
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Gustavo Morínigo iniciou a coletiva explicando o que corrigiu no time do primeiro para o segundo tempo, pois foi gritante a diferença de postura. Ele explicou: “Foi um primeiro tempo ruim de todos os pontos de vista, não conseguimos nos posicionar, não conseguimos a posse de bola nem ter ataque em profundidade, e no segundo tempo colocamos um outro centroavante para ter um jogo um pouco mais direto, um pouco mais de controle com o Robinho, nos arriscando devido à marcação”. “Acho que foi isso e as trocas também, agredimos mais o adversário, fomos pra cima, pressionamos um pouco mais e funcionou, até que a parte física aguentou, pois nos últimos 10 minutos o time cansou, não conseguimos fazer boas transições, nem finalizar, apesar que tivemos algumas oportunidades, e foi um empate com sabor de que podíamos mais, porque no segundo tempo fizemos um bom trabalho, mas no primeiro entregamos novamente”, completou o treinador.
Sobre o que não funcionou no primeiro tempo, se a parte emocional influiu, ou o que pode ter influenciado no rendimento, Morínigo argumentou: “A parte emocional, e acreditar no que podemos fazer, sempre procuramos ter um time preparado psicologicamente para o jogo e não conseguimos começar um jogo da maneira como começamos o segundo tempo, quase todos os segundos tempos temos feito a mesma coisa, temos melhorado nosso rendimento em relação ao primeiro tempo, é uma questão de confiança mais que tudo. Chega um momento em que acham que se pode, que devemos fazer este tipo de jogo, de agredir, de ir para cima do adversário, que é o que queríamos fazer no primeiro tempo também”.
O treinador Coxa-Branca seguiu dizendo: “E seguir trabalhando nisso, pois é uma questão difícil, não se pode medir, não se pode saber como estão os jogadores nesse momento, mas se sustentar no que é o trabalho em si, do grupo, porque enfrentamos uma equipe muito qualificada, muito boa tecnicamente, e que este resultado não seja de todo ruim, ruim mentalmente porque queríamos ganhar, mas o time se recuperou, fomos para cima e demonstramos que sim, podemos também”.
Indagado ainda sobre a parte emocional e a possibilidade da ausência do William Farias ter influenciado. E continuando a questão, pelo que o Coritiba rendeu hoje, principalmente no segundo tempo, se seria justa uma vitória, Gustavo Morínigo respondeu: “Vou começar pelo final, acho que os dois times tiveram suas chances, o São Paulo teve muitas chances no segundo tempo, onde a defesa trabalhou bem. Hoje temos que levar em conta que o Natanael, depois de vários meses, jogou todo o jogo, a parte física vai ser sentida logicamente, mas ele tem uma qualidade física importante que o ajudou, mas não está 100%”.
“Falando de desfalques, rapidamente citamos Matheus, Egídio, Farias, Andrey, Leo Gamalho, então são muitos, praticamente a metade do time considerado titular em seu momento que estão fora, então o time vai sentir, porque os que estão entrando agora não tem tanta sequência de jogos, nem tiveram no paranaense por exemplo, mas temos que valorizar o esforço que todos vem fazendo, os que não vinham jogando e que tem que jogar estes jogos grandes. Hoje tivemos o Biro de um lado, o Natanael do outro lado, o Bernardo entrando e mais o Paixão, são ainda meninos e estão enfrentando suas primeiras batalhas importantes que tem muito nome, que pressionam mais a arbitragem do que a nós, porque tem suas coisas a favor, mas temos que considerar que é um time que tem que suprir várias ausências de jogadores importantes destacados de nosso time”, completou Morínigo.
O técnico Coxa também falou sobre que lição foi tirada do jogo de hoje para o jogo do próximo domingo contra o Palmeiras, disse ele: “A primeira preocupação que temos é a de recuperar os jogadores, hoje tivemos três com câimbras no final porque correram muito, vamos ter que ter muito acerto na escolha dos jogadores porque vamos enfrentar o primeiro colocado do campeonato, um time que é totalmente diferente no estilo de jogo, é agressivo, tem muita velocidade e é um time que conseguiu muitas coisas nestes últimos anos, seja internacionalmente ou nacionalmente, sabemos disso, mas temos o nosso, também, preocupamos pelo que nós podemos fazer, temos nossa torcida, temos nossos jogadores que tem gana de entrar e demonstrar também, então vamos procurar fazer o melhor”.
Morínigo foi instado a explicar por que o Val não conseguiu finalizar de longa distância hoje, será porque estava na posição diferente da que ele normalmente joga? Respondeu o técnico: “Ele jogou na sua posição, ano passado jogava Farias e ele nesta posição. O que aconteceu no primeiro tempo não favoreceu muito, não pudemos passar esta linha de marcação, Thonny ficou muito preso com os três volantes, as transições não eram limpas, sempre terminávamos lançando bolas muito longas, e não passes longos que é diferente, então nessa parte eu achava que o jogo era para ele porque com campo molhado, chutes, bolas longas na frente, mas não conseguimos, e ele também não foi favorecido pelo que aconteceu no primeiro tempo”.Seguiu explicando: “Tivemos que optar por trocá-lo porque buscamos um jogo mais direto com a entrada de Clayton e de Robinho que controla diferente o jogo curto e longo, arriscando um pouco na marcação porque Robinho não tem tanto poder de marcação, mas hoje trabalhou bem e são momentos do jogo que nos favorecem, mas também às vezes se complicam com passes muito complicados, e são tomadas de decisões que não estão saindo em determinado momento, mas todos sabemos que é um bom jogador, sabemos o que nos pode oferecer e temos que seguir o apoiando”.
Gustavo Morínigo explicou também o que pode ser mudado para que o time passe a iniciar o jogo da mesma forma que joga no segundo tempo: “São muitas questões que temos que levar em conta, uma delas é o entrosamento do time que está com muitos desfalques, a parte psicológica, de acreditar e agredir desde o primeiro tempo e ter um pouco mais de segurança desde nossa saída de trás até finalizar a jogada, não estamos tendo isso, estamos correndo muito atrás nessa parte, repito, não é uma desculpa, mas perdemos jogadores que tem essa ordem tática dentro da cabeça e que a mim me facilita bastante nos movimentos, e estamos como estivéssemos começando novamente com diferentes jogadores que tem diferentes características, então é seguir procurando, seguir trabalhando a parte mental, a parte física também e a parte futebolística, é um pacote completo”.
O treinador Coxa-Branca fez um balanço dos primeiros 10 jogos do campeonato, com o time do Coritiba na parte de cima da tabela de classificação. Disse ele: “Sinceramente, sem parecer arrogante, acho que perdemos muitas oportunidades de estar melhor. Jogos que não deveríamos ter perdido, mas perdemos por jogar mal, jogos em que poderíamos ter outro resultado e isso podia fazer a diferença, dois pontos a mais três ou quatro pontos a mais, faria diferença. Não estou contente porque sei do esforço que fizemos e conheço a capacidade que os jogadores têm, então não estou contente nesta parte, mas sabemos que estamos em um dos torneios mais difíceis do mundo, não se pode saber o resultado antes de jogar, e isso se observa nos jogos que estão acontecendo, mas pensando nessa parte não estou tranquilo pois poderíamos ter feito melhor”. E completou dizendo mais uma vez que se trata de um torneio complicado, difícil, que não existem favoritos, todos os times estão muito bem, mas o Coritiba, no modo de ver do treinador, perdeu oportunidades de estar melhor.
Sobre a falta que fazem os jogadores de meio que estão fora, como o Andrey e o William Farias, o técnico disse: “É uma posição de responsabilidade, na verdade a posição que hoje ocupou o Bernardo e que William ocupa, é uma posição onde se encaixam todos os movimentos através desta posição, desde a saída, a segurança, a marcação, a engrenagem do jogo, os movimentos que temos que fazer, e mudamos porque as características dos jogadores que estão ocupando hoje, os jogadores que temos hoje para ocupar essa posição, não é a mesma, e não é fácil escolher. É uma posição de muita responsabilidade e uma das posições mais importantes do nosso time no entrosamento”.
Falou também sobre a estreia do Galarza, que hoje entrou pela primeira vez: “Matias tem mais características de segundo volante do que de primeiro, como hoje o Bernardo cansou, necessitávamos um pouco mais de marcação porque o São Paulo estava tomando conta do meio campo, tínhamos o Robinho marcando também. Hoje era o seu dia, sempre tudo a seu tempo como sempre falamos com ele, e entrou bem com muita vontade, recuperou bolas, foi para frente, mas repetindo, a característica dele é segundo volante e hoje arriscamos por todos os lados, arriscamos com Robinho, jogamos praticamente sem volante marcador e tivemos que fazer, porque queríamos ganhar e essa é a realidade, queríamos ganhar o jogo, tivemos oportunidades e ele vai seguir crescendo, é um jogador de muita qualidade, é um jogador que tem uma dinâmica muito importante, uma das melhores do nosso time, mas ele tem que seguir buscando sua posição dentro de campo, assim como cada um tem que ganhar sua posição”.
Por fim, Morínigo acabou falando sobre as notícias que saíram hoje sobre um possível interesse do Ceará, que perdeu o treinador Dorival Júnior que está indo para o Flamengo. Ele fez questão de dizer: “Eu não falei nada, mas sim, me comentaram que saiu a notícia, não sei onde, mas eu sou uma pessoa que quando estou no dia de jogo ou dia pré jogo, ninguém me incomoda, nem meu representante, ninguém me telefona porque não vou atender, essa é a realidade, estou focado no que estamos fazendo aqui, temos um projeto, temos apoio, acho que o trabalho não está ruim, estamos brigando, e particularmente me sinto bem e essa decisão não será tomada agora”.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)