
Piá, herói, do Couto
Por: Jorge Junior
Guilherme Biro, que ano passado saiu chorando de campo em partida contra o Grêmio após ser substituído aos 19 minutos da primeira etapa, representa a gangorra que é a vida de um jogador de futebol. Ainda sem agradar parte da torcida alviverde, o Piá do Couto foi o herói improvável da partida contra o Guarani. Foi dele o gol da vitória que construiu mais um degrau no já bem pavimentado caminho de retorno à Série A.
Mas Biro é uma exceção. Assim como têm sido Natanael e Igor Paixão, que estão provando como deve ser trabalhada a transição da base para o profissional. Muito diferente do que ocorreu em 2018, quando a gestão do Coritiba resolveu “inovar” e lançou como titulares no Campeonato Paranaense os meninos, que, em 2017 sagraram-se vice-campeões brasileiros Sub-20, perdendo a final para o Cruzeiro. Marcos Moser, Romércio, Thalisson Kelven, Leo Andrade, Vitor Carvalho e Julio Rusch, entre outros tiveram a missão de representar o Coritiba no Paranaense de 2018. O resultado foi desastroso. Perdeu o Campeonato Paranaense para o rival, passou sufoco contra o glorioso Parnahyba na Copa do Brasil; e, com um elenco contando com João Paulo e Alecsandro entre outros que não deixaram a mínima saudade no torcedor Coxa-branca, o alviverde amargou outro ano na série B. Daquela geração, estão todos espalhados por times menores pelo país e do exterior sem dar o retorno técnico e financeiro esperados.
Entre estes ainda tinha Mosquito, artilheiro do Brasileiro sub-20 com 9 gols, que abre outro capítulo à parte quando se trata de como o Coritiba mostrou completa incapacidade de trabalhar os assuntos relacionados às categorias de base. Depois de uma longa batalha judicial, aquele que prometia ser uma das grandes joias daquele elenco saiu de graça para o Corinthians. Outros nomes mostram como nossas categorias de base têm sido depreciadas nos últimos anos. Igor Jesus saiu do Coritiba por 2 milhões de dólares e em menos de seis meses, jogando no modesto futebol árabe, foi cogitado por times europeus. Na equipe do ano passado, muitas vezes o atacante era visto perdido no meio da zaga ajudando na defesa. Matheus Cunha engrossa essa lista. Em 2017, teve 85% do passe vendido ao Sion da Suíça por 700 mil reais. Este valor pagou 3 meses e meio de salário a Galdezani, que teve passe adquirido com a venda de Cunha. Logo após os Jogos Olímpicos, Matheus Cunha deixou o Hertha Berlin e foi para o Atlético de Madrid, por 189 milhões de reais. E não para por aí a lista dos maus negócios. Zé Rafael, vendido ao Bahia por 1 milhão de reais em 2017, dois anos depois foi revendido pelo tricolor baiano ao Palmeiras por 15 milhões.
Não deixa de ser um alento ver como a nova gestão tem trabalhado o contrato de vários dos campeões do Brasileiro Sub-20 deste ano. Biel, Robinho, Thalisson, Márcio, Nathan Miranda, Bernardo, Ângelo e Luizão estão incorporados ao elenco. Alguns deles a todo momento têm seus nomes ventilados para assumir a posição de titular da equipe. Não há dúvidas que isso tende a ocorrer, assim que Gustavo Morínigo entender ser o momento certo, para que não se repitam os erros de anos anteriores e que o clube tenha de se desfazer de suas joias para, depois, contentar-se com valores muito menores pagos através do Mecanismo de Solidariedade da Fifa pela formação dos atletas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)