
ARBITRAGEM
O mar de lama no futebol paranaense parece não ter fim: desta vez um ex-dirigente do Marechal Cândido Rondon, Gílson Carlos Pacheco, afirmou que pagou R$ 1.750,00 para o árbitro Sandro César da Rocha. Sandro é um dos árbitros denunciados por Evandro Roman como sendo um dos envolvidos no esquema de corrupção no apito paranaense.
Confira as reportagens da Gazeta e da Tribuna do Paraná. Torcedor Coxa: divulgue estas informações para a imprensa brasileira. Colabore para pôr um fim no mar de lama que assola o futebol do Paraná há dez anos.
Gazeta do Povo, 24/09/2005
Ex-cartola confirma que deu propina a árbitro paranaense
Dirigente do Marechal Cândido Rondon diz ter pago R$ 1.750 a árbitro em jogo da Série Prata de 2003
O preço de uma vitória na Série Prata – com um pênalti duvidoso incluído no pacote – pode custar a bagatela de R$ 1.750. É o que garante o ex-dirigente do Marechal Cândido Rondon, Gílson Carlos Pacheco, 60 anos, que disse à Gazeta do Povo ter dado exatamente essa quantia ao árbitro Sandro César da Rocha (um dos supostos envolvidos no esquema de corrupção no apito), em agosto de 2003. O pagamento, garante ele, foi dado em espécie, pessoalmente, com 35 notas de R$ 50.
“Entreguei o maço de dinheiro em frente ao hotel que o juiz estava hospedado”, confirma Pacheco. Com o “acerto”, seu time bateu por 1 a 0 o Cianorte pela Série Prata do ano retrasado. O gol que definiu o resultado foi anotado graças a uma penalidade máxima, aos 31 minutos do segundo tempo.
O jogo era válido pela sétima rodada do hexagonal decisivo da competição. As duas equipes brigavam pela segunda vaga à elite estadual de 2004 (o Nacional de Rolândia já estava praticamente assegurado, bastava uma vitória em três jogos). No término da disputa, mesmo com a manipulação desse resultado, o Cianorte terminou na frente e subiu à Série Ouro. O Marechal ficou dois pontos atrás do rival.
Tal suborno só veio à tona ontem à tarde. Após acompanhar o noticiário sobre o chamado mensalão do apito, o ex-dirigente decidiu encaminhar ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR) uma declaração relatando o episódio. “Chegou a hora de acabar com essa máfia”, diz. Para reforçar a denúncia, fez questão de autenticar em cartório o documento.
“O que aconteceu foi uma extorsão. Se nós não pagássemos, seríamos prejudicados. O dinheiro não era meu – acho que pertencia ao clube. Fiquei apenas encarregado de repassá-lo ao juiz. Ele me falou que iria dividir o pagamento em quatro partes, mas não falou quem eram os outros três beneficiados”, conta.
“Depois desse episódio, decidi largar o futebol. Hoje sou funcionário público, assessor do presidente da Câmara dos Vereadores de Marechal. Fiquei decepcionado”, completa.
No depoimento do também apitador Ito Ranov ao TJD-PR, na terça-feira passada, essa história já havia sido levantada. Um dia depois, em entrevista à Gazeta do Povo, Sandro César da Rocha chegou a ser irônico ao negar a insinuação do colega. Falou que se houve negociação, não o avisaram. “Quem pagou ficou sem o prêmio”, argumentou.
Nesta sexta-feira à noite, logo após o auditor Otacílio Sacerdote Filho comunicar o recebimento da carta atestando a acusação, a reportagem tentou entrar em contato com Rocha, mas seu telefone celular estava desligado. Diante da suspeita, o juiz tem presença garantida no relatório que aponta os envolvidos na máfia do arbitragem. A lista deverá incluir outros dez nomes.
Rodrigo Fernandes/Gazeta do Povo
Do Portal Parana-online
Sacerdote oferece denúncia contra os envolvidos
Carlos Simon
O relatório do inquérito do “caso Bruxo” chegou ao fim. Depois de mais de três semanas de investigações, depoimentos e coleta de documentos, o auditor Octacilio Sacerdote Filho entregou ontem a papelada à procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol (TJD-PR). Cabe aos procuradores oferecer denúncias dos 11 indiciados e apresentá-las ao presidente do tribunal, Bôrtolo Escorsim, responsável por definir as datas dos julgamentos. Árbitros e dirigentes citados devem sentar no banco dos réus a partir da primeira semana de outubro.
Sacerdote, nomeado presidente do inquérito em 31 de agosto, disse ter juntado material “mais do que suficiente” para embasar a condenação dos acusados. “Há provas documentais e testemunhais afirmando envolvimento de todos. Espero que os culpados sejam punidos com eliminação do futebol”, falou o auditor, convencido de que existe uma “máfia do apito” no futebol paranaense.
Sacerdote repetiu que pedirá para Escorsim enviar uma cópia do inquérito à Promotoria de Investigação Criminal (PIC). Como órgão do Ministério Público, a PIC tem poderes para aprofundar as investigações (através, por exemplo, da quebra dos sigilos bancário, fiscal ou telefônico) e iniciar procedimento criminal contra os suspeitos. O auditor percebeu na investigação indícios de extorsão, estelionato, apropriação indébita, sonegação fiscal e formação de quadrilha.
Ontem de manhã, o auditor finalmente falou por telefone com José Francisco de Oliveira, o “Cidão”, que da Inglaterra fez várias acusações através da imprensa. O árbitro, porém, se mostrou pouco disposto em entregar mais nomes além do diretor-administrativo da FPF Johelson Pissaia, que segundo ele era o chefe do esquema de venda de resultados. “Cidão alegou que não quer envolver outras pessoas”, falou o auditor.
Os indiciados são o próprio Cidão, e os árbitros Carlos Jack Rodrigues Magno, Amoreti Carlos da Cruz, Antônio de Oliveira Salazar Moreno, Marcos Tadeu Silva Mafra e Sandro César da Rocha, denunciados na terça-feira por Evandro Rogério Roman; Valdir de Souza e Antônio Carvalho, que eram presidente e vice da Comissão de Arbitragem da FPF; os dirigentes Silvio Gubert, do Operário, e Genezio Camargo, do Foz do Iguaçu; e Pissaia, que desde ontem não comparece à sede da Federação por ter pedido afastamento temporário.
Mais maracutaia
Ontem à tarde, Sacerdote recebeu um documento que deve gerar mais uma denúncia. Gílson Pacheco, ex-diretor do Marechal Cândido Rondon, confirmou ao TJD que entregou R$ 1.750,00 ao árbitro Sandro César da Rocha para favorecer sua equipe no jogo contra o Cianorte, pela Série Prata de 2003. O suborno havia sido denunciado na última terça-feira pelo árbitro Ito Dari Rannov, que é policial militar em Marechal Cândido Rondon.
Anderson Picolo, então supervisor do Marechal, confirmou a história à Tribuna. “O time ia ser eliminado e estava sem dinheiro, mas conseguimos arrecadar recursos. O pagamento foi feito pelo Pacheco, num hotel da cidade. Pelo que sei, em dinheiro vivo”, contou Picolo.
Pacheco só não foi indiciado porque o relatório de Sacerdote já estava concluído, mas o documento foi anexado e será avaliado pela Procuradoria do TJD.
Legenda da foto: o árbitro Marcos Tadeu Mafra, que apitou A. Paranaense 3x3 Coritiba, na final do Campeonato Paranaense 2004. Mafra foi um dos seis denunciados pelo árbitro Evandro Roman como sendo um dos árbitros envolvidos no esquema de corrupção do futebol paranaense.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)