Numa jornada para esquecer – do mau resultado e do fraco desempenho – e para refletir – da necessidade de reforços e de soluções táticas a curtíssimo prazo -, o Coritiba perdeu para a Portuguesa de Desportos, por 3x1. O desempenho do time coritibano foi fraquíssimo, não levando perigo em nenhum lance mais agudo no ataque.
Com o resultado, e a combinação dos resultados da rodada, que teve o Brasiliense perdendo em Recife para o Santa Cruz por 1x0, o Cori levou sorte e manteve-se na terceira colocação tabela do Brasileirão, apesar de ver o Marília, com 32 pontos, aumentar a diferença de pontos sobre o Verdão, que tem 29, e se aproximar do líder Criciúma, que tem 36 pontos. Encostados no Cori, três paulistas: Ponte, Lusa e Barueri, com 27 pontos.No sábado, o Alviverde joga contra o próprio Marília, segundo colocado na competição, no interior do estado de São Paulo.
Primeiro tempo: pouco futebol
O Verdão entrou em campo com o tradicional uniforme 1, com camisas brancas com listras verdes na horizontal, calções pretos e meias cinzas. Vanderlei; Anderson Lima, Henrique, Leandro e Douglas Silva; Careca, Rodrigo Mancha, Pedro Ken e Caíco; Keirrison e Anderson Gomes iniciaram a partida.
A Lusa entrou com a carga toda. Aos 15 segundos de jogo, Wilton Goiano, ex-Coritiba, avança pela direita e passa na medida para o atacante Diogo, que quase faz o gol para os paulistas, num arremate forte, à meia altura, com a bola passando ao lado da trave esquerda, levando muito perigo para o goleiro Coxa-Branca.
Ainda no campo ofensivo, com 1 minuto de partida, o time rubro-verde tem um escanteio ao seu favor. Na cobrança, o cabeceio do ataque lusitano pára nas mãos do goleiro Vanderlei, que substituiu ao titular Édson Bastos, suspenso pelo cartão.
Aos 7, o Cori vai ao ataque e leva perigo à meta paulista. Numa falta pela esquerda, Anderson Lima bate rasteiro para Pedro Ken, aberto na esquerda. O prata da casa sai da marcação e retorna o lance para o capitão Coxa, que chuta à meia altura, com a bola batendo na rede, pelo lado de fora.
Aos 9, o Verdão avança, numa troca de passes com Keirrison e Pedro Ken, que finta o primeiro e entra na área, mas a zaga da Portuguesa tira o lance. No contra-ataque, sairia o gol do time local. Diogo recebe entre dois marcadores – Douglas Silva e Leandro - e na grande área, finta pela direita e arremata forte, de esquerda, para fazer 1x0 no placar.
Dominando o jogo, o time do Canindé volta a levar perigo à meta coritibana. Novamente pelo lado esquerdo da zaga Coxa, Diogo tenta o chute, já dentro da área, mas a bola sai pela linha de fundo.
Por volta dos 15 minutos, o jogo tinha uma característica, o da Lusa esperar o Coxa avançar para jogar no contra-golpe, em velocidade, com toques rápidos e levando perigo. O domínio territorial, por parte da Portuguesa, no campo de defesa do Coritiba era nítido, que não conseguia marcar bem os atacantes do time do Canindé.
O Cori mostrava um futebol desencontrado, perdendo lances fáceis ao errar as trocas de passe. E o time lusitano aproveitava para contra-golpear em velocidade. Aos 18, novamente Diogo aparece bem no ataque, ao chutar rasteiro, de fora da área, para a defesa de Vanderlei.
Aos 20, o Alviverde foi ao ataque. PK, pela meia direita, sofre falta. Na cobrança, Anderson Lima tenta alçar para Henrique, mas a bola sai muito forte, pela linha de fundo, à esquerda da meta lusitana.
Sem a ligação entre defesa e meio-campo, a zaga Coxa arriscava os lances de lançamento longa distância, mas sem sucesso, pois o time da casa aproveitava para roubar a bola.
Aos 23, erro da arbitragem, que não assinala falta em Keirrison, que estava de frente para a grande área e recebeu um carrinho pelas costas. O árbitro carioca Willian Marcelo de Souza Nery nada marcou, prejudicando o ataque coritibano.
Quatro minutos depois, nova pressão contra o Verdão. Escanteio pela direita, a zaga corta, Wilton Goiano fica com o rebote pela direita e toca novamente para Preto cruzar. No lance, Leandro falha e cabeceia para trás, com a bola sobrando na pequena área, pelo lado direito da zaga Coxa-Branca. O jogador da Lusa cruza alto e o capitão Anderson Lima, na esquerda, afasta.
Aos 28, mais pressão contra o Verdão. Wilton Goiano avança pela direita e cruza bem, para o cabeceio forte do atacante da Portuguesa, mas a bola bate na zaga alviverde, que afasta o lance.
No lance seguinte, ataque Coxa-Branca, com Pedro Ken lançando Keirrison pela direita. O goleiro da Lusa sai do gol e afasta a bola pela linha de lado, antes da chegada do camisa 9 do Cori.
Com trinta minutos de jogo, o lateral Douglas Silva chega pela primeira vez na linha de fundo e cruza alto, para o corte da zaga paulista. A bola chega ao lado direito, mas Pedro Ken não chega à tempo e o zagueiro luso afasta de qualquer jeito. No lance seguinte, novamente Pedro Ken chega ao ataque, se livrando de três marcadores e chutando forte, de fora da área, mas a bola sobe muito, saindo pela linha de fundo.
Neste momento do jogo, o Coritiba começou a aparecer mais no ataque, mas tentando jogadas individuais e facilitando a forte marcação da Lusa. Com muitas faltas contra os meio-campistas e atacantes coritibanos, o time local parava os principais lances ofensivos do Alviverde paranaense.
Aos 32, lance duvidoso. Pedro Ken e Douglas Silva trocam passes e o meia entra na área, recebendo a carga do zagueiro Halisson. O time coritibano pede pênalti, mas o árbitro manda o jogo seguir.
O time paulista fechava-se na zaga para buscar o contra-golpe. Aos 35, a Lusa rouba a bola na defesa, que passa rápido para o meio-campo. Num lançamento longo pela esquerda, Diogo ganha de Rodrigo Mancha e é derrubado antes de entrar na área. O volante do Cori recebe o amarelo. Na cobrança da falta, Vanderlei aparece bem no jogo, defendendo a boa cobrança do time rubro-verde e evitando o perigo contra a meta Coxa-Branca.
Passados 40 minutos, o zagueiro Halisson faz falta em Douglas Silva, no campo de defesa coritibano e recebe o amarelo. No lance seguinte, novo cartão, desta vez para o volante Careca, do Coxa, que fez falta na intermediária do campo.
Com 41 passados do primeiro tempo, outro erro de arbitragem. Pedro Ken faz um bom lançamento para Keirrison, que entra pela esquerda e se livra do goleiro, mas o assistente marca equivocadamente o impedimento, prejudicando o Verdão.
Nos minutos finais, o time paulista abusou das faltas e dois atletas levaram o cartão amarelo: Dias e Raí, ambos por faltas mais fortes no time coritibano. Embolado e sem articulação no setor de criação, o Cori tentava atabalhoadamente furar o bloqueio da defesa paulista, mas sem levar perigo ao goleiro da Portuguesa, que não fez nenhuma defesa na primeira parte do jogo.
No primeiro tempo, o time paranaense sentia dificuldades para armar o jogo. Caíco, apagado no jogo e errando muitos passes, Careca à frente da zaga mas sem efetividade tanto na marcação, como na saída de bola, e Rodrigo Mancha jogando na sobra e tendo um fraco desempenho nesta posição, deixavam Pedro Ken isolado na frente. Tentando os lances individuais, PK tinha dificuldades para se aproximar da dupla Anderson Gomes e Keirrison.
Assim, o Coritiba mostrava falta de força no meio de campo, tanto ofensivo, como defensivo, facilitando as ações de Portuguesa de Desportos. Na defesa, o Cori esteve mal postado, principalmente com Leandro que acabou levando um sufoco do rápido ataque luso. E na frente, o Alviverde jogava de forma previsível e individualista, com Anderson Gomes não conseguindo superar a zaga da Lusa. Keirrison saia pelos dois lados, procurando alternativas para jogar, mas sem sucesso, pois o meio-campo Coxa estava distante e os alas não iam ao ataque.
Segundo tempo: novamente, pouco futebol
Vendo um Coritiba mal articulado em campo, sendo dominado pelo time paulista na etapa inicial, René Simões mudou o time Coxa-Branca para o tempo final, trocando Careca por Jesi (pela direita), que completou a zaga com a dupla Henrique (na sobra) e Leandro (pela esquerda), liberando Rodrigo Mancha para a função de primeiro volante e não de zagueiro da sobra. Com três zagueiros, Anderson Lima e Douglas Silva estariam livres para avançar ao ataque.
No primeiro minuto do tempo final, o Alviverde do Alto da Glória foi ao ataque, num bom momento de Kerission, Pedro Ken, que trocaram bons passes, e Douglas Silva, que avançou como ala pela esquerda e chutou forte ao gol, com a bola indo à meia altura e batendo na rede, mas pelo lado de fora.
O Cori voltou ao ataque aos 8, num avanço de Rodrigo Mancha, pela direita, que na entrada da grande área passou para Caíco, que teve a bola roubada no momento em que iria lançar ao avante Keirrison, que entrava na área, rumo ao gol.
O time paulista levou grande perigo ao gol Coxa-Branca aos 7 minutos. Numa confusão geral na grande área, Leandro cabeceou errado, a bola sobrou para o ataque luso, que inverteu o jogo para a esquerda, com Wilton Goiano levando vantagem sobre o goleiro Vanderlei, que saiu errado do gol. O ex-lateral do Cori fintou a zaga do Verdão e arrematou para o gol, por cobertura, bom a bola passando muito próxima da trave, num lance de grande perigo para a defesa coritibana.
O Verdão foi ao ataque, aos 9, pela esquerda. K9 sai do primeiro marcador e quando ia entrar na área para arrematar ao gol, o zagueiro lusitano antecipou e cortou a bola, evitando o chute do atacante coritibano.
No minuto seguinte, o Cori quase levou o segundo gol. Num lance pela esquerda da zaga coritibana, Wilton Goiano cruza rasteiro à área, Leandro dá espaço e é fintado pelo atacante, que deixou o marcador no chão e de frente para o goleiro Vanderlei chutou por sobre o travessão, perdendo uma ótima chance de ampliar o placar.
Por volta dos quinze minutos do tempo final, o jogo ficou mais equilibrado, com o Verdão mais presente no ataque, mas sem poder descuidar na defesa, já que o time paulista mostrava lances ofensivos de muita velocidade.
Pedro Ken puxa o contra-golpe em alta velocidade, pelo lado esquerdo do ataque. O meia é derrubado, quase na risca da grande área, e na cobrança da falta, Anderson Lima tentou direto ao gol, com a bola passando pela esquerda da meta rubro-verde.
René Simões mexe no time coritibano, trocando o atacante Anderson Gomes, figura decorativa no jogo, por Hugo, um avante de maior porte físico. Por sua vez, o time paulista também muda: sai Clayton para a entrada de outro atacante, Joãozinho.
Com mais de vinte minutos de jogo, o Coritiba diminuiu o ritmo. Sem poder de armação, com Caíco e Pedro Ken distantes da dupla de ataque, o time paranaense cedeu espaços para o time da casa. E a Lusa não vacilou. Aos 21, numa troca de passes pela esquerda, Preto lança rasteiro, o lateral faz falta em Jeci, leva vantagem e na entrada da área cruza rasteiro. Numa bobeira de todas a defesa, Henrique fura e a bola passa, com Diogo chegando antes de Leandro e batendo rasteiro, no canto direito da meta Coxa-Branca, com Vanderlei não pulando contra a bola. 2x0 para a Portuguesa.
Perdendo o jogo, René Simões muda o time Coxa outra vez, trocando Caíco, apagadíssimo na partida, por Dinei.
Com o placar contrário, o time Coxa-Branca se soltou mais à frente. E a Lusa, jogando de forma astuta, fechava-se na zaga e armava o contragolpe em velocidade, especialmente com o atacante Joãozinho e o ala direito Wilton Goiano.
Passados 30 minutos, o time coritibano, desajustado taticamente, não conseguia articular as jogadas no meio-campo. Sem poder de criação e de armação de jogadas, o Verdão via o tempo passar, inoperante no ataque e tendo que cuidar com os avanços de Diogo e Joãozinho, que tinham o apoio de Preto e Wilton Goiano.
Com 34 de jogo no tempo final, mais uma falha coletiva da zaga do Alviverde. Na cobrança de falta pela esquerda, Joãozinho bate na medida, Henrique não alcança e Leandro chega atrasado, tentando o corte com o pé, mas Marco Aurélio, zagueiro do time paulista, livre de marcação para marcar o terceiro gol.
Com a mudança tática de Wagner Benazzi, René Simões não reverteu a condição tática. O time paulista tocava bem a bola pelos lados do campo e aproveitava os espaços entre meio-campo e zaga. Sem o apoio dos alas, tanto com Douglas Silva e Anderson Lima, o Coritiba sucumbia silenciosamente ao time da Lusa.
No 38º minuto de jogo, o Verdão chegou ao seu gol, na base da raça. Num lance que surgiu dos pés de Keirrison, que num jogo de corpo fintou o marcador e passou rasteiro para Anderson Lima, que lançou Douglas Silva. O ala chutou forte, o goleiro defendeu e na sobra, Hugo é mais rápido que a zaga e fez o gol Coxa-Branca.
Aos 42, lance duvidoso em favor do Cori, com Keirrison passando para Douglas Silva entrar na grande área e chutar forte, com o zagueiro Halisson tocando a bola com a mão, mas o árbitro não marca. Na avaliação da equipe da Rádio Clube B2, erro do apitador, que não assinalou a infração máxima.
Com mais quatro minutos de acréscimo, o time alviverde foi ao ataque para tentar diminuir o placar desfavorável, mas sem organização tática suficiente para pelo menos equilibrar as ações contra a Portuguesa e com vários jogadores numa má jornada técnica, o time paulista diminuía o ímpeto do Verdão, fazendo o tempo passar. E foi assim, até o apito final, com mais uma derrota do time Coxa-Branca jogando fora de casa, numa má jornada, uma noite para se esquecer.
Time agradece à torcida
Ao final do jogo, os atletas do Cori foram saudar a torcida coritibana que se fez presente em São Paulo. Cerca de 200 torcedores prestigiaram o Clube no jogo no Canindé.