
PÓS-JOGO
A paciência da torcida do Coritiba foi testada uma vez mais no empate em 1x1 contra o Sport, que jogou com nove jogadores mais de cinqüenta minutos. Uma boa pergunta a se fazer é até quando a torcida vai agüentar? Os quase onze mil torcedores presentes no Alto da Glória saíram com o grito de "Vergonha!" para os jogadores, treinador e dirigentes. Mas de quem é a culpa? De todos.
Quando os jogadores se apresentam com raça, vontade e objetividade, são aplaudidos independente do resultado. Mas o que se viu foi o oposto. Evidentemente, a postura foi ajudada pelos constantes erros de Estevam Soares. O time do Coritiba é reflexo do seu comando diretivo e técnico.
No primeiro tempo, a letargia do time foi absoluta. O Coritiba jogava sem almejar a nada. Passes para o lado, falta de atitude e nenhuma objetividade. O mesmo erro apresentado em Taguatinga.
A prova disto veio aos 11 minutos, num lance bisonho do goleiro Kléber, que ao repor a bola entregou ao jogador Wellington, que um pouco adiante do meio de campo e surpreendeu a desatenta equipe do Coritiba, vítima do clima de desatenção e displiscência.
Depois do gol do adversário, o Coxa melhorou seu posicionamento com relação à importância da partida. Começou a buscar lances mais ofensivos. Destaque para Caio e Wilton Goiano, que mostrou muita raça e confiança.
Com bastantes erros de passe de Jackson e Fabio Pinto, entrar na área pelo meio de campo ficava complicado, até que Caio resolveu o problema, com um chute de fora da área, aos 24 minutos.
Alívio para a torcida e pressão para cima do Sport. A equipe de Recife ficou completamente atordoada e dava muitos espaços. A pressão do Coritiba, agora, mostrava lances mais agudos, descidas pelos flancos, com Fabinho e Wilton e bons passes de Caio e Jackson.
Este breve momento de vontade da equipe gerou uma bola na trave, em cobrança de falta de Henrique e desvio de Fabio Pinto. Caio, em tarde inspirada deixou Alberto em posição privilegiada para finalização, mas a bola passou por fora.
Em outro chute com desvio, o goleiro Gustavo teve que fazer grande defesa para colocar a bola para escanteio. E, na cobrança de escanteio, Egídio errou a cabeçada, sozinho na pequena área.
Com todo este ímpeto, a torcida ficava eufórica e esperançosa. Especialmente depois da cotovelada que Jackson sofreu, que causaria a expulsão do meia Wellington do Sport.
No mesmo lance, Kléber, também da equipe do Recife agrediu o árbitro e também foi expulso.
Na confusão que se fez em campo, os jogadores reservas e a comissão técnica do Leão da Ilha entraram em campo para reclamar e o treinador pernambucano foi expulso.
Com dois a menos em campo, e sem seu treinador no banco, a equipe do Sport conseguiu se segurar mais dez minutos, até que veio o intervalo.
No segundo tempo, inexplicavelmente o Coritiba voltou apático. Ainda mais que no começo da partida. Não havia mais vontade e determinação, nem atitude para buscar o gol. Com nove jogadores contra onze, o Sport se contentou em ficar na defesa. A maior retranca presenciada na Série B. Aí comecaram as infelizes escolhas de Estevam Soares.
Num sistema escessivamente defensivo, a melhor forma de furar a zaga adversária é pelos lados do campo. Mas, ao contrário disto, o treinador do Coritiba tirou Fabinho do jogo para a entrada de Eanes, deslocando Jackson para o setor esquerdo, tática que já comprovada falha em outras duas ocasiões.
Com esta mexida, Eanes ficava pelo flanco direito, Jackson pelo esquerdo e Fabio Pinto no ataque. Com Caio marcado, por diversas ocasiões o Coritiba ficava sem meio campistas para armar jogadas e não criava nada pelos lados.
Com a letargia já rotineira, no Alto da Glória passaram se alguns minutos até Estevam perceber o que todos já sabiam que daria errado. Na tentativa de consertar seu erro, o treinador do Coxa fez Marlos entrar no lugar de Wilton Goiano. Desta maneira, o jovem atleta do Coritiba jogaria pelo lado esquerdo, Jackson viria para o direito. Mas os problemas no meio de campo do Cori continuavam.
Neste momento da partida, o Sport não possuia mais nenhum atacante em campo. Com duas linhas de quatro, o Sport não posicionava ninguém para oferecer perigo à meta alviverde.
Curiosamente, Estevam via a necessidade de contar com Egídio, Luciano Santos, Henrique e Batatais para marcar, já que ninguém do Sport avançava para o ataque.
Com este modelo tático, Henrique e Batatais acabavam por ir à frente. Num lance, Henrique apareceu pela direita, como lateral, mas seu cruzamento foi péssimo. Reflexo do posicionamento que Estevam Soares estabelece aos atletas, como Luciano Santos e Egídio, intocáveis do Verdão. Até nosso zagueiro conseguiu perceber a principal carência da equipe, jogadas pelas laterais.
O resumo do segundo tempo até este momento era um jogo: monótono e sem chances algumas de gols.
Com o esquema de Estevam, o Coritiba atacava somente pelo meio da zaga e era presa muito fácil para os zagueiros do time pernambucano.
A terceira substituição do Cori foi Anderson Gomes por Jackson. Então, o Coritiba abdicava do avanço pelas laterais. Eanes se posicionava pelo lado direito, mas pouco criou, já que estava fora de posição. O mesmo ocorria com Anderson Gomes, pelo lado esquerdo.
O esquema do técnico do Alviverde era tudo o que o Sport queria. Com Jackson, depois Anderson Gomes, Eanes, Fabio Pinto fora de posição, os atletas alviverdes pouco demonstravam perante aos quase onze mil torcedores.
Com a armação de jogadas caindo para Luciano Santos, volante, o Coritiba nada criava e concentrava todas as suas ações pelo meio. Quem também sofreu as conseqüências foi Alberto, que ficava isolado entre zagueiros, sem tocar na bola.
Os chutes de fora da área começaram a ser a "arma" utilizada pelos jogadores coritibanos. Na base do desespero, pois o tempo passava e nada do time marcar seu gol, os chutes apareciam, mesmo que raramente. E quando apareciam, eram sem direção.
Estevam Soares mutilou todas as alternativas de ataque do Coritiba, mas os dois volantes e os dois zagueiros permaneceram até o final da partida.
Assim foi o segundo tempo, sem nenhuma chance real de gol para o Coritiba. Foi o suficiente para gerar coros de "Fora Gionédi!s, "Volta Bonamigo! e "Vergonha! após o apito final de Coritiba 1x1 Sport.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)