
MEMÓRIA
Guilherme Straube é torcedor Coxa, historiador e colaborador do site Coxan@utas. Antes da partida contra o Vitória em Salvador, Guilherme visitou a cidade mineira de Juiz de Fora, onde em 1989 o Coritiba negou-se a jogar uma partida contra o Santos e acabou punido pela CBF. A partida deveria ter ocorrido no Estádio Municipal Radialista Mario Helenio (foto).
Naquele ano o Coxa tinha um verdadeiro timaço, com Tostão, Osvaldo, Carlos Alberto Dias, Chicão, Kazu, Vica, Serginho. O Coritiba sentiu-se prejudicado pela escala da CBF que nitidamente favorecia o Vasco da Gama, concorrente do Coxa à vaga.
Era a última rodada da fase classificatória do Brasileirão daquele ano e o time carioca jogaria contra a Portuguesa e a Confederação brasileira antecipou a data do jogo do Coxa contra o Santos, o que na prática facilitaria ao Vasco a condição de saber qual era o resultado do Coritiba, um concorrente direto à vaga para a fase seguinte.
Além de Vasco x Portuguesa, outras partidas seriam jogadas depois do jogo do Coritiba contra o Santos: Goiás x Grêmio, Sport x Cruzeiro e Fluminense x Palmeiras. O grupo do Coritiba era composto por 11 times e se classificavam os 8 primeiros. O Coxa tinha 9 pontos e estava em sexto lugar do grupo, junto com Grêmio e Goiás. Mesmo que tivesse jogado aquela partida e perdido,o Coxa teria se classificado.
A diretoria Coxa fez uma consulta por escrito, pois pretendia que todos os times cumprissem o regulamento da competição e jogassem no mesmo dia e horário. Amparado por uma decisão judicial, os dirigentes Coxas não mandaram o time a campo.
Numa atitude irresponsável, o Sr. Ricardo Teixeira na condição de Presidente da CBF puniu o Coritiba numa decisão unilateral, que ao mesmo tempo infringiu tanto a lei como a moral do esporte, onde a isonomia de um regulamento é uma ferramenta indispensável.
A decisão da CBF foi a de rebaixar o Coritiba para a segunda divisão mediante um ato administrativo, uma perda muito grande ao futebol paranaense, que também perderia o A. Paranaense, também rebaixado para a sedundona devido a uma péssima campanha dentro de campo.
Esta parte da história negra do futebol brasileiro comandado pela CBF nem sempre é lembrada, em especial quando times do eixo Rio-São Paulo também negaram-se a jogar em condições similares aquela do Coritiba e não foram punidos igualmente, como ocorreu com o Vasco logo depois e Flamengo, alguns anos depois do ocorrido em Juiz de Fora. Nestas duas situações, a CBF não puniu os clubes do Rio de Janeiro.
Anos após o ocorrido em Juiz de Fora, o Estatuto do Torcedor (de 2003) trouxe novamente o assunto à tona, ao impedir que a última rodada de uma competição tenha jogos em dias ou horáris diferentes. Fez-se justiça para o futuro, mas o passado não pode ter sido reparado.
A equipe do site Coxan@utas faz questão de trazer à tona esta página negra do futebol brasileiro como forma de sensibilizar o torcedor a exigir seus direitos em torno da preservação do futebol sério.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)