
RELEMBRANDO
Por Luiz Carlos Betenheuser Júnior - COXAnautas
Fim do pesadelo da Série B! O Coxa se despediu da infernal Segunda Divisão, deixando a marca do time d'Alma Guerreira, ficando com o título da competição após vencer o já rebaixado Santa Cruz por 3x2, com Henrique, Keirrison e Henrique Dias fazendo os gols do Cori. Ao final de 38 rodadas, o time Coxa-Branca totalizou 69 pontos, com 21 vitórias, 6 empates e 11 derrotas. Foram 54 gols marcados e 42 sofridos.
Um Coxa mudado na última partida
Para o jogo de encerramento da temporada 2007, René Simões optou por mudar o padrão tático do time, sacando o capitão Anderson Lima e trocando o 3-5-2 pelo 4-4-2. Ivo entrou em campo e ficou com a função de lateral-direito. No banco de reservas, Anderson Lima usava a camisa 5, enquanto Careca fez o papel de primeiro volante usando a camisa de número 13.
A opção de mudança tática no Alviverde aconteceu com base no estilo do jogo do adversário, pois o Santa entrou em campo no 3-6-1, com o veloz e experiente Kuki na frente. Contra apenas um atacante, René montou um Coritiba com apenas dois zagueiros.
O Santa entrou em campo com um uniforme tricolor, camisas com listras brancas, prestas e vermelhas na horizontal. Já o Verdão, usou o uniforme da camisa 3, com listras alviverdes na horizontal, calções e e meias verdes.
Até os 18 minutos, um jogo sem emoções, mas com o domínio do meio-campo sendo feito pelo time de Recife. Aos 18, Édson Bastos salvou o Coxa e evitou o gol do time da casa, ao defender uma boa jogada de Kuki, que fez uma assistência na medida para Carlinhos Paraíba arrematar ao gol, numa grande defesa do camisa 1 do Verdão. No lance seguinte, novamente chance do time da casa, com Carlinhos Paraíba aparecendo bem na frente, mas concluindo para fora, para a sorte do Cori.
Com um mau posicionamento do meio-campo coritibano, o Santa tinha espaços para trocar passes, especialmente Carlinhos Paraíba, jogador hábil, que se aproximava de Kuki no ataque.
Aos 20, Túlio fez uma falta mais forte e levou o primeiro amarelo do jogo, anotado pelo árbitro paulista Paulo César Oliveira (Fifa).
O primeiro bom momento do ataque alviverde surgiu quando eram passados 22 de jogo. Na base da vontade, Gustavo consegue se livrar da marcação e chuta forte, para uma ótima defesa do goleiro do time da Cobra Coral.
Por volta de meia hora de jogo, o Verdão mostrava um sistema de jogo com a marcação feita no seu campo de defesa, deixando no ar que estava poupando forças devido ao forte calor que fazia na capital do Pernambuco. Segurando o Santa no campo de sua defesa, o Cori facilitava as ações do time tricolor, que dominava a posse de bola.
O time pernambucano jogava mais pelo lado direito da zaga Coxa-Branca, forçando seu jogo pelo lado de Ivo, Túlio e Henrique. Com muito espaço para jogar, o canhoto Carlinhos Paraíba era o principal articulador de jogadas do time coral. Vindo para o campo de defesa e não tendo uma marcação individual, o jogador canhoto do time de Recife fazia os lançamentos para o ataque, buscando os avanços do Santa com seus alas e com Kuki.
Na segunda jogada ofensiva, quando o time do Santa estava melhor na partida, o Coxa chegou ao seu gol. Aos 33, falta pela esquerda. De pé trocado Túlio cruza na medida para o zagueirão Henrique sobe mais que a zaga pernambucana e desvia do goleiro Gottardi, fazendo Coxa 1x0.
Com 38 do primeiro tempo, uma confusão na grande área do alviverde paranaense levou certo perigo para o Coritiba. Jeci cortou fraco e a bola voltou aos pés dos pernambucanos. Novo cruzamento e novo corte da zaga Coxa-Branca, pela linha de fundo, num vacilo que fez o time do Santa crescer.
Passados 40 minutos, o Cori mostrava-se bem postado na defesa, com Édson Bastos mostrando qualidade nas defesas e tranqüilizando o time e a dupla Jeci e Henrique levando a melhor sobre o atacante Kuki. Os avanços dos laterais Ivo e Fabinho eram raros. No sistema de armação, Pedro Ken e Ricardinho pouco apareciam na frente, deixando a dupla Keirrison e Gustavo muito isolados. O time do Cori mostrava um formato tático mais defensivo, procurando cadenciar mais o jogo e sair ao ataque esporadicamente.
Aos 42, novo momento do time de Recife: o Santa Cruz vai ao ataque e Carlinhos Paraíba se livra da marcação e arremata ao gol, para defesa do camisa 1 Édson Bastos, que usava um uniforme dourado.
No minuto seguinte, Santa e Coxa tentaram o gol. Primeiro, com o time local surgindo na grande área do Cori, num lance pela esquerda, mas com o passe saindo errado, facilitando o contra-golpe coritibano. PK e K11 trocam passes, Gustavo recebe e passa para o artilheiro Keirrison, que faz o lançamento para Pedro Ken pela direita, mas a zaga coral corta.
No último lance do primeiro tempo, aos 46, o Santa Cruz teve uma falta bem próxima da área. Henrique evita o avanço do time coral e faz falta. Na cobrança, Nildo bate muito mal, com a bola passando por sobre o travessão.
Desequilíbrio, confusão tática e técnica, mas vitória na raça!
No tempo final, o treinador do Santa Cruz mexe no time, trocando Genal por Aldo, para dar mais movimentação ofensiva. René manteve o mesmo time que iniciou o jogo.
O primeiro lance em favor do Alviverde do Alto da Glória aconteceu aos 5, com o valente Gustavo. Logo depois, aos 7, boa ação ofensivo do Coxa. Keirrison rouba a bola e avança, passando para Pedro Ken, que avança pela esquerda e cruza. Na continuidade do lance, Ricardinho se livra do marcado e chuta com a direita, mas a zaga corta e evita o gol Coxa-Branca. No lance seguinte, quase o segundo gol do Verdão: a bola sobra para Jeci que acerta um lindo chute, com a bola explodindo no travessão e saindo.
O Santa levou seu primeiro cartão com o experiente Amaral, que cometeu falta mais forte e recebeu o cartão do apitador Paulo César Oliveira. Logo depois, o Santa Cruz mexe novamente, sacando Amaral para a entrada de Tiago.
Nos primeiros dez minutos, o Coxa mostra mais força ofensiva. Em bom lance do Verdão, Keirrison faz bom lance pela direita, sai da marcação e na entrada da grande área faz uma ótima assistência para Henrique, que chuta forte, mas a bola desvia no zagueiro.
Aos 14, no primeiro avanço do time de Recife, a bola é cruzada da direita, depois de um vacilo de Fabinho. O jogador coral chuta e Édson Bastos salva, mas dá rebote e na sobra Nildo faz o gol de empate. O time coritibano reclama de falta no goleiro, mas o árbitro anota o gol para o Santa Cruz.
Dois minutos depois, nova ação perigosa do tricolor de Recife. Depois de um avanço nas costas de Ivo, a bola é cruzada rasteira para a área e Kuki finaliza mal, perdendo boa chance de marcar.
Com o empate no marcados, René muda o time, colocando Henrique Dias e Caíco no jogo. Gustavo e Ricardinho deixam o jogo.
Aos 22, bom lance do Verdão. Pela direita, Túlio avança e chuta forte, à queima roupa, para defesa do goleiro Gottardi, que evita o gol do time coritibano.
Sem contar com os avanços qualificados pelos lados, com Ivo e Fabinho muito apagados na partida, e Pedro Ken mal no jogo, o Coxa buscava os lances na base da individualidade, facilitando a ação defensiva do Santa Cruz.
Com 24, o time da cobra coral levou perigo do gol defendido por Édson Bastos. Jeci vacila e leva um lançamento nas costas, Kuki entra na área mas demora muito para chutar, sendo impedido por Jeci, que se recuperou na jogada e cortou o lance de perigo.
Precisando da vitória, René mudou o Cori, trocando Fabinho por Edmilson. A saída do lateral-esquerdo deixou o Coritiba sem nenhum jogador canhoto em campo.
O empata no placar empolgou o time do Santa Cruz, que começou a dividir todos os lances. Tanto que o zagueiro-técnico Adriano sofreu um profundo corte na cabeça, tendo que enfaixar o local.
Passados 30 minutos, o time alviverde mostrava ansiosidade em campo. O empate em Recife e o resultado de Paulista x Ipatinga tiravam o título do Alto da Glória.
O árbitro anota dois cartões amarelos, Jeci, do Coritiba, por reclamação, e Genal, do Santa Cruz, por cometer falta.
Precisando manter o resultado, o time pernambucano queimou a terceira substituição, sacando o lateral-esquerdo Russo para a entrada do defensor Max. E, curiosamente, foi de Max o segundo gol do time local. Aos 36, Jeci faz falta, recebe o segundo amarelo e é expulso. Carlinhos Paraíba bate a falta, Édson Bastos bate roupa e solta a bola nos pés de Max que faz o 2x1.
Com o placar adverso, o time coritibano perdeu a cabeça. Túlio e Nildo trocam "farpas" e são expulsos.
Num lance de sobriedade de Caíco, o meia avança e passa na medida para Henrique Dias se livrar do zagueiro e cruzar para Keirrison, de cabeça, fazer seu 12º gol no Brasileirão e empatar o jogo: 2x2.
Aos 45, quase o Santa faz mais um, com a bola passando raspando no travessão. No lance seguinte, foi a vez do Coxa levar perigo. K11 tenta na individualidade e perde grande chance de passar para Edmilson, livre de marcação.
Aos 48, quando a festa dos torcedores do Ipatinga e do A. Paranaense - que soltavam fogos de artifício com o placar de 2x2, que tirava o título do Alto da Glória - já acontecia em Minas Gerais e em Curitiba, a raça Coxa-Branca mostrou sua força.
Num lance inacreditável, o Cori ganhou na luta e fez o gol do título. Com nove contra dez, Caíco fez um lance pela direita e cruzou. A bola pipocou na área, Keirrison chutou e o zagueiro cortou, evitando o gol. Na sobra, o pé salvador foi de Henrique Dias, que que caído ao gramado, chutou fraco, mas a bola entrou mansamente nas redes do Santa Cruz. Era o que bastava para a explosão de felicidade das centenas de coritibanos que estavam nas arquibancadas do Arruda e do mais de um milhão de fiéis coritibanos espalhados pelo mundo.
Como todo o ano, o Coxa encerrou sua participação vencendo na base da luta, da raça e da vontade dos jogadores. Num jogo confuso, mais na base da raça do que da técnica, o Coritiba venceu por 3x2. Gol da vitória, gol do título, no último minuto, do último jogo da temporada.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)