
ADVERSÁRIO
Pedreira
É isso que o Juventude encontrará neste domingo no Couto Pereira. Naturalmente já é difícil encarar o coxa no seu estádio. Quando este ainda vem de uma grande vitória fora de casa, diante de um líder e sensação do início de campeonato, as barreiras crescem e tudo é ainda mais complicado. Está aí mais um prova de fogo para Ivo Wortmann.
A última
Prova de fogo, é verdade. E muito provavelmente a última de Ivo no comando do Ju. Este deve ser o jogo de despedida para ele, que está se transferindo para o futebol russo. Há um ano e dois meses no comando do alvi-verde, Ivo certamente deixará saudades. E por incrível que pareça, vai dar o seu adeus da mesma forma que chegou ao Alfredo Jaconi: tendo que tirar soluções da cartola, em virtude de desfalques de toda a ordem.
No lugar certo
Despedir-se no Couto Pereira me parece, além do Alfredo Jaconi, o lugar certo. Ivo tem falado muito em felicidade e bem-estar nas últimas semanas. Inegavelmente, os períodos à frente do Coxa - especialmente em 2001 - e do Juventude, foram os grandes alavancadores da carreira deste técnico. Sei que houve o episódio da saída para o Cruzeiro, que maculou na época o relacionamente com a torcida. No entanto, no cômputo geral, a galera Coxa-Branca tem boas recordações do técnico que levou o time à semifinal na Copa do Brasil. Será um despedida em terreno amigo. A valorizada ida para a Rússia tem muitos capítulos escritos no Couto Pereira.
Reencontros
Me permita entrar um pouco no caráter particular, já que esta é a primeira coluna que escrevo para este site. Morei em Curitiba de 1975 a 1979, quando meu pai foi transferido profissionalmente. Foi na capital paranaense que comecei a entender o futebol e conviver mais de perto com a sua magia. O primeiro estádio que conheci foi o Couto Pereira. Sempre que os clubes gaúchos jogavam contra os paranaenses, íamos assistir. Também fomos várias vezes à Vila Capanema, onde jogava o velho Colorado - ao lado da rodoviária - e no antigo Joaquim Vidal. Meu pai morreu há 12 anos e cada vez que vou a Curitiba é como se pudesse voltar no tempo e reviver aqueles dias em que saía pela mão dele, aprendendo os primeiros passos do futebol. Na verdade, matando a saudade. Sou gaúcho, com muito orgulho e amor pela minha terra - como aliás, todo gaúcho gosta de destacar - mas não posso negar que se podemos eleger uma segunda terra natal, Curitiba então está vivíssima em meu coração.
Gladir Azambuja é narrador da rádio Caxias e apresentador e narrador da UCS TV. Já foi repórter, apresentador e narrador na rádio Guaíba. É colunista do site Futebol na Rede.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)