
Entrevista Coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Guto Ferreira iniciou a coletiva fazendo uma análise de como viu a partida de hoje, explicando como foi a dinâmica do jogo: “O Ceará é um time perigosíssimo principalmente no contra-ataque, que na proposição de jogo é um time que está amadurecendo, mas a transição deles é muito perigosa, e eles vinham com a ausência dos dois principais jogadores do lado esquerdo da defesa e o Messias saiu no início do jogo, o que desordena um pouco a equipe, e estava menos ofensiva porque o Michel é um grande jogador mas um pouco menos agudo do que o Nino, jogador de composição defensiva muito forte, um jogador que transita bem e é muito inteligente no pensamento da jogada, mas não tão rápido quanto o Nino ofensivamente. A gente sabia dos pontos fortes deles e nós tentamos estruturar de uma maneira que não adiantava marcar lá encima no início porque a gente ia ficar aberto, dando o espaço que eles queriam para, quebrando a primeira linha de marcação nossa, jogando em cima, então baixamos a linha e ali a gente conseguiu. Nas primeiras bolas do jogo nós tivemos alguma dificuldade, mas depois fomos firmando e começamos a roubar as bolas e contra-atacar e jogar, e o gol não foi nenhuma transição, foi uma jogada que nós saímos propondo lá de trás e mais um bom cruzamento do Natanael que o Manga aproveita ajeitando de cabeça para o Fabrício fazer o gol, uma jogada de conjunto, situações que a gente tem treinado, tanto é que já fizemos contra o Atlético e voltamos a fazer hoje. Acho que depois disso nosso time cresceu, e lógico, o time deles é um time que sabe jogar, o Jô é um jogador que pivoteia muito bem, o Vina metendo as bolas, a velocidade do Mendonza, mas esse não conseguiu jogar porque o Natanael matou a pau hoje, jogou demais defensivamente e ainda fez a jogada do gol, então ele fez um partidaço. No primeiro tempo a gente tinha alguns errinhos de marcação do lado esquerdo, mas nós corrigimos e aí no segundo tempo já ficou estabilizado e com o placar a nosso favor e a perda do Robinho e a entrada do Boschila, que está voltando ainda, mas é um jogador que tinha condições de fazer o que a gente buscava ali, que a gente não queria abrir este tripé do meio campo para fazer linha de cinco na primeira linha, e fazendo linha de cinco na primeira linha a gente teria os contra ataques com o Manga do lado esquerdo e com o Warley do lado direito e o Fabrício que não é um jogador lento também, tem boa velocidade, então a gente teria consistência por dentro e quando pegasse do lado esquerdo tinha saída pela direita, quando pegasse do lado direito tinha saída pela esquerda, e assim a gente foi tocando o jogo e criando mais chances do que eles, mas em determinado momento no início do segundo tempo eles tiveram um volume de jogo, rodaram, rodaram e não entraram. E aí começo a perder jogadores, com o decorrer do segundo tempo o Boschila foi se encaixando, tomando posicionamento, ajustou o posicionamento e a nossa equipe equilibrou o jogo por dentro, e então foi tendo os desgastes e eu começo a fechar a equipe, num primeiro momento nem é tanto fechar a equipe, é trocar a característica quando tiro o Warley e coloco o Hugo, mas quando eu coloco o Bernardo eu fecho a equipe, eu fecho os dois corredores por onde eles tentavam jogar, eles passam a correr e correr, e eu coloco dois jogadores teoricamente descansados que é o Leo e o Boschila, que entrou nos 45, então não estava cansado, e aí fechamos bem e eles começaram a rodar e rodar e não se encontraram, e quando a gente pegava a bola, nós saíamos, tanto é que a partir dos acréscimos nós tivemos mais a bola do que eles e até atacamos mais que eles que praticamente não atacaram. Então essa foi a tônica da partida, a estratégia e o que a gente buscou fazer, de uma maneira bem simples e graças a Deus deu tudo certo, fizemos um resultado importantíssimo, porque nós vamos a 31 pontos, a mesma pontuação do Ceará, mas na frente por critério de desempate, trouxemos o Ceará para a briga embaixo e respiramos, dependendo de como fechar a rodada nós podemos fechar com uma gordura interessante, até porque na próxima rodada nós não vamos participar porque nosso jogo foi adiado, então foi de suma importância essa vitória para depois a gente ir contra o Palmeiras buscando fazer o nosso melhor”, explicou o treinador.
Guto também foi indagado sobre a importância de ter a consistência defensiva, mesmo apesar da ausência de jogadores que vinham jogando. Respondeu ele: “A gente consegue manter a consistência por causa do trabalho do dia a dia, o Natanael de 0 a 10 ele foi 11 hoje porque ele foi praticamente perfeito defensivamente. O grande trunfo do Nathan contra o Botafogo foi a consistência defensiva, e hoje o Natanael tomou conta e o aproveitamento ofensivo, porque o Natanael é um jogador com um aproveitamento melhor no último terço do campo, portanto melhor que o Nathan. O Nathan chega com muita volúpia, mas a qualidade do passe do Natanael encaixa melhor e está teoricamente com mais confiança porque jogou mais esse ano do que o Nathan, mas o Nathan é um grande jogador também. O Guillermo é outro que fez um partidaço, o nosso receio com a perda do John era principalmente no jogo aéreo pois a nossa equipe baixou muito, e aí eu tenho que parabenizar todos os jogadores, em especial meu auxiliar, que tem time aí contratando treinador inglês para treinar as bolas paradas, que bom que nós temos um brasileiro que sempre me acompanhou na minha equipe, que quando jogador foi especialista em bola parada, tanto é que foi até tempos atrás o maior zagueiro artilheiro da história do Internacional, foi ultrapassado pelo Índio já no final da carreira, que é o André Luiz, fala português, é nosso aqui e desde que a gente trabalha junto sempre foi responsável pelas bolas paradas e é um especialista. Nós vamos ter problemas? Vamos e vamos ter solução como tivemos de bola parada contra o Atlético, e hoje mesmo com as mudanças, é, tomamos o gol ali que foi no detalhe, mas foi num momento em que a gente mexeu na estrutura e aí quem entra tem que entrar um pouco mais atento. Muitas vezes as bolas paradas são uma questão de milésimo de segundo de concentração de quem está na jogada, e as vezes características, que bom que nós estamos conseguindo suprir as nossas dificuldades”.
Em relação aos aspectos positivos e negativos de não jogar na próxima rodada, o treinador Coxa-Branca explicou: “Eu não consigo enxergar positividade, tudo bem, vamos ganhar mais uma semana de trabalho, mas depois vamos acumular a ponto de fazer jogo na quinta e domingo, jogar na quinta contra o Palmeiras e voltar para jogar contra o Bragantino aqui. Ah, mas isso já ia acontecer!! Verdade. Então o que pode acontecer é a gente não chegar com quatro jogos na lomba, digamos assim, porque a gente teria o jogo do Ceará, sequenciado do jogo do São Paulo, Palmeiras e Bragantino. Quando a gente jogar com o Bragantino, nós vamos ter feito dois, mas depois do Bragantino vem o clássico Atletiba, e nós não vamos ter folga, vamos estar em cima dele, aí a gente sai para jogar com o Fortaleza e depois vem jogar em Caxias, então vamos lá para o Nordeste para voltar para o Sul, de ponta a ponta do campeonato brasileiro, e isso em três dias, sabe o que é isso? Em três dias ir para o Nordeste e voltar, se não tivermos uma boa logística a gente fica na estrada. Depois do Athletico, o Inter, aí Fortaleza e depois Juventude e não tem mais folga, é um em cima do outro, e volto a falar, é lá em cima depois lá embaixo, do Oiapoque ao Chuí em três dias. Eu só espero ter a sorte que tive no Sport que eu fui jogar contra o Brasil em Pelotas no domingo e na quarta eu estava dentro de campo contra o Operário que vinha bem, e nós conseguimos resultados nos dois jogos e foi muito bom e eu espero que a gente consiga também nessa sequência. Nós só vamos empurrar um pouquinho, aí depois a gente pega o acúmulo e os outros vão ter o descanso onde a gente teria o descanso, que é onde ocupa o jogo do São Paulo. O São Paulo estava no meio quando a gente ia descansar, então enquanto os outros vão ter sequência de quatro jogos depois descansar, nós vamos descansar agora, tudo bem a gente entra para os próximos jogos com um pouco mais de volúpia, mas depois a gente não para mais e onde eles descansarem nós vamos jogar, e aí quem tem o decréscimo somos nós, só nós”.
Guto também foi indagado sobre porque o Natanael não tem uma sequência, e se ele seria titular contra o Palmeiras, e diante desta dúvida o treinador respondeu: “Tranquilo, quando a gente põe o Nathan para jogar, não foi porque o Natanael estava mal, é porque ia pegar um jogador extremamente rápido, e no jogo contra o América por exemplo, o Natanael teve dificuldade em marcar o Pedrinho que era muito rápido. Tudo é momento, onde está acontecendo o jogo, e o Nathan foi muito bem na partida até sentir. Hoje o Natanael marcou um dos jogadores mais rápidos da série A do Brasileiro e não teve dificuldade, é isso, essa confiança que ele está ganhando, ele passa para todo mundo e vai seguindo. O Natanael é titular do Coritiba hoje. Mas vai jogar todas? Não, uma partida ou outra, taticamente nós vamos ter que fazer uma mudança, às vezes por uma questão, às vezes por outra. E tenho que falar de novo do Jesus, tomou conta, e ele não tem essa de dentro ou fora de casa, a média dele é sempre dali para cima, que bom”.
Ao ser perguntado sobre a sequência que termina hoje, onde o Coritiba jogou com equipes consideradas do “mesmo campeonato”, e que ganhou as três em casa e acabou perdendo para Botafogo e América, Guto Ferreira interrompeu dizendo: “Você acha que o América é concorrente direto do Coxa? Tem que analisar mais o campeonato e menos a camisa, um time que jogou a Libertadores esse ano e hoje está de novo pleiteando a vaga na Libertadores, então a gente tem que ter respeito. Nesse minicampeonato eu não incluo o América”.
O treinador Coxa falou se considera que foram bons esses 9 pontos ganhos, sendo que agora terá adversários mais pesados pela frente: “Ganhar é sempre bom, e dos três times que jogamos fora, o único em pontuação que estava próximo a nós foi o Botafogo, e chegamos perto de conseguir um resultado positivo, infelizmente não conseguimos, já é passado. Os três jogos dentro de casa nós fizemos a lição de casa muito bem, e um detalhe, mais um jogo dentro de casa sem tomar gol, fizemos quatro gols e não tomamos nenhum, mas lá fora estamos tomando muito ainda, dois jogos em que tomamos dois, e o Fluminense nem quero botar em pauta porque me puxa para baixo, mas é passado, mas não adianta, a gente tem que confiar no que estamos fazendo, temos que encorpar nosso trabalho, acreditar, serão jogos dificílimos, na séria A não tem jogo fácil e nós temos que a cada jogo nos superar, nós vamos pegar um time que está praticamente com seu título definido, e depois pegamos o Bragantino em casa que é uma equipe que, dependendo do resultados de hoje, pode estar próximo da gente, então o fato de jogar dentro de casa é de suma importância para que a gente consiga o resultado, mas é uma equipe difícil, tanto é que no primeiro turno o Coxa teve muita dificuldade lá, então não tem jogo fácil na série A, não importa o time, não tem jogo fácil, o mais importante é que daqueles próximos a nós na tabela a gente tem ganhado, isso que é mais importante, e roubar um ponto ou outro daqueles maiores também é de suma importância, é essa a sequência, não tem por onde fugir, é trabalhar e correr atrás”.
Perguntado sobre a importância que tem a torcida quando o time joga em casa e como manter a consistência defensiva quando joga fora, Guto respondeu: “Buscando nos superar, e volto a falar, se a gente conseguiu jogar 70 minutos bem contra o Botafogo, nós temos que ir buscar jogar 95 a 100 minutos.
Quanto à torcida, eu falei aqui antes do jogo, essa empatia, essa força que vem da arquibancada, essa energia, hoje foi fantástico, por exemplo, no gol anulado a torcida vibrou com se fosse um gol nosso, a pressão que ela exerceu sobre a arbitragem e sobre o adversário nos últimos minutos de jogo, nos empurrou, nos deu muito gás. Jogar diante de uma torcida dessa e com esse apoio é o que mais a gente quer, isso é torcer para um clube, isso é jogar com o clube e que bom que a gente está conseguindo retribuir conseguindo as vitórias, porque eu acho que o comportamento da torcida do Coxa merece cada vitória que a gente conquista”.
Houve uma questão sobre a importância das contratações da última janela, embora o treinador Coxa tenha chegado após última janela, pois o time está jogando com cinco ou seis jogadores que chegaram, se ele acha que foram boas as movimentações no mercado. Guto ponderou: “Esse é o tipo de pergunta que é difícil para mim responder, porque eu não estava aqui antes, acho que a sua própria pergunta avalia a janela quando você coloca que a gente tem escalado cinco a seis jogadores que chegaram depois e hoje são titulares da equipe, então você avaliou a janela para o Coritiba. Eu não tenho como falar, eu não estava aqui antes, não sei como estava a equipe nem como deixou de estar, o que eu posso avaliar é que hoje, aqueles jogadores que tenho conseguido colocar dentro de campo, independente de ter sido antes ou depois da janela tem conseguido fazer com que o rendimento da equipe cresça jogo a jogo, que é o que a gente vem buscando e que bom que a gente vem conseguindo, é sinal que alguém em algum momento trabalhou bem para que eles estivessem aqui e nos proporcionassem a situação de poder coloca-los dentro de campo e fazer com que o Coritiba cresça dentro da competição”.
Perguntado se o trio Warley, Manga e Fabrício hoje é o trio de ataque titular do Coritiba, o técnico respondeu: “Foi nos últimos dois jogos, cada jogo é um jogo, amanhã ou depois eu posso ter perdido A, B ou C por cartão amarelo ou expulsão, você é obrigado a trocar e na troca vai entrar alguém que pode render até mais do que os outros e aí é a cabeça do treinador, saber gerir da melhor maneira, tentar tirar o máximo de cada um, agrupar para formar o melhor grupo possível para competir e conseguir resultados que a gente vem conseguindo dentro de casa, vamos continuar conseguindo dentro de casa e buscar conseguir fora”.
Guto Ferreira falou também sobre como vê o momento do Fabricio Daniel, pois nos três jogos disputados em casa o time obteve três vitórias e ele fez gol nos três jogos: “Um crescimento, inteligente, uma boa parceria com o Warley, com o Robinho, o Bruno, com o Natanael, com todos, principalmente com o Manga, porque não podemos esquecer que nós fizemos, sob meu comando em seis jogos seis gols, dois contra o Fluminense e Atlético, um com o Avaí e um hoje, e desses seis gols, três foram do Fabrício e dois do Manga, só o gol de falta do Egídio que não foi dos dois. Nós precisamos melhorar outros que com o tempo vão começar a fazer gols também, porque a gente não pode ficar embasando sempre em um, temos que ter uma gama de finalizadores melhor e quando isso começar a acontecer é sinal que a equipe está crescendo mais ainda, hoje o Bruno esteve perto pois teve um chute de fora ali bem interessante, a gente vem estimulando muito este tipo de coisa e Deus queira que as coisas melhorem a cada jogo como vem acontecendo”.
Por fim o técnico Coxa explicou novamente o que falta para conseguir a consistência da defesa jogando fora, e como trabalhar especificamente este setor: “Temos que ter noção que sistema defensivo não é a linha de quatro última com o goleiro, são onze, começa desde lá na frente e vem trazendo até atrás, então a gente trabalha todo um sistema defensivo, tem alguns ajustes principais das zonas onde a gente provoca situações de roubada de bola, enfim, mas a gente tem que ter noção que é todo um sistema e o sistema passa por quando a gente tem a bola e por quando a gente não tem a bola. Quando a gente tem a bola, quem está sem a bola faz o que? Quando ninguém tem a bola, a bola está com o adversário, nós perdemos de imediato, quem faz o que de forma imediata? E os outros fazem o que? Tudo é um processo e essas estratégias a gente treina diariamente, que dentro da situação são chamadas de: atacar marcando, transição defensiva, perde e pressiona, são alguns quesitos defensivos, depois tem os fechamentos de linha, tem a indução do adversário para a zona de desarme, tudo isso que a gente trabalha diariamente, e não é só defesa que a gente trabalha, a gente trabalha muito ataque, eu posso dizer que essa semana nós trabalhamos mais ataque do que defesa, é que ao mesmo tempo que você está trabalhando o ataque, você está trabalhando sistemas da defesa com aqueles que não tem a bola. A defesa não começa quando você perde a bola, a defesa começa com aqueles que não tem a bola ocupando os espaços certos dentro do campo para que na perda da bola você esteja perto para fazer a abordagem contra o adversário”.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)