
MEMÓRIA
Há 19 anos atrás, Curitiba parou. Parou para comemorar o mais importante título conquistado pelo maior entre os maiores times de todos os tempos do futebol paranaense: o Coritiba Foot Ball Club.
Naquele ano de 1985, o Presidente Evangelino da Costa Neves montou um time que seria comandado por Ênio Andrade (já falecido), treinador experiente e competente, que comandou
um grupo de jogadores dedicados, valentes, incansáveis e muito competitivos.
O Coritiba de 1985 teve que por diversas vezes comprovar seu valor. Nas fases classificatórias enfrentou os principais times do país. Jogo a jogo o Cori avançou, contra tudo e contra todos.
Alguns jogos ficaram na memória dos torcedores alviverdes que acompanharam a campanha, como a vitória contra o Cruzeiro (3x2 no Mineirão, com dois gols de Índio e um de Paulinho), o Flamengo (no Rio, gol de Marildo), o Santos (2x1, com direito a gol de Lela aos 46 minutos do segundo tempo, que fez o Couto literalmente tremer), Corinthians (1x0, também gol de Lela).
Na semi-final, o adversário foi o Atlético-MG e a decisão ocorreu em duas partidas. Na primeira partida, vitória Coxa com um gol do zagueiro Heraldo, num Couto lotado.
Com a vitória em casa o Coxa, o Coxa foi para Belo Horizonte enfrentar um Mineirão lotado. Muita pressão da torcida mineira, e um ramático empate no Mineirão (0x0), numa partida onde o goleiro Rafael só não fez chover.
Esta partida contra o alvinegro mineiro deixou para a história do Clube dois lances históricos: o primeiro, uma defesa do goleiro Rafael, que à queima roupa, segurou a bola sobre a linha do gol.
O segundo lance histórico nem sempre é relembrado em transissões televisivas, mas ficou guardado na memória de muitos torcedores do Coxa. Vamos a ela, voltando no tempo.
Final do segundo tempo, o Coxa segurava o empate de forma heróica e o árbitro marca uma falta nas proximidades da grande área. No time de Minas, Nelinho, temido lateral direito por ser o dono de um dos chutes mais potentes de todo o mundo. Gomes, zagueirão do Coxa está na barreira. Nelinho corre para a bola e Gomes se atira em direção ao chute, colocando o próprio rosto contra a bola.
Pensei comigo mesmo (e tenho certeza que muitos também pensaram): "eles não marcaram agopra, não marcarão nunca mais!". E foi assim. A partida terminou empatada e o Coritiba ganhou no campo o justo direito de decidir o título daquele ano.
Rafael, Jairo, André, Gomes, Heraldo, Dida, Almir, Vavá, Marildo, Marco Aurélio, Tóbi, Lela, Índio, Édson, Paulinho, se unirem em torno de um único objetivo, o de conquistar o título daquele ano. Depois de superarem o Galo, o treinador Ênio Andrade resolveu ficar em BH, treinando o time para a final, que seria realizada em apenas uma partida, no Maracanã. Se houvesse empate, a decisão iria para a prorrogação e pênaltis, se fosse necessário.
Ênio parecia saber o destino da final. No Rio, os jogadores do Bangu comemoravam o título que para eles e boa parte da imprensa nacional, ficaria no Rio, com o time alvirubro. Em Minas, afastado da euforia da torcida, o time Coxa treinava em silêncio.
A decisão começou no dia 31 de julho de 1985, num Maracanã lotado, mais de 100 mil torcedores (92 mil pagantes), uns 10 mil Coxas, maior número de torcedores de um time de fora do Rio presentes numa decisão no Maracanã até aquela data (este número foi suplantado apenas pela torcida santista numa decisão de brasileiro contra o Flamengo, anos depois).
No tempo normal, 1x1, gol de Índio, numa cobrança de falta perfeita (e treinada por Ênio Andrade). O time carioca empatou ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, o Bangu faz o segundo gol, numa jogada irregular. O árbitro paulista Romualdo Arppi Filho acertadamente anula o gol.
E a decisão vai para a prorrogação.
Novo empata na prorrogação e a decisão do título vai para os pênaltis. O Bangu bateu primeiro, com Gílson que cobrou e fez. Índio bateu o primeiro para o Cori, acertando e empatando. Pingo bateu e marcou. 2x1. O meio campista Marco Aurélio bateu empatou para o Coxa. Baby, fez 3x2. O ponta esquerda Édson empatou novamente, 3x3. Mário fez 4x3 para os cariocas. Lela empatou e fez a famosa "careta" no Maracanã. Marinho, principal jogador do Bangu, encerraria a série. Ele fez, 5x4. O zagueiro Vavá, que entrou nos últimos minutos do segundo tempo da decisão correu para a bola. Mesmo desequilibrado, Vavá acertou o chute no canto do goleiro Gilmar. Tudo empatado novamente, 5x5.
Com o empate, nova série de cobranças, desta vez alternadas. O Bangu bateria primeiro. O ponta esquerda Ado vai para a cobrança. Ele corre para a bola e procura inverter o canto do milagreiro Rafael. Erro, Ado errou! Bola para fora, Coxa em vantagem. Ado leva as mãos à cabeça e chora. Enquanto isto, Rafael pula, salta, comemora.
Gomes, experiente zagueiro Coxa, bateria o pênalti. Nos pés dele as esperanças da maior torcida do estado do Paraná. Gomes ajeita a bola, corre e bate... e acerta. No canto de Gilmar, que pulou certo em todas as cobranças do Coritiba. Mas não teve jeito: Coritiba, Campeão Brasileiro!!!.
Dali em diante, só festa. Mas esta é outra história...
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)