
Editorial
A maioria não lembra e a outra parte não quer lembrar da última vez que o Coritiba jogou pela Série A do Campeonato Brasileiro com o torcedor podendo acompanhar de perto no Couto Pereira. Só a título de curiosidade mesmo, em 26 de novembro de 2017 a equipe Alviverde perdia para o tricolor paulista por 2 a 1. Exatos 1597 dias depois, a torcida volta ao Couto para reencontrar o Verdão, na abertura do Brasileirão 2022, contra a equipe do Goiás.
Diferentemente daquela época, o que se tem no momento é uma instituição sendo gerida de forma extremamente profissional, o oposto do tempo em que tentou-se uma “solução caseira”, como o técnico, que trazia, na extensa bagagem como treinador, dois anos à frente da equipe sub-20 Coritibana. Além disso, a ideia de alçar à titularidade um grande número de jogadores das categorias de base resultou num retumbante fracasso.
Dois anos amargando uma Série B e outros dois de pandemia, além de uma vergonha sem tamanho ao terminar o Paranaense 2021 em 9º lugar poderiam ter relegado a instituição a um plano ainda mais inferior, assim como outras equipes do futebol brasileiro que já tiveram seus momentos de maior brilho.
Mas o Coritiba é grande.
Na Série B de 2021, a equipe, que visivelmente não era das melhores, pois não tinha um elenco, mas sim um time somente; chegou a liderar quase metade da competição. Não foi campeã, porém o objetivo maior, que era o de retornar à elite, foi alcançado.
Agora, em 2022, vindo de uma competição na qual ficou explícito um planejamento completamente diferente de anos anteriores, capitaneado por um dos mais longevos treinadores atualmente no país, Gustavo Morínigo, o Coritiba sagrou-se campeão paranaense cinco anos após o último título. Além disso, o treinador teve a oportunidade de testar mais de 30 jogadores. Contando com um trabalho sério de captação de jogadores, a equipe Coxa-Branca trouxe recentemente para fortalecer seu elenco o melhor lateral esquerdo do Gauchão, e também Fabrício Daniel, um dos destaques do Paulistão, além de Matías Galarza, recentemente convocado para a seleção paraguaia. Três atletas apresentados na última semana e que, apesar de bastantes expectativas sobre seus nomes, hoje não fariam parte do time que deve começar o campeonato, exatamente pelo bom rendimento da equipe. O trio de ataque, por exemplo, marcou 22 dos 34 gols da equipe neste ano.
O último ponto a acrescentar é a massiva adesão de sócios. Já passa de 35 mil. A torcida sabe reconhecer o trabalho sério. A exigente torcida Coxa-Branca, que muito sofreu nos últimos anos, abraçou o time. Sendo bem realista, em um curto prazo não podemos exigir títulos de maior grandeza em nível nacional. Mas, como já pregava o iniciador deste projeto, o saudoso Renato Follador, “Se não der com técnica, dará com raça”.
Domingo começa o maior desafio do Coritiba nos últimos anos. O desafio de permanecer na Série A, o desafio de apagar um pouco, ou quanto for possível, as sofríveis campanhas anteriores. Chegou a hora dos jogadores darem o máximo em campo e, quando estiverem exaustos, a torcida Alviverde, a Torcida da Alma Guerreira, vai gritar a todos os pulmões, vai incentivar como sempre faz. A torcida voltará a ter orgulho de, no peito, pulsar um coração verde e branco, um coração sofrido, mas que ainda bate forte e pula cada vez que “sai do chão, sai do chão, a torcida do Verdão”.
Equipe COXAnautas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)