
AVALIAÇÃO
Por Luiz Carlos Betenheuser Júnior - COXAnautas
O Coritiba está de volta, depois de dois anos de uma infernal passagem pela Série B. Graças à raça dos jogadores e ao amor de sua torcida, o Coxa garantiu matematicamente uma das quatro vagas à Série A no próximo ano. Em casa, perante quase 36 mil presentes, o Verdão empatou em 2x2 com o Vitória - Fabinho e Túlio marcaram para o Cori -, mas com a derrota do Criciúma em casa, a combinação de resultados garantiu matematicamente a volta à Série A. Com 34 rodadas disputadas, agora o Alviverde tem 63 pontos, liderando a Série B. Na próxima semana, o Coritiba encara o Avaí, na capital catarinense.
Um vacilo e o empate no primeiro tempo
O Cori entrou em campo sendo recebido entusiasticamente por quase 33 mil pagantes, com direito a muita festa nas arquibancadas. O entusiasmo da torcida contagiou os jogadores coritibanos, que mostravam muita disposição, apesar de dificuldades para abrir espaço na defesa do Vitória, que veio com três volantes e o ultrapassado Jackson na armação de jogadas.
Com um trio de zagueiros em campo, o Verdão acabou tendo domínio nas ações contra o atacante Joãozinho nos primeiros minutos da partida. Na frente, o Cori sentiu a falta de Gustavo para equilibrar o jogo aéreo. Henrique Dias mostrava vontade, mas jogava mais pelo lado direito, sem buscar o jogo em direção à grande área.
Ivo tentou criar espaços, mostrou raça, mas sem poder técnico para jogar de ala, teve dificuldade para superar a marcação pelo setor esquerdo da defesa do time baiano, que tinha Daniel Cruz, ex-Coritiba, na lateral. Mesmo assim, na base da vontade, Ivo levou perigo ao gol defendido pelo Vitória, num arremate forte, que passou perto da meta.
Com os avanços de Apodi, bom lateral-direito dos baianos, que buscava o jogo ofensivo com qualidade e principalmente muita velocidade, o Cori acabou aproveitando um descuido pelo setor defensivo direito do Vitória para marcar seu primeiro gol. Pedro Ken achou um bom espaço e fez um ótimo passe para Fabinho entrar livre de marcação e bater na saída do goleiro. Era o que bastava para a galera enlouquecer quando eram jogados 30 minutos.
Na frente, Keirrison buscava espaços, saindo mais da área para abrir a marcação baiana. Ricardinho, pouco inspirado, não conseguia armar o jogo pela esquerda, apesar de tentar variar pelos dois lados do campo.
Num descuido de marcação, os três zagueiros do time Coxa-Branca cederam muito espaço e o bom atacante Joãozinho, ao lado do lateral Apodi as grandes figuras do time de Salvador, aproveitou para marcar o gol de empate, colocando a bola no canto esquerdo da meta de Édson Bastos, aos 41 do primeiro tempo. A bola ainda bateu na trave antes de morrer no fundo das redes.
Mais um vacilo e o empate no segundo tempo
Com pouco poder ofensivo pelo lado direito, René mudou o time, tirando Ivo para a entrada de Túlio. Nos primeiros momentos do tempo final, a mexida no time trouxe resultados: foi com Túlio, aos 6 minutos, depois de receber o passe de Fabinho - cobrando rapidamente uma falta lateral - que o Cori chegou ao seu segundo gol, um golaço em batida forte de fora da área: 2x1 Coritiba, para a explosão de felicidade da torcida Coxa-Branca que lotava o Couto Pereira.
O time do Alto da Glória levou perigo ao gol defendido pelo Vitória numa boa jogada de Keirrison, que entortou a marcação dentro da área baiana e chutou forte, com a bola batendo na rede pelo lado de fora.
Melhor em campo até por volta dos vinte minutos, o time coritibano começou a perder espaços após as mudanças acertadas do treinador Vadão, que tirou um volante e colocou o meia Luiz Henrique. Vadão também trocou o veterano Jackson, escondido do jogo, para a entrada de Sorato. E as mudanças no time baiano deram certo, já que o Cori não tinha um volante de maior força de marcação e não aproveitava as subidas do lateral Apodi.
O Vitória chegaria ao empate, depois de avançar mais seu jogo para o campo de defesa. Numa série de vacilos no ataque e na defesa, o Coritiba cederia o empate. Aos 27, num lance inacreditável, Henrique Dias recebe na área, ganha a disputa com a defesa, corta de forma magistral um zagueiro e fica com de frente para o gol, livre de marcação. A finalização vem forte, por sobre o travessão, e o atacante perde um gol incrível. No lance seguinte, o time de Salvador empatou, novamente com o artilheiro Joãozinho, que aparou um cruzamento e, sem receber a pressão dos três defensores coritibanos - que estavam dentro da área e não chegaram a tempo para pressionar o avante - chutou de fora da área, sem ser importunado também pelos meio-campistas, colocando a bola no cantinho.
René ainda tentou reverter o quadro tático da partida, colocando Caíco no lugar de Ricardinho, que alternou altos e baixos durante o jogo e tirando Henrique Dias - muito abatido após perder o gol e dar chance para o Vitória empatar no contra-ataque - para a entrada de Anderson Gomes, que também não conseguiu superar a defesa do time nordestino.
Nem mesmo com a expulsão do meia Luiz Henrique, que levou dois cartões amarelos e abusou dos pontapés no pouco tempo que esteve em campo - no primeiro cartão recebido, o atleta do Vitória abusou também de reclamar da marcação do árbitro -, bem como a expulsão do treinador Vadão, que também reclamou muito do apitador até ser expulso, o time Coxa-Branca conseguiu superar a defesa do Vitória.
A montagem tática de Vadão foi superior à de René Simões e o time alviverde ainda sentiu falta de opções para o setor de ataque, que não conseguiu superar a boa postura defensiva do time baiano neste jogo - no geral da competição, o Vitória se caracterizou por marcar muitos gols mas também sofrer vários outros.
Com o empate em 2x2 e a combinação do resultado do jogo do até então quinto colocado Criciúma (derrota por 2x0, em casa, para o Santo André), o Coritiba atingiu matematicamente a classificação à Série A em 2008.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)