
Longe do Couto
Por: Ricardo Honório
A péssima atuação e a derrota para o A.Goianiense na última rodada evidenciou ainda mais a dificuldade que o Coritiba tem no Brasileirão quando atua fora de seus domínios. Em 2022, o time alviverde disputou quatro partidas longe do Couto Pereira e conquistou somente um, dos doze pontos disputados. O mais curioso disso é que o único ponto veio contra o A. Mineiro, justamente no confronto que nem o mais otimista dos torcedores acreditaria que o Coritiba pudesse pontuar.
Em jogos mais acessíveis, como o contra o Santos, quando o time paulista passava por um momento difícil, e contra Avaí e A. Goianiense, o Verdão tinha totais possibilidades de fazer pelo menos um ponto em cada partida, mas a apatia da equipe e as falhas individuais levaram a três derrotas, duas delas, contra o os times catarinense e goiano, que podem fazer muita falta lá na frente, pois são adversários diretos no principal objetivo do Coritiba em seu ano retorno à primeira divisão: a permanência na elite do futebol nacional.
Mas a dificuldade em tirar o pijama não é um “privilégio” de 2022. Há anos o Coritiba vem mostrando extrema dificuldade quando atua longe do Couto Pereira. A impressão que se tem é que o time alviverde é bipolar, sendo um quando atua em seus domínios e outro quando atua fora de casa. As partidas contra o Santos, pela Copa do Brasil, deixaram isso bem claro. Após uma apresentação espetacular em casa, quando o goleiro João Paulo impediu o time santista de levar uma goleada, no segundo jogo o Coritiba entrou em campo como um time pequeno, todo encolhido em seu campo de defesa e abdicando de atacar. O resultado final todos já sabem.
Desde que o Brasileirão passou a ser disputado em pontos corridos, em 2003, o Coritiba foi rebaixado em quatro oportunidades, 2005, 2009, 2017 e 2020, e em todos os rebaixamentos a campanha fora de casa foi pífia, com média inferior a 24% de aproveitamento se somados todos os anos.
A pior campanha aconteceu em 2009, quando o Coritiba conseguiu apenas 19,2% de aproveitamento nos jogos fora do Couto Pereira.
Por outro lado, a melhor campanha fora de casa aconteceu em 2003, quando time comandado por Paulo Bonamigo teve 39% de aproveitamento, conquistando 7 vitórias, 5 empates e 11 derrotas. Naquele ano o time alviverde conquistou sua última vaga para a Taça Libertadores.
Nos anos de 2014 e 2016, quando o Coritiba conseguiu apenas 21% de aproveitamento fora de casa, senão fosse a boa campanha do time nos jogos dentro do Couto Pereira, provavelmente o time alviverde mancharia a sua história com mais rebaixamentos.
Historicamente, desde que os pontos corridos passaram a ser implantados no Brasileirão, o Coritiba não costuma largar o pijama quando os jogos são longe do Couto Pereira. O resultado disso é claro. Campanhas apenas regulares, quando não muito ruins e que acabaram resultando em rebaixamento.
Se o Coritiba não mudar a postura nos jogos fora de casa, a história dificilmente mudará e a torcida alviverde continuará sofrendo e vendo o clube lutando apenas para fugir do rebaixamento.
Confira o históricos de aproveitamento do Coritiba fora de casa
2003 - 27 pontos / 39,0% de aproveitamento
2004 - 24 pontos / 34,7% de aproveitamento
2005 - 15 pontos / 23,8% de aproveitamento
2008 - 17 pontos / 29,8% de aproveitamento
2009 - 11 pontos / 19,2% de aproveitamento
2011 - 14 pontos / 24,5% de aproveitamento
2012 - 13 pontos / 22,8% de aproveitamento
2013 - 13 pontos / 22,8% de aproveitamento
2014 - 12 pontos / 21,0% de aproveitamento
2015 - 16 pontos / 28,0% de aproveitamento
2016 - 12 pontos / 21,0% de aproveitamento
2017 - 17 pontos / 29,8% de aproveitamento
2020 - 13 pontos / 22,8% de aproveitamento
Em destaque os anos em que o Coritiba foi rebaixado.
Arte de Tiago Recchia
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)