
AVALIAÇÃO
Parece que o técnico Estevam Soares (foto) não aprendeu com seus próprios erros, complicando o Coritiba na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro da Série B.
Dois erros crassos marcaram a vexatória derrota para o decadente Brasiliense, no último sábado. Tais erros não são desconhecidos até mesmo para os mais leigos, merecendo os seguintes destaques.
O primeiro equívoco é um pouco mais complicado, mas não menos importante de se demonstrar, pois se trata mais de uma aposta do treinador do Alviverde.
Na partida contra a Portuguesa, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, o técnico Estevam Soares escalou para iniciar a partida e, consequentemente, atuarem juntos os jogadores Fábio Pinto, Caio e Jackson.
Como se viu claramente, o Coritiba ficou extremamente centralizado, sem saídas pelas pontas e sem criatividade nenhuma, sendo facilmente marcado e dominado. Somente com as entradas de Eanes e Anderson Gomes, praticamente na metade do segundo tempo, é que o Coxa usou as laterais do campo, abrindo a zaga adversária, e construindo o placar de 3 a 0.
Naquele jogo, ficou nítido que Caio, Jackson e Fábio Pinto não podem jogar juntos, pelo menos na proposta tática que Estevam Soares impõe à equipe. Mas, contrariando a lógica, o técnico do Cori repetiu essa formação para o jogo do último sábado, contra o fraco Brasiliense.
Com o trio Jackson, Caio e Fábio Pinto em campo, o Coritiba foi de novo inoperante. As jogadas eram todas centralizadas e muito fáceis de serem marcadas. Soma-se a esse equívoco a postura dos volantes, que ficaram presos para que os laterais pudessem atacar. Detalhe: os laterais também só atacavam pelo meio.
Resumindo a zona tática, os laterais subiam ao ataque sem se preocupar com marcação. O meio-campo, congestionado pelos três meias do Cori, mais os dois laterais do Verdão, perdia facilmente a bola. Os contra-ataques do Brasiliense eram todos pelas pontas, nas costas dos laterais, principalmente nas costas de Ricardinho, que não passa por uma boa fase.
Com isso, os volantes do Coxa tinham que deixar suas posições para cobrir as alas, deixando o meio aberto. Resultado do primeiro tempo: o Coritiba perdia por 2 a 0.
Veio o segundo tempo e com ele, veio o segundo erro crasso do técnico Estevam Soares. Esse equívoco chega a ser imperdoável, pois o Coritiba deixou de disputar a final do Campeonato Paranaense de 2006 por causa desse equívoco.
Estevam Soares promoveu a saída de Fábio Pinto e Ricardinho para as entradas de Eanes e Anderson Gomes.
As substituições deveriam deixar a equipe com maior poder de fogo, maior poder de ataque, mas o medo predominou no banco do Cori, assim como aconteceu na semifinal do Campeonato Paranaense desse ano, na partida contra a ADAP, triste final.
Estevam Soares deslocou o meia Jackson para a lateral esquerda, cobrindo a saída de Ricardinho e, inacreditavelmente, deslocou Márcio Egídio para a zaga, fazendo a função de terceiro zagueiro. Só nessa mexida, Estevam Soares perdeu dois jogadores no meio de campo, Jackson e Márcio Egídio.
É inacreditável que um técnico de futebol que perdeu todos os jogos em que utilizou o seu sistema de três zagueiros venha a repetir essa formação. É mais do que inacreditável, é imperdoável.
Com dois jogadores a menos no meio de campo, o Brasiliense deitou e rolou nos contra-ataques, e só não impôs humilhação maior ao Verdão Coxa-Branca porque tem um time extremamente fraco.
Por outro lado, a entrada de atacantes de ofício como Eanes e Anderson Gomes deixou o ataque Coxa-Branca mais objetivo, sendo que Alberto, demonstrando oportunismo e bom posicionamento, deixou mais uma vez a sua marca, se aproximando ainda mais dos artilheiros da competição.
A entrada de Eanes ou Anderson Gomes só comprova mais um erro do técnico Estevam Soares. Alberto precisa de um companheiro de ofício e veloz no ataque, que jogue aberto pelas pontas, pois esse revezamento no ataque entre Caio e Fábio Pinto já está mais do que comprovado que não funciona.
Para finalizar, Ricardinho, e agora Andrezinho, começam a ser marcados pelo torcedor Coxa mais exaltado. Ricardinho é prata da casa e merece a atenção especial do Clube. Deixá-lo em campo atualmente é um erro. Ricardinho já mostrou que tem futebol no pé, principalmente na época em que o ex-lateral do Coritiba, Adriano, retornou da seleção brasileira que conquistou a Copa América em 2004, chegando a ficar algumas partidas no banco, enquanto Ricardinho assumia a posição de titular.
Está na hora de dar um descanso ao Ricardinho, deixar essa má-fase passar sem que ele se queime ainda mais com a torcida Coxa. Está na hora do Fabinho ganhar mais uma chance na equipe titular.
Quanto ao técnico Estevam Soares, ele deve ser cobrado pela diretoria do Alviverde. Deve explicar suas atitudes, escalações e utilização de táticas mirabolantes de jogo. Essa cobrança deve ser feita expressamente pela direção de futebol do Coritiba antes que ela seja feita legitimamente pelas arquibancadas, o que prejudicará ainda mais a equipe.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)