
AVALIAÇÃO
Depois de mais de noventa minutos de um jogo irritante, com um Coritiba ainda treinado pelo fraquíssimo Estevam Soares, os gritos de "Coooxxaaaaaaa" e "Coxa eu te Amo!!!" dos quase 11 mil fiéis coritibanos deram vez aos gritos de "Vergonha! Vergonha! Vergonha!", "Fora Gionédis!" e "Volta Bonamigo", após um empate a um gol contra o Sport, que teve dois jogadores expulsos ainda no primeiro tempo.
Vítimas do estado das coisas que assola o Alto da Glória, onde tudo parece estar em perfeita ordem e harmonia, dentro dos planos (ainda restam mais cinco jogos para a parada da Copa do Mundo), os torcedores perderam a paciência nesta tarde de sábado, no Alto da Glória. A cada dia que passa, a crise se agrava, e o estado das coisas traz irritação e, mais que isto, preocupação e desalento aos fiéis torcedores. E a luz no fim do túnel não aparece.
O time coritibano, montado para as disputas da Série B de 2006, ao final de mais de noventa minutos de uma apresentação no mínimo horrorosa, não conseguiu armar uma única jogada de área com qualidade, num amontoado tático e técnico digno de esquecimento.
Estevam Soares, que, depois das desculpas esfarrapadas da última semana e de alguns dias de folga, em ficou em São Paulo e chegou a destacar as qualidades do time do Palmeiras em um programa televisivo do último domingo (na Rede TV), ao final do empate de 1x1 contra o Sport, desabafou: “Vergonha. Foi isso o que senti do banco. Faltou inteligência à equipe. Logo após a expulsão (dos jogadores do Sport), se o Coritiba tivesse cinco minutos de inteligência, a gente teria vencido com tranqüilidade. O resultado é preocupante porque, pela primeira vez, saímos da zona de classificação”, disse o ainda treinador do Coritiba.
O gol dos visitantes saiu de uma falha grosseira do goleiro Kleber, que tentou uma reposição de bola e acabou fazendo uma assistência ao jogador Wellington, que notou que o goleiro Coxa-Branca estava adiantado e fez o gol por cobertura. Eram passados 11 minutos de jogo, e o sofrimento estava só começando.
O Cori chegou ao empate, ainda no primeiro tempo, num lance individual de Caio. Um golaço, num chute de fora da área. Foi a única jogada com qualidade no primeiro tempo. Sem força de jogo ofensivo, insistindo com dois volantes que não sabem armar o jogo, Estevam Soares não conseguiu mexer taticamente no Coritiba, que, na prática, jogou com apenas um atacante, já que Fábio Pinto voltava para armar o jogo.
As dificuldades do modelo tático de Estavam Soares eram nítidas, tanto que foram motivo de manchete de capa no site, que alertava em seu pré-jogo, que foi ao ar a zero hora deste sábado: "Novamente com apenas um atacante". Esbarrando na bem postada defesa do Leão da Ilha, o Verdão sucumbiu ofensivamente, já que marcava muito atrás, não pressionando no campo de defesa dos pernambucanos.
Estevam Soares montou um esquema tático infeliz contra o Sport. Além de ver um adversário que joga com um volante e três meias (a equipe Coxanautas vê diferente: um meia, três volantes, um deles fixo). Forçando o jogo pelo meio da área, sem jogadas de linha de fundo, em mais de cinqënta minutos, o Coxa não conseguiu furar o bloqueio que o time pernambucano montou após as expulsões sofridas. E foram duas.
Depois das duas expulsões sofridas pelo Sport Recife (Wellington e Kleber), e de ainda perder seu treinador, Dorival Júnior, também expulso, o ainda técnico Estevam Soares não mexeu no Alviverde no primeiro tempo.
No intervalo, mudanças no Coxa. Soares trocou Fabinho (lateral esquerdo) por Eanes (atacante). Na mexida, levou Jackson (que é destro) para a lateral esquerda. Não deu certo, era óbvio. E o Coritiba continuava sem poder ofensivo. Nova mexida, sacando Wilton Goiano (lateral direito) para a entrada do jovem Marlos (meia-esquerda). Nova mexida tática no time: o polivalente Jackson deixou a lateral esquerda para ir jogar na lateral direita, com Marlos indo jogar de lateral pelo lado esquerdo do campo.
A confusão tática não só continou, como piorou (Marlos acabou indo jogar até de meia-direita). O Alviverde foi vítima dos seus próprios erros, que parecem não ter fim.
Sem sucesso em campo, apesar da torcida continuar apoiando o time, mesmo sem o devido retorno de seus jogadores, comissão técnica e dirigentes, o Coxa se perdeu literalmente no gramado. Sai Jackson, entra Anderson Gomes, mantendo-se os dois volantes Egídio e Luciano Santos.
A confusão em campo ficou clara, na medida que o Coritiba não teve uma única oportunidade boa para marcar seu segundo gol, mesmo com a vantagem numérica em campo.
Ao final de mais de noventa minutos, a torcida perdeu a paciência, pedindo a saída do Presidente Gionédis, que "retribuiu" os apelos fazendo gestos para alguns torcedores que estavam nas cadeiras inferiores. Além de Giovani, a torcida pediu a cabeça do ainda treinador do Clube, Estevam Soares. Gritos de "Volta Bonamigo!" ecoaram pelo Couto Pereira.
Na entrevista coletiva, Estevam comentou que sentiu vergonha do time (a torcida gritou "Vergonha!" ao apito final). Com o empate, o Coritiba deixou a faixa de classificação. Agora em sexto lugar, com oito pontos (e mais distante do líder, o Sport, com treze), o Cori precisa desesperadamente da vitória na próxima rodada, que será contra o São Raimundo, em Manaus. Lugar distante. E para piorar o panorama, viagem de avião.
Na saída do jogo, torcedores ficaram esperando a saída dos dirigentes coritibanos, que estavam num dos camarotes do Couto Pereira, que estava fechado. Do lado de fora, além dos torcedores revoltados com o fraco desempenho do time, policiais e seguranças contratados pelo Clube.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)