
OPINIÃO
Quando os assuntos álcool, noite e atletas de futebol estão correlacionados, a polêmica é certa. Se para alguns torcedores os atletas podem fazer o que bem entenderem durante suas folgas, desde que isto não reflita negativamente em seu desempenho, para outros torcedores o consumo de álcool, o fumo e as noitadas são palavras banidas do dicionário do seu time de coração.
Para voltar à Série A, já em 2007, o Clube investe em profissionais de várias áreas, como preparadores físicos, psicólogos, assistentes sociais, fisiologistas, nutricionistas, treinadores de futebol. Mas o comportamento extra-campo de alguns pode estar prejudicando o seu desempenho do time dentro de campo. E ninguém melhor do que os próprios profissionais do Verdão para avaliar esta situação.
O grande problema é saber o quanto este comportamento extra-campo interfere em cada atleta, de forma a comprovar cientificamente que estes hábitos são realmente nocivos ao desempenho de atletas de alto nível.
Em 2004, um texto publicado na Revista Makenzi de Educação Física (Editora Mackenzie, ano 3, número 3) avaliou o consumo de álcool por esportistas. Denominado "O consumo de álcool e o esporte", assinado por Maristela Burgos Pimentel dos Santos e Taís Tinucci, após 17 páginas, traz a seguinte conclusão:
"Que o consumo exagerado de álcool não aumenta o desempenho dos atletas todos já sabiam, mas será que seu consumo leve, ou mesmo moderado, é tão prejudicial quanto se supõe? Estudos provaram que, na maioria das vezes, não.
Mesmo com as dosagens mais altas, batimentos cardíacos, rendimento cardíaco, VO2 máximo, pressão arterial, ventilação, concentração de lactato, capacidade de trabalho, fluxo sangüíneo muscular, diferença de oxigenação arteriovenosa e metabolismo energético não diminuíram, ou seja, não houve queda no rendimento físico. No entanto, o tempo de reação aumentou na maioria das pesquisas. Já em estudos sobre a “ressaca”, a capacidade aeróbia sofreu queda com a ingestão de quaisquer dosagens. Entretanto, a capacidade anaeróbia permaneceu inalterada".
No caso dos atletas do Cori, que recentemente saíram à noite e foram vistos bebendo álcool, não temos informações complementares sobre a quantidade exata do consumo. Aliás, dificilmente alguém terá.
Entretanto, além de saber se o consumo foi ou não exagerado, outro fator merece mais estudos: quanto tempo estes atletas ficaram acordados, durante as suas folgas (ou não), bebendo ou conversando? Tiveram eles o descanso ideal? Alimentaram-se adequadamente?
Outro aspecto que é prudente ser avaliado é o emocional, tanto do jogador, como do torcedor. Faz até parte do folclore do futebol que os torcedores não veêm com bons olhos jogadores saindo à noite, sobretudo quando o time não está bem.
É certo que o time do Coritiba não estava bem antes da parada da Copa do Mundo. Tanto que nem entre os quatro primeiros classificados ficou na tabela. Depois de 10 dias de descanso, os jogadores voltaram aos treinos e até o momento o torcedor não teve condição de avaliar o desempenho do time, já que os treinos são abertos apenas à imprensa.
E nessa dúvida, reside um ponto crucial na análise: como o passado condena os atletas, já que o Cori não ficou entre os quatro melhores, o impacto junto ao torcedor, é, em primeira análise, mais negativo do que positivo.
É um desgaste emocional (absolutamente desnecessário, diga-se de passagem) para o torcedor saber que num momento tão crítico na existência quase centenária do Clube, saber que seus jogadores estão saindo à noite, apesar do mau momento no campeonato e da necessidade de priorizar a volta à Série A, já em 2007.
Numa situação tão complicada para uma coletividade como a torcida de um clube de massa, todos os cuidados são necessários. Os detalhes são importantes. Será que é conveniente e oportuno para um elenco com 30 atletas, ter uma minoria saindo à noite, abusando ou não do álcool? Como será encarada esta situação pela torcida? Será ou não bem aceita? O tempo dirá. Mas certamente, se dentro de campo o time não apresentar bons resultados, mais pressão virá das arquibancadas. É o preço que se paga por jogar num time grande, dono de uma fiel torcida.
Se fosse recomendar, nada melhor do que relaxar com os amigos no lugar certo, na hora certa. Ter bom senso para decidir. Quando o time está bem, tudo vai bem para o torcedor. Também é folclórico que torcedores "até pagariam uma para o jogador se o time vencer". O nível de tolerância é absurdamente maior. Não é o caso no atual momento do Coritiba Foot Ball Club.
O torcedor tanto espera pela mensagem emblemática de seus jogadores: nós estamos juntos da torcida, pensando e agindo exclusivamente visando voltar para a Série A, já em 2007. A dúvida é: quais jogadores realmente pensam desta forma?
Equipe COXAnautas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)