim são donos do 1º e 2º postos, respectivamente. O meio criativo tende a ganhar muito com a resolução do imbróglio Serginho Cabeção x Vialle, mas não podemos depender apenas do Marlos. O Pedro Ken tem tudo pra ser o grande nome do Coritiba neste ano, ainda mais se o Keirrison engrenar de vez. Essa dupla me lembra muito Tostão e Chicão, dois ícones do melhor time alviverde que vi jogar, pois embora eu seja contemporâneo dos fabulosos times da década de 70, ainda não tinha idade pra acompanhar os feitos daqueles heróis-jogadores."
Porém, Spodarik também aponta seu descontentamento: "Todo meu pessimismo, que é pouco mas não deixa de existir, resume-se ao técnico Guilherme Macuglia. Espero que engrene, mas não tenho ilusões. Na verdade, espero mesmo que um bom técnico fique logo em disponibilidade e a direção opte por trocar a comissão técnica, independente de resultados momentâneos, estando o time bem ou não. Com um técnico acostumado a trabalhar com jovens - poderia ser um Renê Simões, por exemplo - acredito que teremos muitas alegrias neste ano, e também no ano que vem, mantida esta base". E, finaliza, esperançoso: "Precisamos atropelar em 2007!"
Portanto, pode-se notar que o torcedor realmente está magoado e, principalmente, desmotivado, pois a repetição de velhos erros é constante.
Mesmo assim, a Nação Coxa-Branca promete e vai fazer a sua parte, ou seja, apoiar o time dentro de campo durante todo o jogo. Mas só os jogadores, dentro de campo, serão capazes de ganhar a confiança do torcedor novamente. Somente eles poderão fazer com que a disputa da Série B deixe de ser uma agonia para transformá-la em uma página do passado.
Com o apoio da Nação, Raça, Verdão! Você é Campeão!
Campeonato Brasileiro 2007 – Série B - 1ª rodada
Coritiba x Paulista
Data: 12/05/2007, sábado
Horário: 16h
Local: Estádio Major Antônio Couto Pereira
Coritiba:
Vanderlei; Anderson Lima, Henrique, Felipe e Douglas Silva; Adriano, Juninho, Túlio e Pedro Ken; Henrique Dias e Hugo
Técnico: Guilherme Macuglia
Paulista:
Victor; Réver, Diego Padilha e Dema; Fábio Vidal, Jairo, Fábio Gomes, Rodrigo Fabri e Eduardo; Gilsinho e Marcos Denner
Técnico: Marcelo Veiga
Árbitro: Jefferson Schmidt (SC)
Assistente 1: Eberval Lodetti (SC)
Assistente 2: Kleber Lúcio Gil (SC)
4º Árbitro: Sandro Schmidt (PR)
Observador: Dilon Waldrigues (PR)
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)