
AVALIAÇÃO
Foto: Dante Oguido/Stock.xchng
Não faltou vontade de quase todo o time do Coritiba. Exceto pelo burocrático Paulo Miranda, o time Coxa-Branca bem que lutou, acertou três bolas na trave, marcou seu gol numa jogada individual de Caio e ainda teve boa parte do segundo tempo com um jogador a mais, devido a uma expulsão de Luciano. Bonamigo errou no modelo tático, facilitando o trabalho defensivo proposto por Hélio dos Anjos. O árbitro foi fraco, tendo errado em duas oportunidades, não assinalando penalidades máximas para o Verdão, na opinião do comentarista Dionísio Filho, da Rádio Banda B.
De concreto, é que o Coritiba ficou no empate em 1x1, caiu na tabela, ocupando agora a sexta colocação, com 51 pontos. Para piorar o panorama, na próxima rodada joga fora, contra o América/RN, um candidato direto ao G4, que tem um ótimo desempenho em casa.
Sobre o jogo
O Náutico fez aquilo que muita gente esperava: jogou com duas linhas de quatro defensores, buscando na velocidade de seu ataque a arma do contra-golpe, aproveitando os espaços deixados com as saídas de Ricardinho.
O gol do time alvirrubro saiu logo no início da partida, numa jogada de Netinho e Kuki, os principais jogadores do time de Recife , trocaram passes pela esquerda da zaga Coxa, aproveitando na subida de Ricardinho, que não teve a devida cobertura de Paulo Miranda. O cruzamento veio a meia altura para Felipe antecipar aos defensores e tocar para as redes de Artur, logo a 5 minutos de jogo.
Com a desvantagem no placar, o Cori foi à frente, empurrado pela fiel torcida. Foram quase 20 mil coritibanos que cantaram sem parar, sob um tempo chuvoso da noite de terça-feira. O time alviverde correu, procurou triangular, mas o esquema defensivo do Timbu, bem armado por Hélio dos Anjos, impediu bem os avanços.
Rodrigo Mancha sentiu uma contusão e deixou o campo, para a entrada de Rodrigo Batata, ainda no primeiro tempo.
Na base da pressão, o Coxa chegou perto de marcar, com Batatais, que acertou uma boa cabeçada, com a bola explodindo na trave. Edu Sales quase fez um belo gol, numa bicicleta cuja finalização passou raspando a trave. Caio, um dos melhores em campo marcou o gol do Verdão aos 43, num lindo arremate de fora da área, com a bola indo no ângulo direito da meta do alvirrubro: 1x1, para explosão de felicidade da massa Coxa.
No segundo tempo, Bonamigo manteve o mesmo time e o Náutico, o mesmo objetivo: defender-se com unhas e dentes, já que o empate lhe era favorável na tabela de classificação. O Cori dominou as ações, com mais posse de bola e com 18 finalizações, contra 6 do time de Recife (estatísticas da Rádio Banda B).
Apesar de dominar o jogo, o time Verde e Branco não acertou o pé nas finalizações. Edu Sales perdeu um gol incrível, depois de linda jogada de Caio, que fintou os zagueiros, entrou na área e passou na medida para o atacante, quase na pequena área, com o goleiro batido, acertar o travessão e perder a chance de desempatar.
Na base da força da torcida e na luta de quase todo o time, o Coxa foi à frente. Ricardinho e Andrezinho bem que lutaram. Cristian e Caio também procuraram o jogo. Na zaga, Índio e Leandro deram conta do recado, com André Nunes entrando no jogo, no lugar de Batatais, depois do Náutico ter Luciano Totó expulso pelo apitador.
Paulo Miranda, lento na armação do contra-golpe, abusando dos passes laterais, teve um desempenho fraco. Defensivamente, o segundo volante ganhou apenas uma dividida em todo o jogo.
No tempo final, Edu Sales pareceu cansar, pecando nos arremates e nos avanços pela direita. Mesmo com a vantagem numérica, Bonamigo optou por não fazer a terceira substituição. Com apenas um atacante de ofício, o trabalho tático do Cori foi dificultado.
O time pernambucano jogou com três zagueiros, e um dos voltantes fazendo o trabalho de quarto defensor, eliminando espaços para o trabalho dos alas. No tempo final, Hélio dos Anjos colocou o armador Sérgio Manoel, ex-Coritiba, para tentar o contra-golpe em velocidade com Kuki.
O Alviverde dominou também o tempo final, mas não conseguiu marcar, faltando competência ofensiva e variações táticas à altura da necessidade de se ganhar em casa, com a vantagem de ter um jogador a mais.
O se não joga
Se por um lado não faltou vontade, por outro faltou qualidade. Se por um lado em três vezes a bola explodiu na trave e saiu, por outro o adversário aproveitou sua única chance de gol e marcou, inapelavelmente.
Se por um lado o Cori mostrou determinação, por outro o Náutico não ficou atrás, levando a vantagem na tabela em consideração, ao apresentar um futebol matreiro, irritando o time Coxa-Branca. Se por um lado a torcida fez a sua parte, cantando o tempo todo, o time não fez a dele, vencendo o jogo.
O Coxa merecia vencer, mas o 'Se' não joga e o empate foi bom só para o Náutico, que ficou no G4, mantendo a diferença de dois pontos e se distanciando do Verdão, já que o Paulista venceu e assumiu a quinta colocação.
A cada rodada fica mais difícil
Esta noite de terça-feira, 31 de outubro, serviu para deixar as bruxas rondando o Alto da Glória.
Não faltou aviso, faltou competência.
O time milionário do Coritiba novamente não vence em casa um adversário que teve uma desvantagem numérica durante a partida.
Agora, é vencer fora de casa, contra mais um adversário direto, o América/RN, time que tem um bom desempenho jogando em Natal.
A cada rodada que passa, a situação do Coritiba fica mais difícil e o sonho de voltar à Série A, em 2007, mais distante.
Faltando seis rodadas, o Cori precisará fazer fora de casa o serviço que não fez contra times como o Guarani, o Sport, Ceará, São Raimundo e Náutico, em partidas onde teve o domínio mas não a competência para vencer. Não será nada fácil para os jogadores, o treinador e o Presidente do Coritiba cumprirem suas promessas: voltar em 2007 para a Série A.
Ainda existe sinal de vida, principalmente vindo da torcida, que novamente fez o seu show.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)