
AVALIAÇÃO
Por Luiz Carlos Betenheuser Júnior / COXAnautas
O time do Coritiba literalmente apagou o fogo da sua fiel torcida na apresentação contra o Botafogo, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil ao ser derrotado em casa por 1x0, gol de Luciano Almeida, numa falha do goleiro Artur. Com o resultado, agora o Verdão terá que vencer por 2x0 gols no Maracanã para seguir na competição nacional. O Alvinegro joga pelo empate para ficar com a vaga na semifinal. No domingo, o Cori volta a campo, desta vez pelo Paranaense, para enfrentar o ACP e precisa vencer para continuar vivo na competição regional.
O Coxa não soube aproveitar a falta do grande jogador do time da Estrela Solitária, o meia Zé Roberto, o principal articulador do meio-campo do time carioca e perdeu perante sua fiel torcida, que levou mais de 21 mil torcedores ao Alto da Glória. A torcida Coxa bem que tentou empurrar o time durante a partida, mas o confuso e nada empolgante desempenho coritibano literalmente apagou o fogo da galera Coxa-Branca.
O Cori entrou em campo novamente sem poder contar com um meia armador, já que Marlos nem no banco ficou, por estar passando por um processo litigioso de renovação contratual. Além do meia-esquerda, Macuglia não pode contar com Caíco e Juliano, ambos vetados pelo DM.
Contra o Fogão, o time coritibano fez uma fraca atuação, com apenas Douglão, Adriano e Túlio mostrando um desempenho mediano. PK e Henrique tiveram uma apresentação fraca, pouco aparecendo no jogo e ainda errando lances pouco usuais. Na frente, Keirrison jogou isolado, muito marcado pela zaga carioca. Henrique Dias procurou se movimentar pelos dois lados do gramado, mas pecou muito nos cruzamentos, apresentando um futebol apenas regular na sua estréia no time do Alviverde do Alto da Glória.
Com o gol sofrido aos 7 minutos do primeiro tempo, depois de uma falha pelo lado esquerdo da defesa, com Anderson Lima perdendo a bola e o time carioca aproveitando o contra-ataque. Dodô passou para Luciano Almeida que entrou pela linha lateral e chutou forte, com Artur falhando novamente, ao deixar a bola passar por baixo de seu corpo, caindo atrasado.
Depois do gol sofrido, o time do Cori dava sinais de ansiedade, que aliada à pouca qualidade no passe, facilitavam o trabalho do time visitante, que jogava no previsível 4-5-1, só com Dodô na frente e Lúcio Flávio, com boa movimentação, mais avançado no meio campo do Botafogo.
Na defesa, os visitantes jogavam forte, não cedendo espaços para a dupla K9 e Henrique Dias. Sem um apoio qualificado de Anderson Lima e Douglas Silva, que pouco avançaram (apesar do lateral-esquerdo tentar, sem sucesso, arremates de média distância), o time Coxa-Branca foi facilmente marcado pelos botafoguenses, que tiveram no defensor Juninho, ex-Coritiba, e agora capitão do alvinegro, um dos destaques.
Henrique falhou feio duplamente numa mesma jogada no primeiro tempo, o que acabou resultando num lance perigoso do adversário. O zagueiro do Cori foi tentar sair jogando e perdeu a posse de bola numa finta. Ao se recuperar, Henrique fez um passe de média distância, mas a bola rasteira caiu nos pés do adversário, que armou um bom contra-golpe, mas que parou na zaga Coxa.
Neste momento do jogo, o Verdão tentava sair jogando, mas de forma muito desarticulada. Macuglia tirou Adriano, que jogava quase como um meia pela esquerda, para a entrada de Igor, que teve uma fraca atuação, perdendo todos as disputas de bola.
Artur apareceu bem em duas oportunidades, em chutes de fora da área, recuperando-se da falha no gol do alvinegro carioca.
Perdendo os rebotes ofensivos, o Alviverde do Alto da Glória dava espaço para o advesário jogar no contra-golpe. Apesar disto, o Botafogo não finalizava bem. Quem também não finalizava com qualidade era o setor ofensivo do Cori, que insistia em cruzamentos na área, todos interceptados pelo time carioca.
A melhor oportunidade do Coritiba na etapa inicial saiu dos pés do voluntarioso Túlio, que arrematou da entrada da área, com a bola passando muito perto da trave esquerda da meta alvinegra, arrancando alguns gritos de gol de quem estava do outro lado. E foi só: o Cori não acertou um único chute a gol na primeira etapa, deixando transparecer a falta de qualidade contra um time médio do cenário nacional, que soube marcar bem o time do Alto da Glória.
No tempo final, o panorama Coxa-Branca permaneceu negro. Sem ver um time capaz de atacar com força o Fogão, a fiel torcida bem que tentava apoiar, mas dentro de campo a falta de qualidade do time Coxa ficou nítida no tempo final. Uma atuação abaixo da média de Pedro Ken facilitou o trabalho do adversário, que marcava forte. Túlio corria, mas não conseguia armar ofensivamente o jogo para a dupla de atacantes.
Macuglia voltou a mexer no time, desta vez trocando Juninho, que não tinha função efetiva, pois o time visitante não atacava constantemente, mais se preocupando em deixar o tempo passar e marcar o time Coxa. Saiu Juninho para a entrada de Daniel Cruz, que foi mal na partida. O lateral foi para a esquerda, deixando o titular Douglas Silva numa função no meio de campo, bastante congestionado.
A mudança tática não trouxe o resultado esperado, com o time do Alviverde voltando a apresentar dificuldades para superar a forte marcação do time da Estrela Solitária.
Vendo o time alviverde sem força ofensiva, o treinador Guilherme Macuglia mexeu pela terceira e última vez no time, trocando Túlio, aparentemente desgastado fisicamente pela correria que fez em campo, para a entrada de Geraldo, que não justificou a substituição.
Neste momento do jogo, o Fogo procurava administrar o tempo e arriscar o contra-golpe pelos lados do campo, com articulações iniciadas com Lúcio Flávio, aproveitando a falta de velocidade de Anderson Lima, que levou uma finta seca no tempo final, num lance onde o jogador botafoguense ganhou fácil na velocidade do capitão Coxa e só foi parado por Henrique, que roubou a bola.
Um dos poucos lances que trouxe mais emoção aos torcedores do Alviverde ocorreu quando Douglão roubou a bola e avançou em velocidade para o ataque. Mas foi só, pois a bola foi interceptada pelos marcadores botafoguenses. No tempo final, o time do Cori arriscou duas bolas que foram para fora, em chutes de média distância e dois chutes fracos, no meio do gol, para fácil defesa do camisa 1 do Fogão. E foi só, até o apito final.
Torcida critica o time e a diretoria
Ao final do jogo, parte da torcida Coxa-Branca resolveu criticar os dirigentes e o time Coxa-Branca. Além do time, o treinador Guilherme Macuglia voltou a sofrer apupos de alguns setores da torcida. Quem também foi criticado por parte dos torcedores presentes ao Couto foi o goleiro Artur, pela falha no gol botafoguense.
Durante o fim do primeiro tempo e em alguns momentos do tempo final, a galera do Verdão pediu "raça" ao time Coxa.
Derrota traz à tona a fragilidade do elenco para a disputa da Série B
Contra um time aplicado taticamente, sem grandes destaques individuais, mas que sabe marcar, o time do Coritiba mostrou sua limitação perante o melhor público do ano no Alto da Glória, com mais de 21 mil fiéis coritibanos.
Apesar dos desfalques no time principal, a falta de boas opções no elenco Coxa deixou um alerta: para voltar, o Coritiba terá que melhorar e melhorar bastante seu elenco.
Os resultados nos clássicos AtleTiba e ParaTiba não são referência positiva para a disputa do Brasileirão. Os fracos A. Paranaense e P. Clube mostram sérias dificuldades contra times um pouco melhor treinados, como foi o caso do mediano Flamengo e dos limitados Vitória e Atlético Goianiense.
A partida contra o Botafogo é uma prévia do que o Verdão irá encontrar contra alguns dos principais adversários da Série B 2007. Se quiser subir o time, cumprindo uma promessa à torcida, a diretoria do Alviverde precisa reforçar o elenco.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)