
COXANAUTAS
Na conquista do bicampeonato estadual, não faltaram parabéns ao vice-presidente do Coritiba. Um deles, porém, foi especial: o meia Tcheco, que atua no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, que já havia telefonado procurando saber o resultado do jogo, ligou no começo da noite para compartilhar a alegria que os seus ex-companheiros estavam vivendo.
A vinda de Tcheco para o Coritiba para o Campeonato Brasileiro, que já foi dada como certa por Moro, agora esbarra no dinheiro de São Paulo e Corinthians. Com teto salarial muito mais alto, é provável que o meia fique mesmo no futebol paulista. Mas caso não haja um acordo, o destino de Tcheco passa a ser o Coritiba.
Por e-mail, conversamos com Tcheco, que recentemente passou por uma cirurgia de apêndice, após levantar o troféu da Copa do "Vice-Rei" (é isso mesmo, segundo o próprio jogador). Seu time conseguiu uma invencibilidade histórica de 36 jogos. O técnico Candinho e o artilheiro Dimba também trabalham no mesmo time.
Veja a entrevista na íntegra:
Coxan@utas: Tcheco, sua saída deixou saudade na torcida e uma enorme lacuna na equipe. Invertendo os papéis, você sente do Coritiba tanta falta quanto a torcida e a equipe sentem de você?
Tcheco: Sinto saudades sim, apesar de que estou em outro clube muito bom e já tenho o carinho dos torcedores, acho que até mais que aí, talvez por ser estrangeiro. Mas sinto falta sim por ser um time da minha cidade e do meu país, e por tudo que passei no Coxa.
C: Você tem acompanhado o Coritiba aí na Arábia? Qual é a sua fonte de informação? Você se corresponde com alguém do atual elenco?
T: Tenho acompanhado sim, minha fonte de notícias é a Internet e meu pai. Ele, aliás, quando acabou o jogo na Arena (Associação Recreativa da Nação Alvi-verde), me ligou na hora em que o Coxa foi bi-campeão e eu, então, liguei para o Moro para desejar meus parabéns. Às vezes falo com alguns jogadores quando dá... Adriano, Brum.
C: Nos dê uma idéia de como é o futebol árabe: é competitivo? É tosco? Você tem aí tanta oportunidade de brilhar dentro de campo quanto tinha aqui?
T: O futebol da Arábia Saudita tem 12 times na liga, diria que há sete times fortes brigando pelo título. É um futebol que depende muito dos jogadores estrangeiros para conseguir êxito, lógico que não se compara com o Brasileiro, mas eles estão crescendo. Graças a Deus estou bem, acho que até melhor que aí e os torcedores são fanáticos e gostam muito do futebol também. Para se ter uma idéia, num clássico o nosso time ganhou a final, e a torcida adversária brigou com seus jogadores. É paixão no limite aqui também.
C: Qual a importância desse campeonato que você acabou de conquistar?
T: Esse campeonato se chama "Copa do Vice-Rei" e é como se fosse a Copa do Brasil. Ganhamos por 1 a 0. Detalhe:o jogo era clássico, nossa cidade se chama Jeddah, mas a final foi na capital Riadh, porque o Rei pediu que o jogo fosse lá prá ele não precisar viajar até a nossa cidade.
C: Nos últimos dois anos, você conquistou um título estadual pelo Coritiba e agora tem esse "petro-título". Quais os sentimentos e quais as lembranças que você levará para a sua vida de cada uma das conquistas?
T: O do Coxa vou sempre lembrar daquele estádio lotado. Ser campeão invicto foi uma maravilha, ainda mais que, no final do jogo, peguei o microfone do estádio e falei: "Papai, conseguimos!". Nunca vou esquecer aquela torcida neste dia. Aqui, é um título que só veio coroar minha passagem e a da comissão técnica que é brasileira. Vou sempre lembrar que fui escolhido como uns do melhores jogadores da temporada Árabe e por ter decidido o título no estádio do Rei, que é muito lindo... e também por ter cumprimentado o rei ao pegar a medalha que, aliás, é bonita. São sensações diferentes, cada qual com um significado importante.
C: Como é a cidade onde você vive, os costumes e estilo de vida? Como foi sua adaptação a tudo isso? Quais são seus principais companheiros e amigos hoje, aí na Arábia?
T: A cidade é muito boa, litoranêa, plana, construida em cima do deserto, considerada uma cidade nova. Acho que tem uns 30 anos. Como não tem cinema, teatro e algumas coisas mais, se torna um pouco difícil viver longo tempo aqui, nossa maior opção é sair para os shoppings (que aliás é o que mais tem aqui, um em cada esquina praticamente). Também ficamos em piscinas de condomínios de amigos estrangeiros e brasileiros que conhecemos aqui. Os costumes são difíceis de relatar, mas restaurantes têm divisões para homens e famílias, shoppings só para famílias - homem sozinho não pode entrar. Estrangeiro para nadar na praia tem que pagar e entrar no hotel, não pode nadar em lugar algum com um litoral muito bonito como esse. Mulher não pode dirigir, reza-se 5 vezes por dia numa mesquita que tem um mega-fone dizendo o horário de rezar... tem muito mais, só aqui para ver.
C: Apesar de não ter sido esquecido - há muitos boatos de interesses de clubes brasileiros e europeus no seu futebol - você praticamente deu adeus à Seleção Brasileira indo para o oriente. Você ainda alimenta sonho de um dia vestir a amarelinha ou já deixou de lado?
T: Aqui relmente você é esquecido e a seleção brasileira já está formando um novo grupo de trabalho nas eliminatórias... acho muito difícil para mim.
Não perca a segunda parte da entrevista com o jogador, às 16h, aqui no site dos Coxan@utas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)