
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Gustavo Morínigo iniciou a coletiva fazendo uma avaliação do jogo, visto que o primeiro tempo foi ruim e houve uma melhora no segundo e o porquê dessa diferença de rendimento entre os dois tempos: “Explicar o rendimento é difícil, mas qualquer time que no começo do jogo entra da maneira que entramos, não focados, aí ocorrem estas coisas. Foram duas ou três chegadas deles, um foi gol, acredito que por erros individuais e outro de pênalti, por não estar 100% focado. Fica difícil começar um novo jogo a partir do resultado, porque facilita o jogo do adversário que estava mais atrás, que só buscava transição, por mais que tivemos chances de gol, hoje não fomos felizes no primeiro tempo, talvez por falta de mais presença de área, ou caprichar um pouco mais, como duas ou três chances com Paixão que poderiam ter feito a diferença. No segundo tempo tive que buscar uma solução, coloquei o Egídio para ter mais jogadas de profundidade pela esquerda, o Adrian para fazer companhia ao Leo que estava muito sozinho e pelo outro lado, tirei o Mateus porque reclamou de dores na coxa, então entrou o Natanael, e essas trocas deram um novo ar e a partir disso fomos para cima deles, mas não conseguimos o que queríamos, mas valorizo o empate pois foi um jogo com um concorrente direto e mantivemos a distância deles.”
Morínigo também tentou explicar o mau rendimento do primeiro tempo, que mesmo com dois laterais defensivos deu muito espaço ao adversário, sendo que no segundo tempo, com laterais mais ofensivos já não deu tanto espaço. A respeito dessa questão, o técnico Coxa-Branca disse: “Existem coisas que o treinador assume e existem outras que o treinador não pode tomar a responsabilidade, assumindo responsabilidades aprendemos e melhoramos, mas não funcionou, não existe uma resposta, trabalhamos bem durante a semana, fizemos o trabalho que tínhamos que fazer, demos informações, colocamos os jogadores que poderiam nos dar uma segurança defensiva e uma ajuda ofensiva, mas não funcionou e são coisas que não podemos explicar. Rendimentos muito diferentes entre um jogo e outro, mas nós não temos como saber esse tipo de coisa. Assumimos a responsabilidade de armação do time e depois eu vou cobrá-los individualmente ou grupalmente.”
O técnico foi solicitado a falar sobre a importância do Igor Paixão, que hoje deu duas assistências para os gols e Leo Gamalho que chegou numa marca expressiva na artilharia do Coritiba. Sobre isso, disse ele: “Todos sabem da qualidade do Igor, não só fazendo gols, como dando assistências, o que também favorece é que estão há mais de um ano jogando juntos, e faz com que eles se entendam bem dentro de campo. Infelizmente hoje Paixão não fez gol, embora tenha tido duas boas chances no primeiro tempo, uma das quais foi na trave, mas estava o Leo que sempre nos entrega gols. Estamos fazendo gols, mas está nos faltando esta segurança defensiva que há tempos tínhamos demonstrado.”
Morínigo também explicou a questão da insegurança defensiva da equipe atualmente, em relação ao ano passado onde a defesa era o ponto forte. Explicou ele:
“Falamos no começo da temporada que a série A é muito mais qualificada, jogadores mais qualificados, muito mais velocidade, não há necessidade de muitas ações para fazer gol, então a diferença está sendo essa. Trabalhamos nesta parte defensiva, eu gosto que meu time seja bem marcador, que mantenha o placar em zero, porque daí existe a possibilidade de fazer na parte ofensiva, e estamos fazendo gols, mas na parte defensiva não estamos bem. Mas a segurança defensiva não depende só dos defensores, mas sim de todo o time, o trabalho tem que ser de todo o time, assim como o início e o fim da construção do jogo. Temos que seguir trabalhando, o departamento de futebol do clube está buscando melhores opções, precisamos ter essa concorrência dentro do elenco para elevar a performance de cada um.”
Gustavo Morínigo foi também indagado em relação à saída do Guilherme Biro, que estava recebendo algumas vaias, se a sua saída foi mais opção tática ou para preservar o emocional do jogador, e respondeu o seguinte: “Aqui são todos jogadores de primeira, não são meninos, tem que aprender a conviver com a pressão, assim como o Henrique que fez um segundo tempo maravilhoso. O pessoal julga e pré-julga muito, entendemos isso, mas são poucos, não são muitos. A torcida hoje esteve ao máximo em todo o momento, no segundo tempo estava maravilhosa, empurrou, e essa é a ajuda que precisamos. É claro que tem gente que vem mais negativo do que qualquer coisa, e talvez para esse pessoal que está sempre assim, o setor de visitantes do estádio está do outro lado, nós precisamos de gente que esteja conosco e a torcida nunca abandona e nós aprovamos e agradecemos isso. Mas tanto jogadores como eu não nos deixamos levar por isso, senão seria uma loucura, não faço trocas por essa pressão, não fazia ano passado e não faço esse ano porque sei o que faço e estou convencido disso.”
Perguntado sobre como vai armar a equipe contra o Flamengo com a ausência do Henrique que está suspenso, o técnico Coxa-Branca respondeu: “Não tem muito segredo, o Guillermo estará no lugar dele. A estratégia e a formação ainda não definimos, vamos ver depois do jogo deles agora. Será uma semana de tomada de decisões onde eles terão de conquistar sua posição.”
Sobre reforços que podem estar chegando ao Alto da Glória na próxima janela e como tem sido as conversas internas a respeito disso, Morínigo disse: “Repito, não é uma desculpa, mas existe muita diferença na questão do orçamento, quando seu orçamento é limitado, o mercado é limitado, e pelas posições que precisamos de jogadores, temos que fazer um trabalho muito certo, não podemos errar. Estão trabalhando muito, a diretoria está apoiando, o departamento de futebol está trabalhando muito, com muitos nomes, tratando de encontrar o melhor para o time, jogadores que venham tomar a posição ou que venham brigar pela posição. Precisamos pontuar, precisamos elevar nosso rendimento neste fim de turno e começo do segundo. Precisamos elevar nosso rendimento porque todos os times estão trazendo jogadores e estão melhorando e será um segundo turno bem brigado.”
A respeito dos dois próximos jogos que serão fora do Couto e contra times que estão na parte de cima da tabela, e ainda com a questão de que o Coritiba não conseguiu vencer fora nesta série A, o técnico foi indagado sobre como será a preparação:
“É algo que estamos trabalhando há muito tempo, com o departamento de futebol, a parte psicológica de tirar essa história ruim que temos em jogos como visitante. Temos que jogar o jogo, não podemos ir derrotados, e temos esperança em fazer um grande jogo porque são estes jogos que são bons de jogar, que eleva à um patamar diferente. Já fizemos bons jogos com alguns times que estão na parte de cima e podemos voltar a fazer, temos que nos preparar, ficar focados e jogar o jogo.”
O técnico Coxa-Branca foi solicitado a fazer um balanço sobre seu trabalho no clube já que figura entre os dez técnicos que mais treinaram o Coritiba na história. Sendo assim ele respondeu: “O balanço eu faço no dia a dia, semana a semana e até jogo a jogo, não busco me valorizar, mas que o time consiga o que estamos querendo buscar que é permanecer na série A. Não olho muito para os números, vou no dia a dia e procuro fazer melhor o meu trabalho e que este trabalho sirva para o Coxa.”
Por último, Morínigo explicou qual seria a formação ideal do meio-campo do time, embora Thonny Anderson e Val estivessem ausentes hoje: “O ideal é a equipe que vai nos dizer. A opção hoje foi pelo jogo que o Fabricio fez contra o Fortaleza, porque Thonny não foi bem naquele jogo, estamos recuperando o Régis que está trabalhando bem. O meio de campo hoje estava com o Willian e o Matias que soltamos um pouco mais, mas o Matias é mais marcador, não tanto de criação e perdemos essa bola longa, essa mudança de lado e chutes a gol que o Val poderia ter nos oferecido, e a geração de jogo que nos dava o Andrey, então as opções ficam limitadas, tínhamos também o Bernardo que tem as mesmas características, tanto de William como Galarza. As escolhas foram feitas na base do que achávamos que ia acontecer. O Matias jogou bem, correu muito, recuperou muito, brigou muito juntamente com o Willian, mas precisamos de jogo e no primeiro tempo, Fabricio não teve muito espaço para se movimentar. No segundo tempo tivemos que fazer as mudanças para ter outra ideia de jogo, que funcionou, mas o resultado não foi o que queríamos.”
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)