
Máquina do Tempo
Por: Luiz Eduardo Buquera
O ano de 2003 é lembrado pela torcida do Coritiba com bastante saudade. Afinal, o Verdão iniciou a temporada com título estadual invicto, conquistado no Couto Pereira com público superior a 45.000 pessoas. Após 14 anos, o Coritiba pôde comemorar uma conquista estadual em sua casa, o que não ocorria desde 1989.
Para um elenco inicialmente desacreditado, já havia sido um feito importante, mas as atenções estavam voltadas para o desempenho que a equipe iria apresentar diante de adversários mais cascudos no Campeonato Brasileiro. Mais uma vez o desempenho surpreenderia e ao final do ano o clube se classificou para sua segunda participação na Taça Libertadores da América.
A trajetória para a referida conquista foi árdua, e contou com momentos de turbulência e dificuldades alternados por grandes vitórias e atuações memoráveis. Apenas como exemplo, no início da competição a demora para a conquista da primeira vitória já motivava os cornetas de plantão a pedirem a cabeça do técnico.
Felizmente, com uma boa sequência de resultados, a equipe ganhou confiança e a partir de então sempre lutou na parte de cima da tabela.
Em uma das jornadas do Coxa no segundo turno da competição o adversário foi o Juventude, que aparentemente poderia ser presa fácil para a equipe que havia goleado o Flamengo por 5x0 na rodada anterior. Ledo engano, a partida foi dificílima, com o Coritiba apresentando dificuldades no ataque e sofrendo com os avanços da equipe gaúcha. Tal cenário consagrou o goleiro Fernando, que com grande atuação manteve o Coxa vivo na partida e teve participação decisiva para a conquista do gol da vitória. Logo após defender arremate do Juventude, reiniciou o jogo rapidamente com um lançamento longo que pegou a defesa adversária desarrumada, Marcel resvalou de cabeça e Edu Sales que vinha em velocidade, ultrapassou os zagueiros e tocou por cobertura na saída do goleiro. Um belíssimo e importante gol que garantiu mais três pontos que assegurariam a quinta colocação ao final do campeonato. Ainda haveria tempo para o personagem da partida fazer outra grande defesa antes do encerramento da partida.
Fernando foi o titular absoluto da equipe entre 2002 e 2005, quando conquistou o respeito e admiração da torcida, o que preferiu jogar no lixo ao protagonizar um papel ridículo na final da Copa do Brasil de 2011, quando com a conivência da arbitragem abusou da cera para assegurar o resultado para a sua equipe.
Já para o Coritiba de hoje, a lembrança serve de estímulo para se lutar pelo resultado mesmo que o cenário da partida não se mostre favorável e também como alerta para não se cometer o erro de subestimar o adversário, que historicamente adora complicar a vida do Coritiba e conta com superioridade no retrospecto.
Ficha Técnica
Coritiba 1x0 Juventude - 16 de agosto de 2003.
Estádio Major Antônio Couto Pereira.
Coritiba: Fernando, Danilo, Reginaldo Nascimento e Odvan; Jackson, Roberto Brum, Tcheco, Souza (Lima) e Adriano (Lira); Edu Sales e Marcel. Técnico: Bonamigo.
Juventude: Maurício, Dante, Renato, Raone e Marcão (Donizete Amorim); Evandro (Cléber Frolich), Marcelo Costa, Mineiro e Rafael Campos; Geufer e Taílson (Leonardo Manzi). Técnico: Raul Plassmann.
Gol: Edu Sales (CFC) 22/2.
Público pagante: 5.174 pessoas.
Árbitro: Paulo Henrique de Godoy Bezerra.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)