
AVALIAÇÃO
Novamente o Coritiba enfrentou um forte adversário, o frio e a chuva jogando no Monumental do Alto da Glória. Contra o Fluminense, até então líder do Brasileirão, exatos 20 mil torcedores compareceram ao Estádio do Coxa, comprovando tanto a fidelidade da torcida coritibana, como o sucesso da promoção feita pela Nestlé, que permitia a troca de uma lata de achocolatado Nescau por um ingresso, o que facilita o acesso dos torcedores com menor poder aquisitivo aos estádios.
A sina alviverde de perder jogadores durante esta temporada: num dos últimos treinos antes da partida contra o Flu, o zagueiro Flávio acabou sofrendo uma contusão e quebrando o nariz, o que fez o treinador Cuca alterar o esquema tático do Coxa, voltando ao 3x5x2, com Nascimento pela direita, Allan pela esquerda e o jovem Douglas Ferreiras, o Douglão, joganda na sobra. Douglas Ferreira veio do time de Juniores e fez sua estréia como profissional jogando no Couto Pereira.
Dos três zagueiros, Douglas Ferreira ficou encarregado para segurar o alto Tuta, que praticamente não tocou na bola. As jogadas aéreas do time tricolor não surtiram efeito. Um erro do árbitro Gaciba quase põe abaixo a boa estréia do jovem atleta perante a torcida coritibana, ao marcar equivocadamente uma penalidade de Nascimento, num lance em que a falta ocorreu fora da área. Mas o goleiro Coxa-Branca estava lá para defender a penalidade, segurando o placar de 0x0.
Nascimento foi um dos destaques, ao lutar durante todo o tempo. Sem perder uma dividida, o capitão do Coritiba lutou bravamente com o ótimo ataque do Fluminense. Já o zagueiro Allan, depois de um primeiro tempo inconstante, melhorou bastente na segunda etapa e colaborou com a armação defensiva do Cori.
Nas alas, James foi bem, procurando o jogo ofensivo e ainda marcando o lado esquerdo do time carioca. No segundo tempo, o jovem atleta coritibano fez uma linda jogada individual, fintando três zagueiros e cruzando rasteiro, para Caio, que teve o chute interceptado pelo zagueiro do Fluminense.
James mostrou personalidade e técnica nos avanços ofensivos. Ainda se adaptando ao time principal, o novato ala coritibano não se intimidou e comprovou que merece continuar sendo aproveitado por Cuca no time principal.
Já na ala esquerda, um problema crônico do Cori nesta temporada, Rubens Jr. voltou à titularidade e voltou a não apresentar um bom futebol. Tanto que acabou substituído no segundo tempo, por Ricardinho, que lutou, mas não apoiou com qualidade.
Rubens Jr. parece que precisa definir o que espera de sua estada em Curitiba: se quer continuar jogando pelo Coritiba em 2005 ou se quer tentar outra atividade profissional. Para a próxima temporada (ou quem saiba, ainda este ano), o jovem Fabinho, revelação do Cori pelo Coxa Jrs. mereça outra chances no time titular (ele atuou uma partida em 2004 como titular do Coxa).
O sistema defensivo do Cori contou com Douglas, em estupenda fase, defendendo até pensamento, além de um pênalti cobrado pela fera do time das Laranjeiras, o sérvio Petkovic. Douglas mostrou que mereceu o crédito em ser escolhido como o goleiro dono da camisa titular do Verdão, repetindo ótimas atuações, como esta contra o Fluminense. O desempenho do goleiro Coxa trouxe segurança e tranqüilidade aos zagueiros do Cori.
Sem Flávio e tendo que abandonar o 4x4x2, esquema tático que vem sendo utilizado pelo Cori já diversas partidas, Cuca mexeu também no meio de campo do time Coxa-Branca: recuou Capixaba para uma função mista (tanto marcar como primeiro volante, como armar como meia direita), o que trouxe mais mobilidade ofensiva, mas ao mesmo tempo desguarneceu a zaga Coxa, facilitando as ações dos atacantes tricolores. Nesta nova função, Capixaba teve um desempenho tático louvável contra o time carioca.
Completando o meio-campo, Cuca levou Jackson e Caio. As fortes chuvas que cairam em Curitiba durante todo o domingo prejudicaram a estratégia do treinador. Com um campo muito pesado, a velocidade dos ágeis Jackson, Caio e Rodrigo Batata (que jogou mais avançado pela esquerda) não pode ser utilizada como projetou o técnico Cuca na disposição tática do Cori.
Um destaque para o meio-campista Caio. O atleta procura o jogo, vai para cima dos zagueiros, sem receio. E além de procurar o jogo ofensivo, Caio sempre pede pelo apoio da torcida Coxa.
Na frente, Renaldo jogou isolado. Apesar de muita dedicação (Renaldo procurou dividir, voltar para marcar e chamar o jogo para si), a forte marcação tricolor e seu isolamento na grande área dificultaram seu desempenho contra o Flu.
Com apenas Capixaba jogando mais voltado à marcação, apesar de também ir bastante ao apoio, o Cori permitiu um grande espaço livre na intermediária durante o primeiro tempo, o que facilitou o serviço do time comandado por Abel Braga. Jogando com triangulações e avanços dos dois bons alas, o time carioca dominou o primeiro tempo.
Para piorar as coisas, Jackson ainda teve uma atitude infeliz, ao ser imprudente ao entrar de carrinho no lateral esquerdo do Flu, numa jogada de linha de fundo. Gabiba acabou expulsando o meia do Coxa, que tinha participado de todas as 26 partidas neste Brasileirão.
Vendo o time Coxa-Branca ceder muito espaço no seu campo de defesa, e ainda perdendo Jackson, expulso, o treinador do Cori sacou Rodrigo Batata, com uma atuação apagadíssima (talvez prejudicado pelo estado do gramado do Couto), para a entrada do brigador Peruíbe, outro atleta formado nas categorias de Base do Coxa.
Aproveitando a mexida, Cuca mudou a estrutura tática do time: fez duas linhas de quatro jogadores e diminuiu os espaços para o Fluminense.
A voluntariedade do determinado volante coritibano foram impressionantes. Incansável, Peruíbe marcou, marcou, marcou. Dividindo todos os lances, a atuação do volante trouxe consistência ao meio de campo do time Coxa-Branca.
Outra mudança tática no Verdão foi a troca de Renaldo, contundido, por Maia. O atacante, recém-contratado junto ao Gama, teve uma atuação apenas regular. Jogador de mais mobilidade do que Renaldo, Maia jogou bastante pelo lado esquerdo, procurando armar os contra-ataques do time Alviverde.
No segundo tempo, o Cori teve mais jogadas ofensivas do que na etapa preliminar. Caio e Capixaba tiveram duas boas oportunidades para marcar, mas concluiram para fora.
A dedicação do time Coxa-Branca em campo foi motivo para a torcida motivar-se, tornando-se o 11º jogador coritibano no segundo tempo. Ao final da partida, o treiandor Cuca parabenizou o torcedor alviverde. O comportamento da torcida Coxa também foi destacado pelo comentarista Dionísio, da Rádio Banda B.
No resumo da ópera, se por um lado faltou técnica alguns jogadores do Coritiba, sobrou vontade para todos eles.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)