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Marcos Freitas, São Paulo, exclusivo para o site Coxan@utas
Cazuza já dizia:"Só as mães são felizes" e há razão nisso. Mas, convenhamos, mãe de jogador sofre. E foi assim nas arquibancadas do estádio Nicolau Alayon, em São Paulo. Muita torcida e sofrimento durante o jogo entre Comercial e Coritiba pelas quartas-de-final da Copa São Paulo de JR.
Pouco mais de 300 pessoas tiveram coragem encarar o sol forte de mais de 30 graus do verão paulistano para assistir a partida. A maioria dos presentes estava ali por uma grande motivo: eram parentes e amigos de jogadores do time de Ribeirão Preto e de Curitiba.
"Aqui de fora a gente sofre muito" dizia a nervosa Cênia Costa, avó do preparador físico do Comercial, Aroldo Costa. Entre um ataque e outro do Bafo (carinhoso apelido do Comercial) não faltavam gritos e suspiros. "Fazemos de tudo para acompanhar o trabalho dele", afirmava a avó coruja.
A torcida da corretora de imóveis Rógina Pereira era para time diferente, mas o sofrimento era o mesmo: " É um terror! A tensão é muito grande, mas viemos para incentivar o Coritiba", dizia a tia do artilheiro Keirrison, pouco antes de explodir em alegria com o gol de empate que seu sobrinho fez para o alviverde paranaense. Para ela, as atuações de seu sobrinho são motivos de orgulho para a torcida coxa-branca: "ele jogou bem todas as partidas, estamos muito felizes com isso", disse.
"Só espero que não vá para os pênaltis” dizia Tânia Mara, mãe do meio-campista Diogo, do Comercial. "Já chega o que sofri na partida contra o Paysandu" (na rodada anterior, o time de Ribeirão Preto eliminou o time paraense nas cobranças de pênaltis). Mesmo com o filho ao lado (o jogador foi expulso na última partida contra o Paysandu e ficou de fora do jogo de hoje), o nervosismo era grande: "quando jogam outros times eu nem ligo, mas como é o Comercial fico aqui na torcida".
A professora de educação-física aposentada, Marli Cândido Alves era um misto de alegria e tensão durante todo a partida: "o jogo está bom e o Coritiba mostrou muita garra", dizia antes da decisão por pênaltis. Mãe do meio-campo Dirceu ela contou que viu todos os jogos de seu pupilo na Copinha "todos com muito nervosismo", enfatizou. "Fico tensa dois dias antes, quase não durmo direito", disse. " Mas vale a pena, faço tudo para vê-lo feliz", finalizou.
Técnico exalta equipe e anima a torcida do Coritiba
"Muitos desses garotos vão dar grandes alegrias para a torcida coxa-branca, pode esperar", afirmou o técnico Édison Borges logo após a partida. Para ele, a equipe se portou bem no jogo, principalmente na segunda etapa: "sentimos um pouco o calor do início do jogo e tomamos dois gols, mas felizmente melhoramos no segundo tempo e tivemos chances de fechar o jogo", disse. "Mesmo assim o grupo está de parabéns, fico muito feliz de comandar esse time", afirmou ao ser cumprimentado pelo técnico do Comercial Antonio Salomão.
Segundo o treinador do Bafo, o Coritiba jogou muito bem e as duas equipes mereciam a vitória: "eles valorizaram e muito nossa conquista", disse.
Édison Borges ressaltou que jogadores como o zagueiro Henrique, o meia Renam e o atacante Keirrison tem futuro brilhante no time profissional do Coritiba: "são jogadores muito bons que poderão ajudar muito o Coritiba nos próximos anos", afirmou. Segundo o ex-atacante coritibano, todos os atletas honraram as cores do alviverde paranaense: ”o que passei para eles é que vestissem essa camisa com amor pois o Coritiba é um grande time e isso eles fizeram", finalizou.
Revelação da equipe sonha em brilhar no profissional
O atacante Keirrison estava um pouco triste com a derrota: "merecíamos mais sorte, mas Deus sabe o que faz", disse resignado. Para o artilheiro da equipe essa "Copinha" vai ficar para sempre guardada em sua memória: "sei que fiz um bom trabalho e espero continuar desse jeito para poder ajudar ainda mais o Coritiba", afirmou. "Foi uma experiência incrível", disse.
Perguntado sobre as especulações em torno de propostas envolvendo seu nome, o sul-mato-grossense de 17 anos se diz tranqüilo e com a cabeça apenas no Coritiba: "é aqui que quero brilhar", contou. "Esse grupo é maravilhoso", afirmou ao lembrar de seus companheiros de equipe.
Ex-craque da década de 80 também levou seu apoio
Sergio Prestes da Silva é hoje um quarentão pouco acima do peso que vive a descobrir e lapidar talentos no futebol. Craque e um dos comandantes do time do Coritiba campeão estadual em 1989, o ex-jogador esteve em São Paulo para dar apoio aos jogadores do Coritiba.
Após a derrota nos pênaltis, próximo ao vestiário ele fez questão de cumprimentar um a um dizendo palavras de incentivo à garotada coxa: "eles jogaram muito bem, infelizmente nos pênaltis alguém tem que perder", disse.
Quando se lembra dos tempos em que era jogador, ele elege o time do Coritiba de 1989 como o melhor em que já atuou em toda sua carreira: "tínhamos o Tostão que era um craque; o Carlos Alberto Dias que estava arrebentando e na frente tinha o Kazu e o Chicão", relembra. "Lá atrás, Vica e Osvaldo em grande fase, nos davam a segurança para jogarmos soltos e pro ataque", disse, lembrando a característica daquela equipe que enchia os olhos da galera coxa-branca no final da década de 80.
Marcos Freitas, jornalista.
Fotografia: Lara Moto
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)