
PÓS-JOGO
Nos últimos anos, os torcedores estão se acostumando com a nova forma de competição do Campeonato Brasileiro: a dos pontos corridos. Assim, aprendem diversas coisas. Aprendem que cada ponto perdido no começo do campeonato faz falta no final. Aprendem que cada vitória conta por 3 empates e 3 vitórias contam por 9 empates. Portanto, vale mais arriscar a derrota e lutar pela vitória do que se contentar com o empate. Mas, acima de tudo, aprendem e ouvimos por inúmeras vezes na TV que "Cada jogo é uma final de campeonato."
Bem, nem todos aprendem.
O Coritiba entrou em campo irreconhecível nesta tarde de sábado. Não foi a mesma equipe que bateu o Remo, que goleou a Portuguesa. Ou foi? Cabe aos torcedores questionar se os fatos que realmente aconteceram nestas partidas anteriores não taparam o sol com a peneira. Contra o Remo, o Cori foi melhor, mas só conseguiu os três pontos por uma falha incrível do goleiro. Contra o Guarani, mostrou o mesmo futebol medíocre contra o Brasiliense, marcando um gol num pênalti que a sorte lhe presenteou. Contra a Portuguesa, durante mais de 60 minutos, o time coritibano também foi inofensivo. Depois do gol, a equipe voltou a se soltar e exercer o futebol que a torcida tanto merece assistir. Hoje novamente fomos péssimos.
Em quatro partidas, o Verdão mostrou um futebol para subir para a Série A em apenas 30 minutos. Pouco para toda a torcida que se cansa das besteiras que vê a cada novos 90 minutos. A mudança necessária para o Coritiba ainda não aconteceu. Este sábado nos mostrou que tapamos o sol com a peneira.
Numa análise bastante breve, nota-se que as contratações foram boas, mas pararam muito cedo. O Náutico, que eliminou o Coxa da Copa do Brasil, contrataria doze novos jogadores. Desde então, o Coritiba não contratou nem metade deste número.
A carência é visível nas duas laterais, com gravidade. Substitutos a altura para Jackson, Caio, Alberto. O campeonato é longo. Mas, continuando a análise, se o elenco é bom por que nos apresentamos tão mediocremente nestas partidas que se passaram? Vontade? Raça? Armação errada? Retranca? Gramado ruim?
Todos estes fatores são relevantes, mas a torcida espera mais do grande Coritiba. Nem o mais pessimista dos torcedores acreditava que poucos anos antes de seu Centenário, o Glorioso Coritiba estaria perdendo de 4x1 na Série B do Campeonato Brasileiro.
Um jogo para se esquecer
O desastre começou cedo. No primeiro ataque agudo, aos seis minutos, o Brasiliense abriu o marcador. De cabeça, Padovani. Os dois zagueiros do Cori, quase irrepreensíveis até este momento do campeonato falharam feio. A desatenção dos primeiros minutos continua presente no Alto da Glória. Durante o ano de 2005, o Alviverde chamou a atenção pela quantidade de gols que tomava nesta faixa de tempo, tendo que buscar o resultado depois.
A marcação sob pressão do time de Brasília atordoava a equipe do Verdão, que, com os volantes armadores de Estevam Soares não conseguiam acertar nada além de passes na fogueira. Em um destes, Ricardinho não teve o domínio completo da posse de bola, o meia Carlos Alberto roubou a bola e fuzilou: era o segundo gol do Jacaré, como o Brasiliense é chamado pela sua torcida.
Só depois deste segundo gol, aos onze minutos de jogo, começou a partida de verdade para o Coritiba. O Brasiliense afrouxou a marcação e o meio de campo do Alviverde conseguiu realizar algumas jogadas com Caio e Fábio Pinto.
Em alguns espasmos de criatividade, Andrezinho teve duas boas oportunidades, mas com chutes fracos, não ofereceu nenhum perigo ao gol do time de casa.
Aos 37, Caio perde grande chance na marca do pênalti, chutando a bola para longe.
Antes do fim do primeiro tempo, um lance polêmico, no qual Caio é derrubado pelo adversário, mas a arbritragem, confusa durante os 90 minutos, nada marca.
O segundo tempo começa com Anderson Gomes e Eanes nos lugares de Ricardinho e Fábio Pinto. Os dois, que incendiaram o jogo contra a Portuguesa, não tiveram o mesmo desempenho brilhante no jogo em Taguatinga. Apesar da maior velocidade e movimentação ao ataque Coxa-Branca, pouco fizeram para servir Alberto, que continuou isolado na frente.
O Coritiba voltou com mais volume de jogo para a etapa final, mas quem teve que trabalhar foi Kléber, aos 5 minutos, em boa defesa.
Aos 12 minutos o Coritiba marcaria seu único gol. Numa besteira da zaga do Brasiliense, a bola sobrou para Eanes que finalizou para a boa (mas parcial) defesa do goleiro; no rebote, o artilheiro Alberto só teve o trabalho de empurrar para dentro.
O que parecia trazer esperança à torcida não passou de um lance esporádico. O técnico Lula Pereira volta a tomar o controle da partida ao tirar Giovane e colocar Breno na equipe.
Em 15 minutos, a equipe da casa faria dois gols e liquidaria o jogo. O primeiro, aos 22 minutos, com Augusto, que fez o que quis sobre Andrezinho e chutou, sem ângulo e sem marcação, no canto esquerdo baixo de Kléber. Depois, aos 32, Breno em um contra-ataque fulminante selou o resultado, na saída do goleiro coritibano.
O Cori só voltou a buscar o gol aos 37 com Alberto em chute fraco. E foi só. Literalmente, mais nada em termos ofensivos para o Cori. Foi o fim do vexame na Boca do Jacaré, numa tarde para apagar da memória da fiel torcida Coxa, que tanto ama seu time de coração.
Após o apito final, entrevistado pelo repórter da RPC, o treinador Estevam Soares (foto) culpa a viagem de doze horas para Brasília como fator de cansaço do elenco, sendo este o motivo principal da derrota. Quem dera tivesse ficado quieto!
A torcida está cansada de desculpas bobas como esta. O Coritiba é uma equipe de primeira divisão na segunda, se está onde está é por uma série de erros consecutivos que continuam acontecendo. Para voltarmos a um lugar de destaque, temos que passar por cima de qualquer besteira como essa de cabeça erguida. Um time grande não pode se abalar por qualquer coisa. A torcida espera que a raça de equipe seja suficiente para ultrapassar qualquer obstáculo.
O Coritiba, temido pelos times da Série B, tido como um dos favoritos e, principalmente, respeitado pelo seus adversários, demonstra fraqueza perante a limitadíssima equipe do Brasiliense.
O clima ruim e a apreensão voltam diante da partida mais importante do ano, contra o líder do campeonato. Sábado que vem, frente ao Sport Recife, o elenco Coxa-Branca precisa mostrar muito mais que mostrou sábado, em Taguatinga. Mostrar especialmente em atitude e vontade, porque cada jogo é uma final, e cada final que perdemos nos distancia do nosso objetivo: voltar à Série A em 2007.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)