
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Guto Ferreira iniciou a coletiva fazendo uma avaliação da estratégia utilizada no jogo de hoje, em que o Coritiba teve mais uma derrota fora de casa. Explicou ele: “Nós fizemos um jogo bastante interessante e bom até a gente tomar o gol, nós tivemos bola na trave? Tivemos. Tivemos boas defesas do Gabriel, mas tivemos boas defesas do Gatito também, tivemos chances de gol, bate e rebate dentro da área, bolas difíceis e tivemos muito perto de fazer o gol, e uma jogada que poderia ser uma jogada decisiva, mais uma vez a arbitragem pesa. Se eu for analisar jogadas sem tanto peso na partida, ele inverteu vários lances, dava de um lado e não dava do outro, não sei qual critério ele adotou, por exemplo, no primeiro tempo o meu jogador foi tocado no ar, logo no início do jogo e desabou, ele mandou seguir e disse que não foi nada, aí no lance do Júnior Santos, parece até que ele machucou-se, estimo as melhoras para ele, ele apitou a falta, um lance igual, a tal da cama de gato, por que de um lado sim e do outro não? O que ele apitou no lance em que fizemos a tabela e o Bruno fez o gol? 1 x0 para gente naquela altura do jogo, 24 minutos do segundo tempo, do jeito que a gente estava jogando e o Botafogo já entrando no desespero, a gente ia fechar a casinha e não tomava gol mais. E infelizmente o gol não surgiu numa jogada deles, surgiu numa bola parada que nós erramos, nós tivemos uma falha, aliás, algumas falhas individuais, infelizmente, são coisas que a gente tem que ajustar, e surgiu num momento em que houve algumas trocas, mesmo havendo explicação, havendo uma série de situações, a mudança acaba gerando um espaço que eles acabaram aproveitando infelizmente. O segundo gol foi consequência do primeiro porque o primeiro gol abateu a nossa equipe, nossa equipe não tinha nem reagido, tanto é que a diferença de tempo deu 3 ou 4 minutos, depois a gente respira, consegue buscar alguma coisa, consegue criar alguma coisa, mas eles também no contra-ataque deixaram de fazer o terceiro. Eu saio feliz com algumas coisas que vi, mas lógico, muito......a palavra não dá para falar, em relação a ter perdido um jogo que a gente construiu para poder ganhar e no momento crucial da partida, ter sido prejudicado, o normal era deixar o lance seguir e depois analisar, ele parou antes da batida em gol, por quê? Jogo perigoso? Que jogo perigoso teve ali? Analisando o vídeo não teve jogo perigoso nenhum, então o VAR só serve para alguns tipos de situação e para alguns tipos de interesse, precisamos melhorar isso aí.”
Guto foi indagado se nestes cinco jogos no comando do Coritiba, o time está jogando o suficiente para se livrar do rebaixamento, e respondeu o seguinte: “Acho que estamos num crescimento, jogo a jogo, isso é o campeonato que vai dizer, até porque embaixo tem muita gente errando igual, o campeonato está nivelado. A gente tem feito muito bem a lição de casa, se você analisar da primeira partida que nós comandamos para esta, jogo a jogo a gente vem evoluindo, e nós acreditamos, o impossível só acontece depois que já foi, e nós acreditamos até pelo salto de qualidade que a gente vem tendo jogo a jogo, ninguém ganha na véspera, hoje até o peru não morre mais na véspera.”
O técnico Coxa falou também sobre como viu o cenário do segundo tempo, um jogo lá e cá, depois de um primeiro tempo amarrado. “Não era um cenário interessante para nós, ele mudou três peças que fizeram uma certa diferença naquele momento, a nossa equipe suportou, eles não conseguiram o gol, para eles estava mais interessante porque nos contra-ataques eles estavam chegando com mais efetividade que a gente. Uma outra coisa importante: quantos jogos o Botafogo perdeu após a entrada do Tiquinho, do Lucas, do Marçal, quantos jogos eles perderam? Nenhum. O Botafogo que estava com 31 pontos não é o Botafogo de hoje, o Botafogo de hoje é outro time, é um time mais maduro, um time forte que joga muito bem em transição, que propõe bem o jogo, e nós fizemos um jogo de igual para igual com esse Botafogo que foi lá na Arena Castelão e botou três encima do Fortaleza, que foi amarrado aqui com o América/MG, que é um time com uma transição rapidíssima, e que está brigando pela Libertadores, então as coisas não são assim não, acho que perdeu de 1 x 0 para o Flamengo que está decidindo o quê? Está brigando pelo quê o Flamengo? Então é sinal que nós estamos crescendo e estamos jogando cada vez melhor e os resultados vão acontecer, já tem acontecido dentro de casa e nós vamos conseguir fazer estes resultados fora, uma hora a gente encaixa, se a gente acreditar e trabalhar como vem trabalhando, estamos trabalhando muito, hoje sinceramente foi doído a gente ter perdido este jogo, porque acho que o justo seria no mínimo um empate, e se não tivesse o erro de arbitragem talvez tivéssemos chance de ganhar.”
Guto Ferreira fez uma análise a respeito da entrada do jogador Nathan Mendes na lateral direita e o Fabrício Daniel de centroavante, e da possibilidade de repetir isso até mesmo quando tiver os centroavantes à disposição. Disse o treinador: “Conforme você vai mostrando jogo, vai mostrando qualidade, você tende a ter outras oportunidades. A busca do Nathan ali foi porque na minha concepção o time do Botafogo tem um lado esquerdo muito forte, e se a gente não tivesse colocado quem nós colocamos para enfrentar, o Marçal ia estar toda hora dobrando com o Jefinho que é um jogador extremamente veloz, incisivo, e que nas outras partidas vinha sendo o jogador decisivo do Botafogo na criação das jogadas, quem vinha matando era o Tiquinho, o Carlos Eduardo, mas quem vinha criando era o Jefinho, e o Nathan praticamente anulou o Jefinho tanto é que ele foi substituído, e o Warley conseguiu jogar encima do Marçal, e nós conseguimos ainda contra atacar nas costas dos zagueiros e principalmente do Saravia, foi onde a gente criou as melhores oportunidades. O jogo foi planejado para isso, infelizmente nós não fizemos o gol, mas foi ali que nós criamos as melhores oportunidades. Então as mudanças vieram para isso. A vinda do Fabrício, a gente perde um pouco de presença de área, perde intensidade de marcação mas a gente ganha posse, o time encorpa dentro do campo do adversário e ele não deixa de atacar, se você pegar a planilha final do jogo, talvez tenha sido o jogo que nós tivemos mais lances dentro da área porque a gente errou pouco na intermediária de ataque, nós fizemos um jogo rápido, de aproximação boa, o Bruno e o Robinho aparecendo muito bem e alimentando muito bem a linha da frente, tivemos uma saída mais rápida com o Warley, que foi muito bem tanto defensivo como ofensivo enquanto teve gás, a gente não pode esquecer que o Warley vem entrando, ficou 40 dias parado e depois ele voltou, acho que é o terceiro ou quarto jogo e esse foi o que ele foi mais longe, ele vinha entrando, esse foi o primeiro que ele entra como titular e conseguiu esticar até os 25 minutos do segundo tempo. São processos que a gente está tendo, o Robinho a mesma coisa, quando nós chegamos, esses jogadores estavam saindo do departamento médico depois de um longo tempo, então a gente vem trabalhando firme e forte no meio da competição trocando o pneu e as coisas vem evoluindo, por isso que acredito que a gente vai atingir os nossos objetivos.”
Perguntado se a estratégia de neutralizar o Jefinho e explorar o lado do Saravia foi a única para se proteger ou havia outra planejada para o jogo de hoje, Guto Ferreira respondeu: “O Tiquinho é um jogador diferenciado dentro do Brasil, um cara que tem uma retenção de bola, passada larga, giro, presença de área, centroavante jogando no Brasil ele está entre o top 5, um cara que tem no currículo os clubes que ele passou e com destaque no Futebol Clube do Porto, Champions League e tudo mais, não é qualquer um, e outro jogador que vinha bem no Botafogo, mas que hoje a gente conseguiu anular, graças ao bom trabalho do Jesus, que fez mais uma partida muito boa, foi o Carlos Eduardo, que também vinha decidindo os jogos para o Botafogo, jogador criativo e ele veio para o tanque lá do lado direito, o centroavante, mas é um jogador de muita força, causou algumas dificuldades mas nós conseguimos ainda equilibrar, não foi por ali que a gente foi vazado. Então é o poder de aquisição, é o poder do Botafogo crescendo. Volto a falar, o Botafogo do primeiro turno não é esse Botafogo de agora, do pós janela, o Botafogo do pós janela é outro time, um time que, se puxar o histórico de pontuação, deve estar pontuando entre os oito melhores ou alguma coisa assim, se eu não estiver errado, mas após a entrada desses jogadores da janela.”
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)