
EDITORIAL
As maiores virtudes dos homens são os seus valores. São eles que permitem uma boa noite de sono após um árduo dia de trabalho, quando somos obrigados a tomar decisões que podem mudar o rumo de pessoas, empresas, instituições.
Na noite desta segunda-feira, 21, dezenas de Conselheiros do Coritiba, após provavelmente um árduo dia de trabalho, com suas respectivas obrigações, se reuniram em uma das salas de uma das instituições que mais amam (sim, é legítimo acreditar que os Conselheiros desse clube estão lá porque amam o Coritiba) e fracassaram na tentativa de fazer um Coritiba maior (sem nenhum trocadilho), melhor e com valores renovados.
Não se está fazendo nenhum juízo de valor sobre os R$ 200 mil doados à campanha de Gomyde à FPF. As investigações foram feitas e cada conselheiro tem, na sua consciência, o "juiz mais fiel" para este caso. Mas fiquemos no caso WhatsApp. O que aconteceu com o Coritiba neste episódio, ultrapassou os limites da falta de respeito. Com colegas de clube, com pessoas que carregam algum tipo de limitação física, com idosos, mas, sobretudo, com os torcedores do Coritiba, a razão de ser deste clube.
A humilhação que estes senhores (todos que estavam sendo julgados pelo Conselho) nos fizeram passar a nível nacional não deve ser negligenciada. Por suas atitudes, o Coritiba deixou de ser um clube de futebol e passou a ser visto como um verdadeiro colégio, uma instituição desmoralizada por seus próprios dirigentes, um retrato da bagunça.
E justamente quando o Coritiba tem, mais uma vez, a chance de resgatar um pouco de sua já abalada credibilidade perante a opinião pública, fracassa novamente. O número de votos a favor da absolvição se torna irrelevante se compararmos às consequências que isso nos trará para o futuro, a primeira delas, bem clara: o Conselho do Coritiba, entidade que mais deveria zelar pela imagem do clube perante a sociedade como um todo, compactua com tais atos que, por jurisprudência, podem voltar a ocorrer sem qualquer tipo de punição, visto que foi considerado "normal" todo esse dano à imagem do Coritiba.
Convido o leitor a fazer uma reflexão sobre o precedente que se abre com este tipo de decisão. Se expor a instituição à uma baixaria generalizada não pode ser considerado suficiente para punições severas, o que seria pior que isso? O que este Conselho, representado por um presidente que deixou claro que sua prioridade não é o Coritiba ao abandonar o seu mandato, considera grave? Pior que isso, qual a validade das decisões do Conselho do Coritiba daqui para frente? Que tipo de representação é essa que não atende o clamor popular do maior bem de um clube - a sua torcida?
Torcedor Coxa-Branca, para você, que tem a sua consciência tranquila por tomar decisões que visam apenas o benefício da sua paixão, será mais fácil dormir todos os dias, mesmo que, dentro de campo, o Coritiba não passe por uma boa fase. Para você, para nós, a luta continua. Já para aqueles que, neste dia 21 de dezembro de 2015, entenderam que a humilhação faz parte de seus valores, o sono será muito mais difícil.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)